Negócios

Consumidor usará bônus de Natal para quitar dívidas e poupar


Em 2014, essa era a intenção de apenas 49% dos entrevistados, segundo pesquisa ACSP/Ipsos. Para economista, resultado mostra que neste ano eles estão mais “racionais”


  Por Karina Lignelli 06 de Novembro de 2015 às 18:43

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Neste fim de 2015, 41,2% dos brasileiros usarão a primeira parcela do 13º salário para pagar dívidas, contra 28,9% no ano passado. Já os que usarão o abono natalino para poupar são 29,4% ante 20% em 2014. 

Os dados fazem parte de uma pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) encomendada ao Instituto Ipsos e realizada entre os dias 15 e 29 de outubro com 1,2 mil consumidores.  

O levantamento mostra que 70,6% dos consumidores estão mais criteriosos com o uso do dinheiro extra neste ano. Este foi o maior percentual da série histórica, que começou  em 2009. Naquele ano, os consumidores com esse perfil representavam 46,5% da pesquisa. No ano passado, essa parcela era de 48,9%. 

“O varejo vai enfrentar um consumidor extremamente cauteloso, disposto a pagar as dívidas e também a poupar em vez de comprar presentes”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). 

A pesquisa mostra ainda que os poupadores usarão parte da primeira parcela do 13º salário para pagar as despesas de início de ano, como IPVA e IPTU, além de material e matrícula escolares. 

“Mais do que cauteloso, o consumidor está extremamente racional, diante da possibilidade de repor pelo menos um pouco a poupança que já vem sacando todo mês para se prevenir para o início de 2016. Por outro lado, quem está endividado prefere quitar as dívidas”, diz Emílio Alfieri, economista da ACSP. 

MENOS COMPRAS

O consumidor se mostra mais racional e preocupado com as contas, o que é bom para suas finanças pessoais. Para o varejo e a indústria, esta situação é um pouco mais complicada: a pesquisa revela que apenas 8,8% dos entrevistados usarão o bônus para comprar presentes, contra 20% em 2014.

Outros 5,9% vão viajar, ante 8,9% no ano passado, e apenas 2,9% pretendem reformar a casa. Em 2014, 4,4% tinham essa intenção. 

Para o setor de supermercados, o cenário parece ainda mais desfavorável, já que no ano passado 2,2% dos entrevistados pretendiam comprar alimentos para as festas de fim de ano com a primeira parcela do 13º salário. Na pesquisa de 2015, porém, ninguém demonstrou esse interesse. 

“Não haverá antecipação de compras de alimentos, já que a alta do dólar influencia muito os preços de itens importados para as festas, como vinhos e bacalhau.Tudo foi postergado”, completa Alfieri, que lembra que o cenário pode melhorar um pouco com o pagamento da segunda parcela do décimo terceiro. 

A pesquisa mostra um cenário positivo para o setor de vestuário, já que 2,9% dos entrevistados não vão abrir mão de comprar roupas, ante 2,2% com essa intenção em 2014. 

Os indecisos somam 11,8% contra 17,8% no ano passado. De acordo com Alencar Burti, a piora da situação financeira do consumidor é resultado do aumento da inflação de alimentos e tarifas públicas (como luz e água), da queda da massa salarial e do encarecimento do crédito. 

O economista da ACSP reforça que o consumidor reagirá assim que tiver a oportunidade, e o lojista está preparado para vender menos, sabendo que o fim do ano “não será lá essas coisas”. 

O problema maior será para a indústria, já que o varejo praticamente só tem comprado para repor o que vende, a pronta-entrega e sem grandes apostas para o Natal.

"Mas é a velha história da cigarra e da formiga: o consumidor está ajustando o consumo, priorizando o pagamento de dívidas e poupando para se prevenir – o que é altamente positivo”, conclui Alfieri. 

Infográfico: Willian Chaussé

FOTO: Thinkstock