Negócios

Delivery em shoppings: a carta na manga das redes de alimentação


Em vez de esvaziar atividades do setor, aplicativos estimulam marcas a investirem em sistemas de entrega próprios ou terceirizados para suprir a demanda e aumentar os lucros - caso da rede Patroni (acima)


  Por Redação DC 11 de Novembro de 2019 às 07:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Considerada uma das maiores redes de pizzarias do Brasil, a Patroni, que começou suas atividades nos anos 1980, enxergou  no delivery um de seus trunfos para a conquista de uma boa fatia no mercado. Com o passar dos anos, porém, a empresa deixou de oferecer o serviço.

Mas agora, devido ao crescimento da demanda pela entrega de pizza em domicílio, retomou o delivery, e a medida já gerou incremento médio de 20% no faturamento de suas 190 lojas - a maioria em praças de alimentação de shopping.

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“O crescimento do delivery hoje representa a mudança no perfil de comportamento social especialmente nos grandes centros, e tende a se manter nesta dinâmica por alguns anos”, afirma Rafael Augusto, diretor de Marketing da rede.

Nesta esteira, segundo Augusto, as vendas online são a solução para aumento do faturamento da Patroni, "preenchendo o gap de resultado que se deu com a queda de fluxo noturno nos últimos anos”, completa.

Esse movimento é mais um reflexo que acontece nesses locais, que deixaram de ser meros centros de compras para se transformarem num centro de conveniências para atender à nova jornada no consumidor, que procura hiperconveniência, ao integrar o varejo on e offline, aliado aos aplicativos de entrega - especialmente de comida. 

Um exemplo recente disso, anunciado em abril último, foi o investimento de mais de R$ 12 milhões que a Multiplan desembolsou para comprar 18,79% da Delivery Center, empresa de entregas que criou um trabalho de integração de marketplaces - várias lojas num mesmo ambiente online - que permite usar shoppings como centros de distribuição

A empresa seguiu os passos da concorrente BR Malls, que já era sócia da startup Delivery Center desde maio de 2018. Apenas em seu Shopping Tijuca, na capital fluminenses, o serviço gerou aumento de 17% nas vendas totais. Mas só a entrega de comida foi a responsável por aumentar esse número em 13%.

DELIVERY CENTER: SHOPPINGS VIRAM MINICENTROS DE DISTRIBUIÇÃO

Interessante para o lojista - em especial, os pequenos - sistemas como o do Delivery Center, que consistem em um contêiner no estacionamento dos shoppings, com motoboys pagos pela companhia, processando os pedidos feitos às lojas dos shoppings -, também entregam pedidos feitos por plataformas como Rappi, iFood e Uber Eats. 

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A startup Rappi, por sua vez, fechou nesse ano uma parceria com o grupo Sonae Sierra Brasil para a criação de bases em seis de seus shoppings. O projeto-piloto conta com a adesão de marcas internacionais que possuem estabelecimentos nos shoppings do grupo, como McDonald’s e Starbucks. 

UNIÃO QUE FAZ A FORÇA  

Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apontam que o sistema de entrega de comida movimenta cerca de R$ 10 bilhões anualmente no país. 

Contrariando previsões que apontavam para o esvaziamento das atividades das empresas baseadas em praças de alimentação de shoppings em razão do boom dos apps, o que acontece é exatamente o oposto, conforme disse Augusto, da Patroni. Ou seja, mais e mais empresas baseadas nesses centros comerciais vêm investindo em sistemas de delivery próprio ou terceirizado para suprir a demanda dos consumidores.

"O avanço do comércio online não é ameaça, mas oportunidade para o shopping assumir novas funções", afirma Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). 

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No caso da Patroni, como parte da estratégia de retomada do serviço, a rede firmou parceria com o iFood. “O iFood é o principal elo entre nós e os clientes para buscar a venda adicional em nossas operações”, afirma Rafael Augusto.

E com outra vantagem, segundo Augusto. "Trabalharmos com a pizza artesanal – item principal de vendas em delivery. O serviço é, portanto, a estratégia que nos descola da média de vendas do mercado."

Revolucionar o universo da alimentação com praticidade é propósito do iFood, segundo Leandro Mendes, executivo de clientes-chave do aplicativo. "Contamos com parceiros exclusivos que nos ajudam a fazer esse sonho se tornar realidade", afirma. “Com sua abrangência nacional, a rede Patroni nos permite estar, juntos, em todo o território nacional, proporcionando a melhor experiência de delivery para os clientes.” Mercado é o que não falta. 

FOTO: Cadu Nickel (abertura) / Divulgação





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