Negócios

Do Brás à Oscar Freire, por enquanto um Natal de poucas sacolas


Nas principais ruas paulistanas de comércio, a expectativa é de que o movimento crescerá nos dias que antecedem as comemorações natalinas


  Por Mariana Missiaggia 11 de Dezembro de 2017 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A bióloga Rose Fillipine, 44 anos, aproveitou uma viagem de trabalho para realizar um sonho de consumo antigo: garimpar boas ofertas no comércio popular paulistano.

Viajou do Rio Grande do Sul para São Paulo com a intenção de comprar dez presentes de Natal com R$ 500. O roteiro estabelecido pela gaúcha incluiu as principais regiões de compras da capital – 25 de Março, Brás e Bom Retiro.

Porém, a "baixa qualidade" dos produtos que encontrou nestes endereços, segundo afirma, fez com que comprasse apenas alguns itens para si mesma e nenhum dos presentes que pretendia.

RAIMUNDA VEIO DO MARANHÃO PARA COMPRAR EM SÃO PAULO

O mesmo sucedeu com Raimunda Alves, 50 anos, vendedora, de São Luís do Maranhão. Na companhia de uma amiga, ela veio à cidade com a intenção de levar roupas para toda a família e algumas peças para revender.

Assim como tantos outros turistas, Raimunda veio de excursão – uma tradição que ela mantém há 19 anos. Em anos anteriores, ela recorda que já chegou a gastar até R$ 2 mil na cidade em um dia.

Desta vez, além dos preços não estarem baixos, Raimunda se surpreendeu com a quantidade de mercadorias chinesas presentes na maioria das lojas, que costumavam trabalhar com confecção própria.

“Vim pela variedade. Aqui encontramos tudo o que está na moda, mas essas roupas chinesas são todas iguais e de baixa qualidade”, diz.

A reclamação é praticamente uma unanimidade entre as consumidoras que passam pelos estabelecimentos do Brás e da rua José Paulino, no Bom Retiro.

"TUDO CARO"

Já Renata Araújo, 36 anos, enfermeira, riscou os presentes de Natal de sua lista de fim de ano. Este ano, apenas o filho Mateus Araújo, de 8 anos, vai ser presenteado na noite do próximo dia 24.

RENATA ARAÚJO E O FILHO ADIANTAM
A COMPRA DO UNIFORME NO BRÁS

Diferente da maioria, Renata foi ao Brás comprar roupas e sapatos para o menino com a primeira parcela do 13º salário que recebeu. A ideia era adiantar a compra de parte do uniforme do próximo ano.

De acordo com a enfermeira, os calçados infantis e as camisetas brancas de manga curta e longa solicitadas pela escola, costumam ficar mais caras em janeiro. No início de dezembro, o kit com cinco camisetas estava por R$ 35, na rua Maria Marcolina. No início deste ano, Renata pagou R$ 20 em cada peça.

A menos de dez quilômetros dali, nos Jardins, a região mais nobre de São Paulo, a expectativa para o Natal ainda é baixa. Poucas marcas citam a data em suas vitrines e as lojas ainda estão vazias.

Yanne Dias, 29 anos, gerente de uma loja de calçados da rua Oscar Freire, diz que a aposta dos lojistas se dá na semana que antecede o Natal. Além disso, neste ano, a comemoração cai numa segunda-feira e isso faz com que muitos consumidores deixem as compras para a última hora, ou seja, para o fim de semana que antecede a data. 

Para a fisioterapeuta Vanessa Satiko, 32 anos, que trabalha na região, a preocupação com a situação econômica do país ainda é grande e assim como ela, muita gente está preocupada em poupar.

No caso da fisioterapeuta, ela e o marido adiaram a viagem que fariam para o exterior em dezembro, como fazem todos os anos.

Decidiram conhecer as cidades históricas de Minas Gerais para enxugar o orçamento. Em vez de gastar R$ 30 mil indo para a Europa, vão gastar R$ 6 mil com um roteiro nacional.

Em contrapartida, ela não deixará de se presentear neste Natal. A bolsa importada que compraria na Itália, provavelmente será adquirida ali mesmo, nos Jardins.

PARA IRENE, CONSUMIDORES DA
OSCAR FREIRE SÓ QUEREM PASSEAR

“Por até R$ 1 mil consigo encontrar algo bacana por aqui (Oscar Freire)”, diz.

Moradora dos Jardins há 35 anos, Irene Couto, artista plástica, ainda está fazendo contas para as compras de Natal. A seu ver, quem circula pelas ruas da região está mais disposto a passear do que consumir.

Em 2016, ela gastou cerca de R$ 200 com cada presente que comprou. Neste ano, a prioridade será dos netos. O restante deve ganhar uma lembrancinha, em torno de R$ 80 e R$ 100.

Mesmo assim, Viviane Ortiz, gerente de uma joalheria da Oscar Freire, acredita que o desânimo dos consumidores pode ser revertido em dias próximos às comemorações do Natal.

Tudo depende das condições que as lojas oferecem. De acordo com Viviane, para os consumidores do endereço mais nobre de São Paulo, os descontos para pagamentos à vista funcionam bem.

Outras ações relâmpagos como dar pingentes de brindes em compras acima de R$ 1 mil também costumam atrair a clientela.

“As pessoas só não querem uma coisa: fazer dívidas. Mas, comprar é um hobby”, diz.

Embora os indicadores econômicos mostrem uma retomada gradual da economia, os brasileiros ainda não sentiram grande diferença no bolso.

Mesmo com os consumidores receosos, o comércio está otimista. Após dois anos de queda, a expectativa é que 2017 tenha um aumento nas vendas de 5,2% em relação ao ano passado, a maior variação desde 2013, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Ao todo, o Natal deverá movimentar R$ 34,9 bilhões em todo o país.

*Com Agência Brasil

FOTOS: Mariana Missiaggia/Diário do Comércio