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Confiança do comércio está em queda


Embora a maior parte dos varejistas (73,2%) ainda acredite na melhora da economia nos próximos meses, o grau de otimismo está no menor patamar dos últimos dois anos, de acordo com pesquisa da CNC


  Por Estadão Conteúdo 19 de Julho de 2018 às 11:15

  | Agência de notícias do Grupo Estado


 

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu 4,3% em julho ante junho, para 103,9 pontos, informou nesta quinta-feira, 19, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Na comparação com julho de 2017, houve aumento de 2,3% no Icec, mas o nível registrado neste mês é o mais baixo desde agosto do ano passado, quando o indicador estava em 103,1. Na passagem de junho para julho, 69,4% dos empresários do comércio entrevistados pela CNC apontaram piora no cenário econômico.

Segundo a CNC, a decepção com as condições correntes da economia (-13,6%) foi decisiva para a queda em julho. "Tanto a insatisfação com a situação atual quanto as expectativas para o crescimento da economia impactaram significativamente o indicador de confiança de julho", diz, em nota, o chefe da Divisão Econômica da CNC, Fabio Bentes.

Conforme a pesquisa, embora a maior parte dos varejistas (73,2%) ainda acredite na melhora da economia nos próximos meses, o grau de otimismo está no menor patamar dos últimos dois anos.

O componente do Icec que mede as expectativas dos comerciantes registrou recuo de 2,2% ante junho e queda de 1% na comparação com julho de 2017, "a primeira queda anual desde o auge da crise em maio de 2016", segundo a CNC.

O subíndice relativo aos investimentos caiu 1,8% em relação a junho, puxado pela redução na intenção de contratação nos próximos meses (-2,8%). "A maior parte dos empresários (56,9%) pretende contratar trabalhadores nos próximos meses. Esse porcentual, no entanto, já difere significativamente da proporção de varejistas dispostos a contratar em janeiro deste ano (61,1%)", diz a nota da CNC.

O levantamento da CNC aponta ainda que, passada a turbulência gerada pela greve dos caminhoneiros, no fim de maio, os estoques no comércio foram normalizados.

Em junho, 15,2% dos comerciantes afirmavam estar com estoques abaixo do adequado, enquanto em julho esse porcentual recuou para 14,7%, nível "praticamente igual" ao verificado antes da crise de abastecimento, segundo a CNC.

CAMINHONEIROS

A greve dos caminhoneiros, no fim de maio, foi um "divisor de águas" nas expectativas dos agentes econômicos em relação à economia neste ano, na avaliação de Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da CNC.

Embora as projeções para a atividade econômica já estivessem sendo revistas para baixo antes da greve, o desabastecimento provocado pelos bloqueios nas estradas e as medidas do governo para enfrentar o problema reforçaram o processo.

Bentes lembrou que, até maio, as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ainda giravam em torno de 2,5% para 2018. Após a greve, passaram para o nível de 1,5%. Para o economista, a leitura de julho do Icec consolida a percepção, entre os comerciantes, de que o crescimento será menor. Na passagem de junho para julho, 69,4% dos empresários do comércio entrevistados pela CNC apontaram piora no cenário econômico.

Uma das principais medidas reivindicadas pelos caminhoneiros, e acatada pelo governo, o tabelamento dos preços do frete deverá ter efeitos na percepção sobre a economia. "Muito provavelmente, pelo efeito econômico do tabelamento do frete, a inflação comportadinha ficou para trás", disse Bentes.