Negócios

De sargento da Aeronáutica a empreendedor milionário


Renato Saraiva, fundador da Cers, investiu no primeiro negócio tudo o que ganhou na vida profissional. Acertou na segunda vez e hoje tem 120 mil alunos e 27 estúdios espalhados pelo Brasil


  Por Mariana Missiaggia 08 de Agosto de 2016 às 13:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Carioca e filho de bancário, Renato Saraiva cresceu ouvindo o pai dizer que estudar era a única maneira de mudar de vida. Durante o evento Day One, que reúne ícones do empreendedorismo, promovido pela Endeavor, o empresário de 46 anos falou sobre a sua grande realização – a fundação da Cers Cursos Online, uma plataforma online que oferece cursos preparatórios para a carreira jurídica, que faturou R$ 70 milhões em 2015. 

Todos os dias, Saraiva caminhava três quilômetros para ir à escola em Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Durante uma dessas caminhadas, viu uma faixa que dizia: “Seja um sargento da Aeronáutica”. 

Na época, ele estava prestes a concluir o ensino médio. Parou no orelhão mais próximo para saber o que era preciso para se candidatar à vaga.

Tratava-se, na verdade, do anúncio de um curso preparatório para um concurso público. Sem condições financeiras para arcar com as despesas, seu pai vendeu as férias para que Saraiva frequentasse as aulas durante seis meses.

Ainda adolescente, ele estudava 14 horas por dia para ser aprovado no concurso. Passou em quinto lugar e fez carreira na escola militar em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. 

Com o salário de sargento, bancou a faculdade de direito. Em 2001, outro concurso rendeu o cargo de procurador do trabalho e uma mudança para Recife, onde também se tornou professor.

Além de acumular dois empregos, Saraiva começou a dar palestras e escreveu sete livros. Seis anos depois, tinha conquistado todos os bens materiais que desejava. Só faltava uma coisa: empreender.

O negócio imaginado por Saraiva era montar uma escola preparatória para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com professores qualificados e recebendo bons salários. No final de 2008, ele encontrou o prédio perfeito para colocar seu plano em ação. 

Juntou R$ 1 milhão ao vender tudo o que tinha. “Passei a andar a pé", conta. "Fiquei apenas com um apartamento recém-comprado, que nem mobília tinha. Eu e minha esposa dormíamos num colchão no chão."

Um ano depois, todas as projeções do empresário estavam fracassadas. Saraiva estava falido e não tinha nem como pagar o 13º salário dos professores. Os resultados do negócio não foram suficientes para sustentar tamanho investimento.  

ENSINO À DISTÂNCIA

Foi então que uma professora sugeriu a Saraiva para investir em uma plataforma online de ensino à distância. Sem referência, tudo o que tinha era uma câmera e dois eletricistas, que encontrou fazendo uma pequena reforma no prédio.

“Perguntei se eles queriam brincar de cinegrafista", relembra Saraiva. Hoje, os dois ocupam cargos de gestores na Cers.

Em menos de um ano, Saraiva atingiu o faturamento de R$ 1 milhão e o Cers se tornou a maior instituição brasileira de ensino à distância na área jurídica. 

Entre os atrativos do negócio, Saraiva implantou uma política de remuneração diferenciada. Os professores não recebem por hora-aula e sim por participação nos lucros - 30% do que entra é dividido proporcionalmente ao número de aulas dadas. 

Na lista de docentes, estão juízes e promotores de vários estados do Brasil, onde Saraiva montou estúdios de gravação, como Salvador e Rio de Janeiro. No total, são 27 estúdios espalhados pelo país. 

Com 120 mil alunos, o faturamento da empresa fechou em R$ 70 milhões em 2015. Só no primeiro semestre deste ano, o crescimento foi de 25%.  

Em outubro de 2015, a instituição iniciou a expansão pelo modelo de franquias, somente com aulas presenciais. Em menos de 24 horas, apareceram dois mil candidatos a franqueado.

Com esse novo movimento, a Cers deve fechar 2016 com 50 unidades. A expectativa é chegar a 500 até 2020. 

FOTO: Divulgação