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Criador do Big X Picanha agora investe em comida baiana


Foi por acaso que Exupério Silva Neto, o Zupa, (foto), criou o sanduíche de picanha filetada, que virou uma franquia e é sucesso em todo o Brasil. Seus novos investimentos são o Consulado da Bahia e o Baiano de Dois


  Por Wladimir Miranda 06 de Fevereiro de 2019 às 10:23

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Baiano de Vitória da Conquista, 61 anos, Zupa circula pelas mesas do Baiano de Dois, restaurante e bar da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, na Zona Oeste paulistana, com desenvoltura e simpatia.

Quem não o conhece, não diz que ele é o dono. Não só da casa, especializada em frutos do mar e tudo que se relaciona à cozinha baiana, mas do Consulado da Bahia, também em Pinheiros, e do Big X Picanha, hoje com com 40 unidades, sendo 37 no sistema de franquias, em vários estados do Brasil.

RESTAURANTE BAIANO DE DOIS, EM PINHEIROS

Exupério Silva Neto divide com um grupo de mais cinco pessoas o comando das três marcas. Hoje o interessado em abrir uma franquia do Big X Picanha vai ter de desembolsar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, dependendo do lugar. E nesta quantia não está incluído valor do ponto.

O lanche que deu origem ao Big X Picanha nasceu por acaso. Aos 23 anos, Zupa resolveu deixar Vitória da Conquista, onde já havia trabalhado no ramo de comércio eletrônico, como o pai, para encontrar uma antiga namorada que havia se mudado para Curitiba (PR).

Na capital paranaense, ele tinha um primo que era dono de um pequeno bar, que servia um sanduíche de calabresa fatiada, grande sucesso na cidade.

Um dia, Zupa foi visitar o primo e levou com ele um quilo de picanha. E fez o pedido para que Valdo fizesse um sanduíche de picanha. Sugeriu que o lanche fosse feito também filetado, do mesmo jeito do lanche de calabresa.

“Os ingredientes (queijo, sal no ponto, e vinagrete no pão), eram os mesmos, a única diferença era a picanha no lugar da calabresa. Comemos e voltei nos três dias seguintes para comer mais”, contou.

O primo ficou entusiasmado. “Vamos colocar este lanche no cardápio da casa. Ficou bom demais”.

Zupa e Valdo, viraram sócios no novo negócio. Valdo X Picanha. O lanche caiu nas graças da clientela de Curitiba e virou mania na cidade. Chegava a vender três mil sanduíches por dia.

Quando a casa deslanchou, Zupa decidiu voltar para a Bahia, mas desta vez para Salvador, não mais para a sua cidade natal, Vitória da Conquista.

Na capital baiana, voltou a trabalhar no ramo de comércio eletrônico. Havia ficado 16 anos em Curitiba, onde era dono de uma pequena loja de agulhas para equipamentos musicais.

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Na juventude, em Vitória da Conquista, tinha vendido carros. Ou seja, o empreendedorismo estava na veia.

Ele decidiu abrir uma loja para vender agulhas para toca-discos em Curitiba após perceber que atendia, no mínimo, dez pessoas por dia que queriam saber onde vendiam o produto. “Pensei: aí está a oportunidade. Vou abrir uma loja para vender agulhas. E abriu”.

Depois, passou por outros negócios, chegou a ser gerente da Gradiente.

O primo Valdo seguiu em Curitiba com o seu negócio de picanha filetada. Zupa achava que não havia nascido para ser dono de bar ou restaurante, negócios que exigem tempo integral de seus proprietários, sem finais de semanas, sem feriados.

“Não era isto o que eu queria para mim”, pensava.

Em Salvador, conquistou prestígio como gerente da Gradiente. Veio então o convite para se mudar para São Paulo. Aqui, continuaria como gerente da empresa, agora para todo o Brasil. Salvador ficou para trás.

Zupa estava, pela primeira vez, em São Paulo. O ano era 1999. À noite, Zupa andava pela cidade. Observou que a cidade era desprovida de lanchonetes.

Foi quando lembrou-se do sanduíche de picanha filetada que havia comido junto com o primo em Curitiba e do sucesso que o negócio produziu.

Viajou a Curitiba e convidou o primo a ser seu sócio no negócio que pretendia abrir em São Paulo. Seria, claro, uma lanchonete especializada em sanduíches de picanha em fatias.

No início, Valdo topou a sociedade. Mas, depois, mudou de ideia. Para concretizar o projeto, Zupa teria de abrir o negócio sozinho. E foi o que ele fez. Alguém lhe deu a ideia de colocar na nova casa o nome de Big X Picanha.

LANCHE GIGANTE

Afinal, trata-se de um lanche gigante, que leva 170 gramas de picanha, 50 de queijo, 60 de vinagrete, 30 de maionese. A primeira unidade da Big X Picanha foi aberta na Av. Henrique Schaumann, em Pinheiros.

A casa, inaugurada no início de 2000, demorou um pouco para engrenar. Quando caiu no gosto da clientela, passou a vender cinco mil sanduíches por dia. Na época, cada lanche custava R$ 7,90. Hoje, com o Big X Picanha sedimentado e concorrendo em pé de igualdade com as grandes casas do ramo do país, o lanche custa R$ 39,00.

“Quando o lanche ficou conhecido em São Paulo era uma loucura. Eu chegava a ficar mais de dez horas na cozinha para ajudar”, conta.

No apogeu do sanduíche, Zupa percebeu que havia uma sobra diária de picanha dura, que não era utilizada na confecção do Big X Picanha. Foi quando ele criou o hambúrguer de picanha.

“Eu posso dizer que criei o hambúrguer de picanha. Hoje é sucesso em todo o Brasil. O Bobs lançou, a Perdigão também. O hambúrguer de picanha começou a chamar a atenção. Mas a invenção é minha”, afirma.

Pronto, havia chegado o momento de Zupa colocar um ponto final ao ramo de eletrônica. A gastronomia havia entrado definitivamente em sua vida. E a resistência que tinha em trabalhar nos finais de semana e feriados não existia mais.

“Hoje eu não tenho finais de semana e muito menos feriados prolongados. Estes dias exigem a minha presença aqui”, avisa ele, que agora investe tempo e dinheiro na consolidação da Baiano de Dois, a casa que abriu na Praça Benedito Calixto para dar continuidade à linha de comida baiana iniciada com a inauguração do Consulado da Bahia.

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CONSULADO DA BAHIA: UM DOS NOVOS INVESTIMENTOS

O Big X Picanha tem unidades em cidades do Norte e Nordeste, além de São Paulo e Paraná.

O cardápio do Baiano de Dois segue a linha do Consulado da Bahia. O forte da casa são os frutos do mar. Lagosta, camarão, lula, cinco tipos de peixe, muqueca, grelhados.

O acarajé, a unidade, fica em torno de R$ 17,00. O prato de Baião de dois, para duas pessoas, sai por R$ 79,00.
Zupa diz que o seu faturamento total, das três casas e mais o valor que entra para adquirir franquias da Big X Picanha, chega a R$ 5 milhões mensais.

“Mas investimos tudo que ganhamos nos próprios negócios. A gente investe tudo o que ganha”, diz.

E Zupa faz questão de ressaltar que ele e seus sócios nunca tiveram de apelar para empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES. 

"O BNDES é uma saída para poucos. Preferimos utilizar nossos próprios recursos", diz.

O período anual de descanso de Zupa resume-se à duas semanas. “Reservo uma semana para passear por aí, normalmente de navio, e para visitar parentes na Bahia. Adoro meus parentes”, conta.

Dos sócios dos três empreendimentos, somente o Zupa participa do dia a dia das empresas. Ele diz que gosta do contato com os clientes e os funcionários.

O fato de participar ativamente da rotina do serviço, o ajuda na escolha dos melhores ingredientes na cozinha.
“Conheço o preço e a qualidade de todos os produtos, dos diversos tipos de camarão, por exemplo. Faço isto com satisfação”, avisa ele.

Para abrir a primeira unidade da Big X Picanha, Zupa e seus sócios investiram R$ 422 mil. Grande parte da quantia foi gasta na reforma da loja.

 

FOTOS: Divulgação