Negócios

De vendedor de sorvetes a realizador de sonhos


Ainda criança, o empreendedor Cassio Santos vendia sorvetes pelas ruas do Capão Redondo, na Zona Sul paulistana. Hoje é um dos sócios da Sweet Hair, fabricante paulista de produtos para cabelo


  Por Wladimir Miranda 02 de Dezembro de 2016 às 13:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


“Somos uma fábrica de sonhos”. O slogan está espalhado pelos vários departamentos da Sweet Hair, no bairro do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo.

O salão, que passa por reformas, é peça fundamental na estratégia de marketing de unir a produção e exposição de produtos para os profissionais da arte de transformar sonhos em realidade.

A fabricante paulista de produtos para cabelo é um exemplo de sucesso de vendas em meio à crise.

Fundada em 2011, com um capital inicial de R$ 100 mil, a “fábrica de sonhos” planeja fechar 2016 com faturamento de R$ 30 milhões.

E, se as vendas seguirem subindo, não será surpresa para os três sócios do negócio que este valor dobre em 2017.

Hoje, segundo afirmam, alguns dos 110 produtos do portfólio da marca são exportados para mais de 50 países.

Uma fusão com uma companhia controlada pelo fundo alemão Metropolis Capital Markets chegou a ser anunciada, no início do ano passado, mas a negociação acabou não se materializando

O que despertou interesse do fundo: o Brasil é atualmente o segundo maior mercado do mundo em produtos para cabelos com perspectiva de tornar-se, em breve, o maior mercado mundial para beleza e produtos pessoais.

A fábrica e o centro de pesquisa e desenvolvimento dos xampus –a estrela da companhia é o The First -, estão centralizados em São Mateus, também na Zona Leste, construída numa área de 3 mil metros quadrados.

Os investimentos para tornar os produtos conhecidos no país e no exterior estão sendo feitos em ritmo acelerado. Foram injetados R$ 5,7 milhões na abertura de postos de vendas e exposição.

Esses espaços vão funcionar como pontos de distribuição. Também vão garantir a presença de todos os produtos da empresa nos salões de beleza.

A partir de março de 2017, a marca estará presente no mercado europeu. No Brasil, a Sweet Hair aderiu ao sistema de franchising, e possui sete unidades franqueadas atualmente no país.

No Tatuapé, além do salão, direcionado para o atendimento e consultoria financeira dos clientes da área, funcionam os departamentos de administração, marketing e financeiro, reunindo 50 funcionários.

Cassio Santos, de 39 anos, divide a gestão da empresa com outros dois sócios: Paulo Kazaks e Gerson Ferreira.

Para ele, o slogan da empresa é fiel ao objetivo da marca. “A Sweet Hair é muito mais do que uma indústria química, é, realmente uma fábrica de sonhos”.

Foto: Loja franqueada Panamby, no Morumbi

Mineiro de Teófilo Otoni, Santos veio para São Paulo com a família, o pai, a mãe e cinco irmãos ainda bebê. Foram morar no Capão Redondo,

Zona Sul da cidade. Empreendedor precoce, aos sete anos foi procurar alguma coisa para fazer na vida. Vendeu sorvetes pelas ruas do bairro.

Concluído o ensino médio, fez curso de contabilidade e faculdades de administração de empresas e farmácia. Sem nenhuma vocação para ser empregado, montou uma pequena fábrica de sabonete artesanal na garagem de casa.

Montou, junto com um colega desempregado, uma loja para revender os produtos, que na época já não eram apenas sabonetes. Cassio já fabricava também hidratantes, sabonetes líquidos, perfumes e sais de banho.

O colega desempregado decidiu sair do negócio. Ousado, Santos juntou R$ 70 mil, que era tudo que tinha economizado com as vendas dos produtos artesanais, e investiu na compra de uma fábrica em Itapecerica da Serra, município da Zona Sul.

“Pronto, tinha um negócio próprio”, lembra

Em abril de 2011, ele conheceu Paulo Kazaks e Gerson Ferreira, que o convidaram para se juntar à Sweet Hair, na época uma ainda embrionária fabricante de shampoos, condicionadores e máscaras de coloração. “Investi R$ 30 mil para entrar na sociedade”, diz.

Santos herdou o espírito inquieto do pai, que não se conformou em ser operário e foi ser dono de restaurante, depois de se aventurar, sem sucesso, no ramo imobiliário.

“Sou muito feliz com o que faço. O importante é não desistir de tentar. A satisfação é encontrar pessoas na rua com a sacola da nossa empresa na mão”, afirma.

Santos não se limita a gerir a empresa e desfrutar de seus lucros no fim do mês. Diz que também coloca a mão na massa. Conta com orgulho uma experiência que teve em um salão de beleza no Chile.

“Uma chilena estava desanimada. Depois de várias horas no salão, não conseguia mudar seu visual. Fiz o que pude para mudar o aspecto de seu cabelo. À noite, conseguimos fazer a transformação que ela desejava. É gratificante melhorar a autoestima das pessoas”, afirma.

TRANSFORMAÇÕES: ANTES E DEPOIS

O assunto faz Cassio ficar empolgado.

“Costumamos dizer que as mulheres demoram muito tempo para se arrumar para sair. E a maior parte do tempo, posso garantir, elas gastam ajeitando o cabelo. Sempre foi assim”, afirma ele.

Com uma equipe de 30 pesquisadores, composta por engenheiros químicos, a Sweet Hair coloca produtos no mercado que se destacam por serem de múltipla ação.

Tem o shampoo que também é removedor de maquiagem e o condicionador que faz as vezes de creme para o corpo.

Os marmanjos não precisam ficar enciumados. Produtos como o shampoo e condicionador da marca Barbados foram criados para eles, com muito sucesso. Em tempos de barbas imensas, o Barbados pode ser utilizado no cabelo e na barba.

FOTOS: Divulgação