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Crise afasta consumidor e derruba vendas do varejo


O comércio da cidade de São Paulo acumulou queda de 14,1% nas vendas no primeiro trimestre. O consumo é afetado pela falta de confiança do consumidor, diz Alencar Burti, presidente da ACSP


  Por Renato Carbonari Ibelli 01 de Abril de 2016 às 18:43

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As vendas do varejo da capital paulista recuaram 14% no primeiro trimestre do ano, segundo dados do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A crise no varejo se aprofunda desde 2015, quando as vendas do setor fecharam negativas em 8%. Mas a queda se acentuou desde então, e tem pressionado muito o comerciante em 2016. 

Segundo Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), os números já eram esperados. "A crise do comércio se aprofundou em função da piora dos indicadores macroeconômicos. Os trabalhadores estão inseguros, e isto os afasta do consumo", diz Burti.

Os fatores que derrubam as vendas são recorrentes: a renda em queda, o desemprego subindo, os juros estão altos e o crédito ficou restrito. Tudo isso afeta profundamente a confiança do consumidor

“Tem muita gente com medo de perder o emprego e isso inibe os gastos que não são extremamente necessários”, diz Emílio Alfieri, economista da ACSP.

Desmembrando os números da Associação Comercial observa-se que, no primeiro trimestre, a queda foi mais forte para as vendas à vista, que recuaram 17%. Já as vendas a prazo caíram 11,2%. A média desses dois segmentos resulta na queda de 14,1% para as vendas do trimestre.

Segundo Alfieri, as vendas a prazo foram afetadas com a restrição do crédito, mas o varejo em geral ressente da ausência dos consumidores. “As lojas de vestuário, que costumam vender à vista, estão passando por dificuldades. Muitas estão fechando”, diz o economista da ACSP.

Em março, comparado com igual mês do ano passado, as vendas do varejo paulistano tiveram um tombo médio de 14,5%. 

Já na comparação com fevereiro deste ano, março apresentou altas de 17,7% (a prazo) e 9,9% (à vista). Mas Alfieri lembra que essas elevações são meramente sazonais. Além de ter tido dois dias úteis a menos que março, fevereiro é um mês tradicionalmente fraco para o comércio varejista em decorrência do Carnaval e da baixa atividade de compras na cidade, com muitos consumidores de férias, explicou o economista.

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