Negócios

Desconhecidas na capital, marcas criam impérios no interior


A família Savegnago (na foto) criou a maior rede de supermercados do interior de São Paulo. São mais de 30 lojas fixadas nas cidades de maior destaque econômico do Estado


  Por Mariana Missiaggia 21 de Janeiro de 2016 às 13:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


O alto índice de renda per capita, a boa infraestrutura, a presença de grandes universidades, e a importância do PIB levam Sandro Cimatii, sócio-diretor da CVA Solutions, a chamar o interior paulista de California brasileira. “É o único interior do Brasil que reúne essas características, e um mercado com potencial a ser explorado”, diz.

De acordo com Cimatti, a carência de alguns segmentos em cidades do interior favorece o nascimento e o crescimento de marcas que passam a desenvolver modelos competitivos e se tornam grandes sem nem mesmo chegarem às capitais.

Com o slogan "a rede forte do interior", a família Savegnago teve a sua primeira loja inaugurada em 1976, em Sertãozinho, a 400 quilômetros de São Paulo.

O pequeno mercado de 300 metros quadrados, comandado pelo patriarca Aparecido Savegnago e seus três filhos tinha apenas seis funcionários, e dois caixas, onde até hoje funciona um dos supermercados da rede. 

CHALIM, REPRESENTANTE DA SEGUNDA GERAÇÃO DOS SAVEGNAGO

“Meu pai quis colocar os três filhos como sócios. Eu era o mais novo, tinha apenas 17 anos e tive de ser emancipado para ser o quarto sócio a ter 25% do negócio”, diz Sebastião Edson Savegnago, o Chalim (entre os filhos na foto de abertura desta reportagem), que hoje administra o grupo em sociedade com o irmão Antônio Savegnago, responsável pela parte comercial, além dos filhos e sobrinhos.

Mesmo com um mercado modesto, a marca foi crescendo. Em 1979, foram abertas três filiais com os recursos disponíveis na época.

Aos poucos, a família cravou a marca de cinco lojas apenas em Sertãozinho. Foi então que decidiu que já havia crescido o suficiente em uma mesma cidade, e estava pronta para novos desafios.

“Pensamos bastante antes de ir para Ribeirão Preto, pois a cidade sempre teve um mercado muito competitivo.”

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SÓ NO INTERIOR

Em 1988, surgiu a sexta loja da rede. O resultado da operação deu a segurança que a família precisava para alçar novos voos, chegando a novas cidades como Jardinópolis, Franca, Barretos, Bebedouro, Araraquara, e muitas outras.

Todas em um raio máximo de 150 quilômetros de distância da matriz, em Sertãozinho para garantir a qualidade de todos os produtos.

“Fomos percebendo o que era importante, e fidelizamos a nossa clientela. Melhoramos a estrutura das lojas, priorizamos o custo-benefício, e acreditamos em calor humano. Somos do interior, e valorizamos um atendimento cortês”, diz.

Com 32 supermercados, quatro postos de gasolina e um centro de distribuição de 24.400 metros quadrados, que movimenta cerca de 65 mil caixas de produtos por dia, gerando mais de seis mil empregos em 11 cidades da região da Ribeirão Preto, Chalim afirma que, decididamente, o negócio dos Savegnago é o interior. 

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De acordo com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), esses números levaram os Savegnago a se tornar a 15º maior rede de supermercados do País, a sétima no Estado, e a maior do interior.

SAVEGNAGO DE ARARAQUARA

Em ano recessivo, a expectativa para esse ano é inaugurar cinco novas lojas, e aumentar o faturamento da rede em 19%, em relação a 2015, chegando a um faturamento de R$ 2,5 bilhões.

Além de prometer preço e qualidade, Chalim afirma que uma das fórmulas de sucesso da rede consiste em dar ao cliente o que ele quer, e incluindo marcas regionais no mix de produtos.

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“Os concorrentes querem impor marcas da capital, e saem em desvantagem”, avalia Chalim. Ele também destaca outras facilidades da rede, como o serviço de entrega, o Savegnago on-line, a campanha de pontos de fidelização, um cartão próprio para parcelamentos, além do recém-lançado serviço de self-checkout, que permite aos clientes passarem e pagarem suas compras sem passar pelo caixa e enfrentar filas com poucos itens no carrinho.  

MOUSSE CAKE

Assim como tantas outras marcas, a Mousse Cake nasceu da inspiração de receitas familiares. Osvaldo Amaral, sócio-proprietário da rede, vendeu sobremesas feitas com as receitas de sua mãe durante 15 anos para uma doceria. Em 2005, o projeto de Amaral se materializou em Ribeirão Preto com a abertura do primeiro restaurante.

Com uma proposta bem distante das famosas redes de fast food, a Mousse Cake chegou a marca de 17 restaurantes com um formato diferenciado para os consumidores do interior. Habituados com grandes restaurantes de comida caseira, a Mousse Cake foi pioneira em inaugurar um espaço que reunia boa gastronomia a um ambiente acolhedor.

LOJA DA MOUSSE CAKE, EM RIBEIRÃO PRETO

“Optamos por um espaço receptivo e contemporâneo. Algo completo que estivesse atento às tendências de mercado, à arquitetura, na composição dos ambientes, na decoração, no cardápio e nos demais detalhes”, diz Camila Zuccolotto Rodrigues, diretora executiva da rede Mousse Cake. 

O sucesso da primeira loja contribuiu para a segunda inauguração em menos de um ano. Em 2008, o interesse de investidores fez com que a marca entrasse para o mercado de franquias e inaugurasse mais quatro lojas em menos de 40 dias. 

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Com sete restaurantes, Ribeirão Preto detém o maior resultado da rede. Segundo afirma Camila, o interesse de investidores pela cidade de Ribeirão Preto viabilizou uma boa estrutura operacional e logística para que a marca executasse projetos maiores, como a abertura de lojas em capitais. Toda a pré-produção dos produtos é feita na cozinha central e entregue semanalmente em todas as lojas. 

“Não abrimos o faturamento, mas mesmo em um ano conturbado economicamente, continuamos investindo para garantir o crescimento da rede.” “Em 2015 abrimos duas novas lojas, em 2016 abriremos mais duas no primeiro bimestre e já fechamos contrato para abertura de loja em Viracopos”, diz. 

CAPITAL X INTERIOR

Muito procurada por shoppings de capitais, a Mousse Cake levou anos para considerar a possibilidade de expandir para fora do interior paulista. “É um público diferente. No interior, o mercado está mais aberto, a renda per capta da população é alta e a aceitação da marca pelo público é muito grande”, diz.

CAMILA, DA MOUSSE CAKE

Após dez anos de operações, a marca inaugurou sua primeira loja em uma capital, em setembro do ano passado, em Goiânia. De acordo com Camila, além de apresentar um público mais exigente, os restaurantes das capitais dispõem de uma gama maior de opções de cafés e restaurantes tornando o mercado mais competitivo.

Neste mês, a rede inaugura a sua primeira loja na cidade de São Paulo, no Shopping Anália Franco, do grupo Multiplan. “Estamos sendo procurados por diversos shoppings, mas antes queremos nos estruturar operacionalmente para uma responsabilidade como essa”, diz.

“Queremos fazer a diferença em qualidade, serviço, localização e tamanho de loja. E com a evolução da loja, podemos adotar ações diferenciadas para atender as exigências do público local”.