Negócios

Distribuidores da Brasil Kirin temem a Heineken


Pela rede de 12 fábricas e marcas como Schin, Devassa e Baden Baden, a holandesa Heineken vai pagar R$ 2,2 bilhões


  Por Estadão Conteúdo 14 de Fevereiro de 2017 às 09:31

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Os empresários envolvidos na distribuição das cervejas da Brasil Kirin estão apreensivos com o fato de a marca Schin passar para as mãos da Heineken.

A exemplo do que ocorreu com distribuidores da Antarctica na época da compra pela Ambev, a expectativa é que a multinacional passe a fazer a distribuição diretamente.

A Heineken confirmou nesta segunda-feira (13/02), a aquisição da Brasil Kirin numa transação que cria a segunda maior cervejaria em operação no Brasil.

Pela rede de 12 fábricas e marcas como Schin, Devassa e Baden Baden, a Heineken vai pagar R$ 2,2 bilhões, menos da metade dos cerca de R$ 6 bilhões investidos pela japonesa Kirin, em 2011, para adquirir a Schincariol.

A aquisição trás para a Heineken um ativo que, nas mãos dos japoneses da Kirin, vivia um processo de reestruturação. Apesar de a companhia ter informado que as vendas da Brasil Kirin cresceram em volume no último ano, o negócio não era rentável.

A Brasil Kirin reportou uma perda operacional antes de amortização no valor de R$ 262 milhões. Embora seja menor que a perda de R$ 322 milhões de 2015, o resultado aponta que a companhia não conseguiu equilibrar receitas e custos, mesmo tendo crescido as vendas em quantidade.

Analistas consideram que a Brasil Kirin vinha adotando uma política excessivamente agressiva de preços. Para crescer em vendas, barateou seus produtos num esforço para ganhar fatia de mercado num momento em que o setor de bebidas brasileiro sofreu em meio à inflação e deterioração do cenário de consumo no País.  

O esquema de distribuição da principal marca da Brasil Kirin não mudou quando o controle da empresa passou da Schincariol para a japonesa.

No entanto, nos últimos meses, os 180 distribuidores disseram que se sentiram prejudicados pela política de preços da companhia.

"O preço era mais baixo para o supermercado do que para nós. Então, isso deixou muita gente em más condições", disse um distribuidor. "Parecia que eles queriam que a gente deixasse o mercado."

O presidente da Brasil Kirin, André Salles, afirmou que a informação não procede e que "a rede de revendas é prioridade para Brasil Kirin, tendo os melhores preços dos produtos da companhia".

Já a Heineken disse que só vai pensar em como organizar a distribuição após a aprovação do negócio pelo Cade.