Negócios

Crise leva o restaurante Leopolldo a fechar por dois meses


Queda de 30% no movimento e aumentos de custos levam os sócios a reavaliar o negócio. “Ninguém faz festa na crise”, diz Francisco Cruz Lima, um dos donos


  Por Fátima Fernandes 13 de Agosto de 2015 às 08:00

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


Criado há 25 anos com o propósito de atender a elite paulistana, o restaurante Leopolldo, localizado no coração da avenida Faria Lima, está fechado. Aumentos de custos e queda de 30% no movimento levaram os sócios a fechar temporariamente o restaurante, em julho e neste mês, para avaliação do negócio.

Dois espaços para a realização de eventos sociais e corporativos do grupo Leopolldo, um instalado ao lado do restaurante, na avenida Faria Lima, e outro na rua Tabapuã, no Itaim, vão funcionar até o final do ano. A agenda de serviços para 2016 está fechada.

“O momento é de precaução. Não queremos marcar eventos para o ano que vem e, depois, ter surpresas. Quando o cenário econômico ficar mais claro, vamos ver qual será o caminho mais viável para o negócio”, afirma Francisco Cruz Lima, um dos sócios do Leopolldo.

De abril a junho, o movimento em bares e restaurantes na capital paulista caiu 8% em relação ao primeiro trimestre deste ano e 13% na comparação com igual período de 2014, segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes SP (Abrasel - SP).

O grupo Leopolldo nasceu da paixão de quatro sócios (Fracisco Cruz Lima, Fernando Dhelomme, Jorge Elias e Giancarlo Bolla, morto no ano passado) por culinária. O objetivo deles sempre foi o de oferecer cardápios inovadores, com a melhor qualidade, em um ambiente agradável e bem decorado.

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O grupo também administrou durante 20 anos o Bar des Arts, no Itaim, que fechou no ano passado. O imóvel era alugado. No local será erguido um edifício.

Há cerca de três meses os sócios vinham estudando o fechamento temporário do Leopolldo. “Não foi uma decisão fácil. Não há clima para festa com todo este desânimo no país.”

ALTA DE CUSTOS

Os custos para tocar o restaurante e o serviço de bufê aumentaram demais, diz ele, e está difícil repassar essas altas para os clientes. “Os eventos são marcados, às vezes, com um ano de antecedência. Como calcular o valor final do serviço, sem corrermos um grande risco? Não há controle, não há visão para o médio e para o longo prazo.”

O segundo semestre, tradicionalmente, diz ele, é melhor para o setor de eventos, por isso os sócios decidiram aguardar um pouco mais antes de tomar uma decisão definitiva.

Os dois espaços dedicados a eventos, com capacidade para servir até 700 pessoas, somam pouco mais de 2 mil metros quadrados, e sempre foram os mais disputados em São Paulo. O grupo chegou a ter 180 funcionários.

EXPERTISE

“Nós não vamos fechar o bufê, pois temos estrutura e expertise neste negócio”, afirma Cruz Lima. Pode ser que o Leopolldo volte a realizar eventos em outros endereços, que estão sendo avaliados. “Neste momento, estamos lidando com o encolhimento, reavaliando procedimentos, mercado e salários”, diz.

Cruz Lima diz que o mercado de eventos está em transformação e é muito mais disputado do que há alguns anos. “Os eventos agora são, em sua maioria, menores, e existe uma grande disponibilidade de locais que antes não havia. A qualidade, porém, está em decadência. Muitos bufês, para fechar um evento, acabam cobrando um valor em que a conta não fecha para a empresa”, diz.

Por conta da crise, a Abrasel - SP tem sugerido aos empresários o corte de custos, a realização de ações contra o desperdício e a burocracia, a negociação com fornecedores, a informatização das operações, o aperfeiçoamento da gestão administrativa, financeira e de pessoal, além de ações de marketing mais agressivas.

O que levaria o grupo a voltar a operar o restaurante e o bufê? “Uma visão mais segura do futuro”, diz Cruz Lima.