Negócios

Cotait: associações comerciais podem ajudar MPEs a obterem crédito


No Fórum BandNews sobre efeitos da pandemia nos pequenos negócios, presidente da ACSP e da Facesp reforçou dificuldades de acesso ao crédito e apontou alternativas para facilitar o processo


  Por Karina Lignelli 19 de Maio de 2021 às 11:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A dificuldade de acesso ao crédito pelos micro, pequenos e médios negócios continua no centro das discussões que abordam a sobrevivência dessas empresas na pandemia. A capilaridade das associações comerciais, que podem atuar como agentes facilitadores, seria uma das alternativas para o dinheiro chegar na ponta mais rapididamente. 

Na avaliação de Alfredo Cotait Neto, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), programas como o Pronampe, o Fampe e algumas linhas do BNDES são instrumentos fundamentais para a manutenção das atividades dos pequenos negócios. Porém, segundo ele, o sistema bancário atual não está preparado para atender a esses empresários, e como consequência, grande parte desse crédito não chegou na ponta.

Olhando mais de perto, há alguns fatores que dificultam o acesso dessas empresas de menor porte ao crédito, como falta de garantias, score baixo e o ambiente econômico, considerado pelos bancos na hora de assumir riscos. 

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A sugestão de Cotait é usar a capilaridade das associações comerciais, que somente no estado de São Paulo estão presentes em mais de 420 municípios, para fazer a ponte entre o dinheiro e os micro e pequenos empresários.  

"O Sebrae já conhece e é parceiro das associações comerciais. Só em São Paulo, temos 420, e todas podem ser canais mais fáceis para fazer esse crédito chegar mais rápido na ponta", destacou o presidente da ACSP durante o fórum "Efeitos da pandemia nas médias e pequenas empresas", realizado pelo canal Band News e pela Rádio Bandeirantes na última segunda-feira (17/05).

"É preciso ajudar as micro e pequenas devastadas pela pandemia e pelas restrições impostas a elas. E essas medidas têm de ser urgentes para estancar esse fechamento de empresas e o desemprego", disse Cotait, que também preside a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Os problemas dos pequenos negócios que continuam na ativa, somados ao abre-e-fecha do comércio, segundo ele, geraram passivos financeiros, tributários e ocultos com fornecedores, que desequilibraram a economia. 

Ao ser questionado no fórum sobre como é que uma empresa fechada consegue pagar imposto, Cotait destacou os pedidos constantes da ACSP e outras entidades do comércio para postergar o pagamento de impostos, além da liberação de mais recursos destinados à concessão de crédito para essas empresas retomarem as atividades. 

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Em 2020, vários programas foram criados para atender às necessidades de crédito das MPEs, um setor que responde por 99% dos negócios constituídos no país, e que representa 30% do PIB.

O Fampe (Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas), fundo garantidor do Sebrae, foi um deles. Esse programa fechou 750 mil contratos e cresceu 768%, segundo Carlos Melles, presidente do Sebrae Nacional.

Foram criadas ainda linhas especiais do BNDES, que liberaram R$ 155 bilhões com recursos do tesouro para 'irrigar a economia', segundo Bruno Lakowsky, diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do banco de fomento. E ainda, os R$ 42 bilhões destinados às linhas do Pronampe.

Uma entidade que congrega 31 instituições, a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), também aumentou em 41% o volume de crédito para MPEs espalhadas por diversos munícipios brasileiros.

"As micro e pequenas empresas respondem por 60% dos empregos no Brasil, então foi feita uma verdadeira operação de guerra para atender a esses negócios com qualidade e eficiência", afirmou o presidente da ABDE Sérgio Gusmão Suchodolski, que também comanda o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). 

Até um banco privado e 100% digital, o Original, entrou de vez no segmento MPE em 2020: cresceu 84% sua base de MEIs, e aumentou 753% a carteira de capital de giro, disse o gerente de produtos Adilson Ferreira.

"Fizemos um movimento anticíclico para facilitar o acesso das MPEs ao sistema financeiro", afirmou.

Parece muita coisa, mas foi pouco. "O montante representa só 10% do nosso universo, é pouco perto das necessidades das MPEs", reconheceu Carlos Melles, presidente do Sebrae Nacional, que disse que o atraso na aprovação do Orçamento para 2021 também complicou.

"Achamos que 2020 seria díficil, mas em 2021 há um alongamento da crise desastroso para as MPEs."

Da parte do BNDES, segundo Lacowsky, o banco criou uma 'pausa de pagamento' estimada em R$ 3 bilhões, com dilatação do prazo em 18 meses - uma estratégia importante num banco de fomento, disse. 

"Somos reconhecidos como o banco dos grandes projetos, mas 52% dos R$ 60 bilhões destinados ao crédito são para MPEs, o que dá uma visão clara de que estamos atuando na na ponta", afirmou. "Mas não adianta dar só dinheiro: precisamos do Sebrae e da ACSP para ajudar essas MPEs a gerirem esses recursos."

DETALHE DO FÓRUM BAND NEWS PARA PEQUENAS EMPRESAS

 FÔLEGO EXTRA

Outra proposta de Alfredo Cotait, da ACSP e da Facesp, é a criação de um programa emergencial para 'segurar' a atividade das micro e pequenas empresas até a economia voltar a tomar fôlego.   

Cotait citou a comunidade europeia, que criou uma espécie de "New Deal" para ajudar a economia, e os Estados Unidos, que destinaram recursos para pequenos negócios sobreviverem. Mas aqui, não houve ajuda, as atividades não-essenciais pagaram a conta sozinhas, e quem tomou crédito não consegue pagar, disse. 

Mencionou também a grande quantidade de lojas físicas e restaurantes que fecharam só na cidade de São Paulo, e os altos níveis de desemprego resultantes de um ano e quatro meses de funcionamento irregular. 

Carlos Melles, do Sebrae, destacou as solicitações para prorrogação da primeira parcela do Pronampe em 12 meses, assim como o lançamento de um Novo Refis para dar fôlego às empresas. Também reforçou os mais de 10 mil inscritos semanais nos cursos de qualificação do Sebrae, para impulsionar os negócios na pandemia.

Cotait, que lembrou que a figura jurídica do MEI nasceu na ACSP, com a autoridade em pequenos negócios Guilherme Afif Domingos, disse que a associação vem fazendo sua parte para ajudar o microempreendedor, concedendo crédito pela plataforma ACCrédito, e qualificação com a Faculdade do Comércio (FAC-SP). 

Também citou o recém-lançado Vitrine Sampa, marketplace onde o pequeno empresário pode oferecer seus produtos e serviços. "O crédito é essencial, mas estamos fazendo o possível para ajudar quem perdeu renda, emprego e teve os negócios devastados por essa forma desequilibrada de abre-e-fecha", afirmou. 

Para Melles, do Sebrae, mesmo nesse cenário, o ambiente para as MPEs melhorou muito, com novas opções de crédito como o PEAC-Maquininhas, ampliação da segurança jurídica pelo marco regulatório das startups, e a criação da Empresa Simples de Crédito (ESC). "Além de inovação, isso traz otimismo para o país", acredita. 

FOTOS: Reprodução You Tube / Band News





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