Negócios

Conheça as pequenas empresas que ganharam a passarela


Por meio do Convênio Contextualizar na Moda, micro e pequenos negócios têm a oportunidade de conhecer e participar do principal evento de moda do país


  Por Thais Ferreira 22 de Março de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Na última edição da São Paulo Fashion Week, modelos subiram na passarela com placas que diziam “descubra” ou “fashion revolution” (revolução da moda, em inglês).

As reflexões e as peças que apareceram nesse desfile são da Green Co, empresa mineira que produz roupas utilizando matérias-primas reutilizáveis, orgânicas e recicláveis.

A história da marca começou com o projeto de conclusão de curso de Cassius Pereira, fundador da Green Co. O empresário não cursava moda, e sim gestão ambiental.

Ele queria desenvolver roupas que produzissem menos impacto no meio ambiente. O trabalho de faculdade se tornou uma empresa.  

Na época, produzir de forma mais sustentável ainda não era amplamente discutido pelo mercado.

“Fomos pioneiros da produção ecologicamente correta no Brasil”, afirma Pereira. “Mas o começo foi difícil. Até 2011, apenas sobrevivíamos”, afirma Pereira.

Aos poucos, a empresa foi atingindo voos maiores. Em 2012, Green Codeixou de vender exclusivamente para o atacado e passou a atender também ao varejo.

Dois anos depois, iniciava-se a expansão por meio da rede de franquias.  E neste ano, chegou à SPFW.

“A semana de moda reflete a maturidade da marca e ajuda a trazer mais visibilidade”, diz Pereira.

CRIAÇÃO DA MARCA GREEN CO

APOIO ÀS PEQUENAS

Chegar à passarela mais cobiçada do Brasil, não é tarefa fácil. Geralmente as marcas ganham destaque e são convidadas para fazer parte do evento. Caminho que muitas microempresas nem acreditam que podem trilhar.

Por isso, o Sebrae, em parceria com o Instituto Nacional de Design (IN-MOD), criou o Convênio Contextualizar na Moda, que tem como objetivo apresentar o mercado de luxo para pequenos negócios e quebrar o tabu da inacessibilidade do evento para essas empresas.

São dois grandes projetos. O primeiro é uma missão técnica. Cerca de 200 empresários do setor de moda são selecionados pelas agências regionais do Sebrae para conhecer os bastidores da SPFW.

Durante a semana do evento, eles têm a chance de conhecer as principais estruturas de uma semana de moda e entender o que devem fazer para se inserirem nesse mercado.  

O segundo projeto é o Top Five, programa que seleciona quem vai desfilar durante o evento.

 “A SPFW é apenas uma parte do processo. É uma vitrine para mostrar o que os empresários já conquistaram e semear outras percepções para os próximos ciclos”, afirma Juliana Ferreira Borges, especialista do Sebrae e uma das responsáveis pela parceria.

A Green Co passou por esse último processo e foi uma das selecionadas entre 60 micro e pequenas empresas de todo o Brasil.

O Top Five vai muito além de apenas criar peças e desfilar. As marcas escolhidas também passam por um processo de consultoria que envolve diversos pontos como desenvolvimento de produto e comercialização.

De acordo com Juliana, o trabalho do  Sebrae nessa parceria é oferecer mecanismos de gestão para que esses empresários alcancem diversos mercados.

“Se eles quiserem chegar a SPFW, é preciso seguir uma trajetória”, afirma Juliana. “Esses empresários precisam conhecer quais são os requisitos do mercado e os consumidores.”

Durante esse processo, uma das principais lições aprendidas por Cassius Pereira é manter a essência da marca.

“Com a pressão comercial é muito comum nos afastarmos da identidade da marca. No caso da Green Co nossa base sempre foi a sustentabilidade”, afirma Pereira. “O consultor nos fez refletir sobre onde queremos chegar com nossa marca e nossos produtos.”

PEÇAS DA JARDIN DESFILADAS NA SPFW

JARDIN

Ao lado da Green Co, outras quatro marcas passaram pelo mesmo processo: Amabilis, PH Praia, Adriano Martin e Jardin.

Essa última foi fundada por Bharbara Renault, artista plástica e mestre em moda pela Université de la Mode, em Lyon, na França. 

Ela começou a produzir as peças da marca em 2009. A proposta era criar roupas autorais e de qualidade,

“A Jardin está na contramão do fast fashion [moda rápida, em inglês, que significa a produção de roupas em velocidade acelerada]”, afirma Bharbara.

Após anos vendendo apenas na loja online da marca, a empresa montou recentemente uma loja pop-up no shopping Pátio Savassi, em Belo Horizonte.

As vendas foram além do esperado. Agora, a empresária está planejando abrir sua primeira loja ainda no primeiro semestre deste ano.

Durante o processo de consultoria do Top Five, Bharbara aprendeu a conciliar as criações criativas e conceituais com peças desenvolvidas para o mercado.

 “É um trabalho muito solitário”, afirma Bharbara. “Dividir ideias e ter um olhar novo foi uma ótima experiência”

A empresária espera que a participação no São Paulo Fashion Week abra novas portas para a marca e, principalmente, atraia novos consumidores.

FOTOS: Agência Fotosite/Divulgação