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Dia das Mães: otimismo com liquidações e vendas até domingo


Roupas e acessórios são os presentes mais procurados no Shopping Tatuapé e na Rua José Paulino, no Bom Retiro. Na foto, a enfermeira Markcimelen beija Rozinete, a "segunda mãe" na C&A


  Por Wladimir Miranda 12 de Maio de 2017 às 14:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


O fraco desempenho das vendas mudou a lógica do varejo nas liquidações. Elas começaram a ser feitas antes da data comemorativa do comércio e não depois, como era de costume.

Essa inversão começou no último Natal e ganhou adesão dos varejistas neste Dia das Mães. Questionadas, as redes varejistas não admitem que seja uma liquidação antecipada. Mas campanhas exibidas nesta semana mostram as ofertas como uma "liquidação".

A rede Ricardo Eletro, especializada em eletroeletrônicos, é uma das varejistas que admitem estar fazendo uma "liquidação de Dia das Mães". A rede encerra a liquidação exatamente no domingo. O desconto vai até 70%.

De acordo com a empresa, não é a primeira vez que é feita uma liquidação antes da data. E o objetivo da antecipação, segundo a companhia, é "proporcionar ao consumidor mais tempo para escolher e comprar produtos com preços melhores".

Já a rede de hipermercado Extra, do grupo GPA, programou para esta sexta-feira (12/05), uma versão reduzida da Black Friday, a liquidação que ocorre na última sexta-feira de novembro e envolve a loja toda. Batizada de Pink Friday, serão 300 itens em promoção e a campanha é só hoje nas lojas físicas: começa às 7h e vai até às 24h. O desconto é de até 50%.

"Não é liquidação. Negociamos os itens com os fornecedores seis meses atrás", afirma o gerente de marketing do Extra, Eandres Aguiar. Ele diz que é a primeira vez que o evento é feito e a expectativa é de que as vendas sejam apenas superadas pela sexta-feira da Black Friday, em novembro.

A Oppa, varejista de móveis e acessórios com 12 lojas físicas e comércio eletrônico, decidiu neste ano, pela primeira vez, fazer antes da data liquidação dos produtos com 50% de desconto.

"A intenção é estimular o consumo", diz Francesco Losurdo, diretor de marketing. Segundo ele, não se trata de uma liquidação. Mas a própria rede batizou o evento de "liquidação Mamma mia".

ATÉ NO DOMINGO

Confirmando as previsões das entidades ligadas ao comércio, os shoppings centers da cidade tiveram um aumento no movimento para as compras de presentes nas vésperas do Dia das Mães.

Na José Paulino, tradicional rua de comércio do Bom Retiro, na região central, os lojistas também têm motivos para festejar a data, que é a segunda preferida pelos consumidores, depois do Natal.

No Shopping Center Tatuapé, um dos mais populares da cidade, Jussara de Almeida Rosa, supervisora de vendas da C&A, rede especializada em moda, reuniu um grupo de 20 funcionárias para orientá-las para a jornada de muito trabalho que terão domingo.

A C&A costuma receber de 12 mil a 15 mil clientes por dia, de domingo a domingo. Mas para este Dia das Mães, a expectativa de Jussara é de que em torno de 20 mil pessoas entrarão na loja no sábado e no domingo em busca de presentes para as mães.

São os consumidores de última hora.

O tíquete médio de compras na C&A é de R$ 150,00. Trata-se de uma loja com perfil popular. Lá, o consumidor pode encontrar produtos com preços que variam de R$ 19,99 a R$ 129,00.

A enfermeira Markcimelen Monteiro Costa, 26 anos, moradora no bairro do Belém, na Zona Leste, não estava comprando para a mãe.

Ela contou que perguntou para a mãe o que gostaria de ganhar em seu dia.

“Ela disse que quer dinheiro, não presente”.

Então, Markcimelen, neta de portugueses, decidiu transferir o carinho e presentear quem nos últimos meses tem estado ao seu lado.

Nos bons e, principalmente, nos maus momentos. É com a vizinha Rozinete Silva Gomes, 54 anos, que ela divide suas confidências.

“Ela é a minha segunda mãe”, afirma.

“Gastei R$ 150,00 com presentes para ela. A Rozinete merece”, disse, dando um beijo carinhoso no rosto da amiga, como mostra a foto que abre esta reportagem.

Outra loja do Shopping Tatuapé com expectativa de boas vendas neste final de semana é a Prego, especializada em sapatos e bolsas femininas. Lá, o presente para as mães que mais sai é a sapatilha. É também o produto mais barato, ao preço de R$ 89,90.

A bota é a peça mais cara: custa R$ 389,90. O gasto médio dos clientes da Prego gira em torno de R$ 200,00.

“Pelo movimento, acho que o Dia das Mães deste ano será melhor do que o do ano passado. Normalmente costumamos fazer 50 vendas por dia. Hoje, já vendemos para mais de 100 clientes”, disse a gerente Taiane Zonta.

Na José Paulino, rua do Bom Retiro com enorme variedade de lojas de roupas de grife -  apesar das reclamações dos comerciantes em relação à falta de segurança, banheiros públicos e de lanchonetes -, os lojistas viviam a expectativa de boas vendas.

Ana Aparecida, gerente da Absolutti, tratava o Dia das Mães com otimismo. A loja, com espaço amplo, estava lotada de clientes. Contrastava com o que se via em outras unidades comerciais na mesma rua.

NA ABSOLUTTI, MÚSICA PARA ENTRETER OS CLIENTES

“Aqui, procuramos maneiras para atrair os clientes. Uma das saídas é ligar o aparelho de som bem alto. Está comprovado que a boa música chama o consumidor”, afirmou.

Os preços das roupas femininas variam de R$ 20,00 a R$ 380,00 na Absolutti, com o gasto médio por cliente de R$ 150,00.

O crescimento da procura por presentes, comprovado pelo reportagem, principalmente no Shopping Tatuapé, já havia sido previsto pela Associação Comercial de São Paulo – ACSP.

“As vendas deverão ficar no empate com o ano passado, com possibilidade de ligeira variação a depender de fatores como temperatura, atratividade das promoções e utilização das contas inativas do FGTS”, disse Alencar Burti, que preside a ACSP e a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo – Facesp.

*Com Estadão Conteúdo

FOTOS: Wladimir Miranda/Diário do Comércio