Negócios

Covid leva livros digitais a um novo patamar de consumo


Empresa especializada em conteúdo digital para editoras distribuiu quase dez milhões de e-books nos 50 primeiros dias de isolamento. Resultado corresponde a quase 80% de todo o volume produzido em 2019


  Por Mariana Missiaggia 30 de Junho de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Desde o início da pandemia, muitos negócios foram obrigados a fechar as portas – alguns, temporariamente, enquanto outros de forma permanente. É o caso de algumas lojas da rede de livrarias Saraiva, que em maio anunciou o fechamento de sete unidades. Com a queda na receita, não sustentaram os impactos financeiros potencializados pelo novo coronavírus. De acordo com a companhia, outras 12 lojas correm o risco de ter o mesmo destino nos próximos meses.

O isolamento social também interrompeu a trajetória de recuperação da Livraria Cultura, que tenta negociar suas dívidas com editoras para sair do vermelho.

Com opções físicas cada vez mais restritas, a pandemia pode mudar de alguma forma nosso consumo e o mercado editorial. Segundo Marcelo Gioia, CEO da BookWire no Brasil, empresa especializada em produzir conteúdo digital para editoras, o leitor brasileiro foi rápido na busca por livros digitais desde o início do isolamento social.

Os números da empresa mostram que entre os dias 9 de março e 26 de abril, a distribuidora entregou a clientes finais 9,5 milhões de unidades de livros digitais, entre títulos pagos e gratuitos. O volume corresponde a 80% da performance total da Bookwire em 2019, quando houve um crescimento de 57% em faturamento em relação a 2018, com a distribuição de quase 12 milhões de unidades de e-books.

Tamanha popularidade pode ser explicada por um movimento ocorrido em diferentes setores quando as restrições sociais foram impostas. Assim como aplicativos e canais de assinatura passaram a disponibilizar conteúdo de graça, as editoras ofereceram muitos títulos a preços reduzidos ou até mesmo gratuitos. E para muitos, esse foi o primeiro contato com livros digitais que podem não se tornar unanimidade, mas sem dúvidas, passarão a ser mais valorizados pelos leitores.

Há também de se levar em conta a limitação de acesso aos livros e a própria agilidade inerente ao digital.

O confinamento também confirmou uma outra tendência do mercado editorial, o digital first, que consiste em lançar uma versão digital antes do livro físico. Com preço reduzido, os e-books reúnem uma série de facilidades que afastam as varejistas de problemas logísticos em tempos conturbados e garantem mais praticidade e agilidade ao consumidor que o recebe imediatamente.

Atendendo a mais de 500 editoras no Brasil, Gioia não acredita numa mudança radical de comportamento pós-pandemia, mas acredita que teremos um mercado editorial em um novo patamar.

“Tivemos um crescimento circunstancial, mas os números nos mostram que o interesse se mantem. Não sei o que o futuro trará, mas já há um volume menor de descontos e menor quantidade de e-books e audiobooks a custo zero”.

Na opinião de Gioia, as métricas de unidades pagas e receita parecem estar encontrando um novo platô na curva, pois hoje existem mais leitores digitais do que em fevereiro, por exemplo. A aposta do exectivo é de que teremos um volume maior de leitores multiformato e números um pouco mais acomodados quando a referência são números tão surreais quanto vimos acontecer no pico do isolamento.

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