Negócios

Contratação de temporários de Natal será a menor em cinco anos


Projeção da CNC aponta que 70,7 mil trabalhadores extras serão admitidos para atender ao aumento sazonal das vendas neste ano de pandemia. Número é 19,7% inferior ao de 2019


  Por Redação DC 21 de Outubro de 2020 às 12:02

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A crise provocada pela pandemia de covid-19 deve fazer com que a oferta de vagas temporárias para o Natal seja a menor desde 2015, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).  

Segundo projeção da entidade, 70,7 mil trabalhadores temporários serão contratados neste fim de ano para atender ao aumento sazonal das vendas. O número é 19,7% inferior ao de 2019 (88 mil). O Natal é a principal data comemorativa do varejo, e deve movimentar R$ 37,5 bilhões em 2020 – 2,2% a mais do que em 2019.

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Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, mesmo impulsionado pelo e-commerce, o varejo ainda sente os efeitos das condições de consumo em meio à pandemia. A intensificação de ações de vendas on-line pelos comerciantes tem ajudado na recuperação gradual do varejo nos últimos meses, e também será um dos impulsionadores das vendas para o Natal, afirma.

"Porém, apesar de o comércio eletrônico ter crescido bastante, as vendas em shopping centers vêm registrando retrações, e isso impacta diretamente o número de temporários contratados, em especial os vendedores.”

Todas as unidades da Federação devem apresentar menos oportunidades de empregos temporários no comércio varejista em comparação com os últimos anos. São Paulo (17,9 mil), Minas Gerais (8,33 mil), Rio de Janeiro (6,92 mil) e Rio Grande do Sul (6,02 mil) concentrarão mais da metade (55%) da oferta de vagas.

As lojas de vestuário e calçados, que historicamente respondem pela maior parte dos empregos temporários neste período do ano, deverão ofertar 30,7 mil vagas em 2020.

Fabio Bentes, economista da CNC e responsável pelo estudo, ressalta que esse total equivale a pouco mais da metade dos 59,2 mil postos criados em 2019.

“Este ramo do varejo vem apresentando mais dificuldades de recuperar o nível de vendas anterior ao início do surto de covid-19”, diz Bentes. Somados ao ramo de vestuário, as lojas de artigos de uso pessoal e doméstico (13,7 mil) e os hiper e supermercados (13,4 mil) deverão responder por cerca de 82% das vagas do varejo no Natal.

REMUNERAÇÃO MÉDIA AUMENTA

Segundo cálculos da CNC, o salário médio de admissão para as vagas temporárias no Natal deverá ser de R$ 1.319, valor 4,6% maior em comparação com o mesmo período do ano passado.

Os maiores salários deverão ser pagos pelas lojas especializadas na venda de produtos de informática e comunicação (R$ 1.618), e pelo ramo de artigos farmacêuticos, perfumarias e cosméticos (R$ 1.602). Porém, estes segmentos deverão responder por apenas 7% das vagas.

Em relação às profissões, a CNC estima que nove em cada dez vagas criadas devem ser preenchidas pelas cinco ocupações mais demandadas nesta época do ano: vendedores (34,6 mil), operadores de caixa (12,1 mil), atendentes (8,2 mil), repositores de mercadorias (6,9 mil) e embaladores de produtos (2,9 mil). Operadores de caixa (R$ 2.272,78) e repositores de mercadorias (R$ 1.576,24), devem receber os maiores salários médios.

A taxa de efetivação dos temporários após o Natal deverá ser a menor dos últimos quatro anos. Segundo Fabio Bentes, a queda é explicada pela incerteza quanto à capacidade da economia e do consumo de sustentar o ritmo de recuperação nos próximos meses.

“É um cenário distinto daquele observado até 2014, quando, em média, 30% dos trabalhadores contratados costumavam ser efetivados”, conclui o economista da CNC.

FOTO: arquivo/DC





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