Negócios

Cresce intenção de compra parcelada entre os paulistanos


Índice de Intenção de Financiamento subiu pelo segundo mês consecutivo, ao passar de 40,3 pontos em julho para 43,3 pontos em agosto, alta de 7,6%, de acordo com a FecomercioSP


  Por Redação DC 27 de Agosto de 2018 às 10:52

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Passados os efeitos negativos da paralisação dos caminhoneiros, há sinais de melhoria tênue ou ao menos de encerramento do processo de deterioração da confiança dos consumidores paulistanos.

Com isso, o Índice de Intenção de Financiamento subiu pelo segundo mês consecutivo, ao passar de 40,3 pontos em julho para 43,3 pontos em agosto, alta de 7,6%.

É o que mostra a Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

De acordo com a assessoria econômica da entidade, isso significa que a parcela de paulistanos que declararam ter a intenção de comprar um produto com pagamento parcelado ou financiado foi de 20,8%.

O cenário na segurança de crédito – ou seja, a parcela de consumidores com alguma reserva financeira – se deteriorou pelo terceiro mês consecutivo.

O índice geral caiu 0,6%, ao passar de 78 pontos em julho para 77,5 pontos em agosto, motivado pelo recuo na segurança de crédito dos endividados, cujo indicador retraiu 2,4%, passando de 63,9 para 62,3 pontos no mesmo período. Entre os não endividados, houve alta de 1,1%, alcançando 95,1 pontos.

De acordo com a FecomercioSP, se esse aumento da intenção de financiamento for consistente, o varejo deve sentir efeitos positivos sobre as vendas.

Além disso, parte do consumo doméstico pode ser feito de reservas financeiras, que, conforme destacado anteriormente, caiu pelo terceiro mês seguido. Entretanto, deve-se aguardar os próximos meses para que esse diagnóstico se confirme.

Para a Federação, os resultados captados pela PRIE e por outras pesquisas indicam que os agentes econômicos estão começando a se preparar para dias melhores, por mais que o cenário ainda não seja o desejável. Entretanto, os resultados ainda podem ser influenciados por um momento de grande tensão nos mercados, que é o período eleitoral.

Assim, a situação ainda enseja cautela nas projeções de analistas e, principalmente, nas ações de empresários em face ao comportamento dos consumidores. O fim do primeiro semestre e o início da segunda metade do ano foi bastante ruim em termos de perspectivas, mas esse momento parece estar ficando para trás.

APLICAÇÕES

A poupança segue como a modalidade preferida dos paulistanos. Em agosto, 57,4% escolheram essa opção de investimento, queda de 1,2 ponto porcentual (p.p.) em relação ao mês anterior e recuo de 4,4 p.p. na comparação com o mesmo período do ano passado.

A preferência pela renda fixa, após ter atingido a maior proporção da série histórica em junho, de 24,5%, recuou pelo segundo mês consecutivo, ao passar de 22,4% em julho para 20,6% em agosto. A previdência privada é a preferida de 9,4% dos paulistanos em agosto. Em julho, esse número estava em 8,3%.

Conforme previsto pela FecomercioSP em edições anteriores, a renda variável ganharia espaço neste ano, e, refletindo a forte alta da Bolsa de Valores entre junho e julho, a parcela de aplicadores em ações atingiu 5,5% em agosto, alta de 2,2 p.p. em relação ao mês anterior e o maior valor da série histórica – iniciada em junho de 2012.

A entidade ressalta, porém, que diante das incertezas eleitorais e do nervosismo dos mercados percebidos no início de agosto, esse comportamento deve refluir nas próximas edições.

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