Negócios

Confiança de serviços e da indústria piora em outubro


Após seis meses de melhora mais expressiva das expectativas indicador da FGV aponta para o início de uma fase de ajuste, para baixo, nas expectativas empresariais


  Por Estadão Conteúdo 31 de Outubro de 2016 às 09:16

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Tanto o Índice de Confiança de Serviços quanto o de Indústria registraram queda na passagem de setembro para outubro, informou nesta segunda-feira (31/10) a Fundação Getúlio Vargas.

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) recuou 1,7 ponto. O indicador diminuiu para 78,9 pontos após sete altas consecutivas, período em que acumulou avanço de 11,8 pontos.

Segundo a FGV, o resultado sugere uma acomodação do indicador, influenciado pelo ajuste nas expectativas.

"Após seis meses de melhora mais expressiva das expectativas que da percepção sobre as condições correntes dos negócios, o resultado de outubro parece apontar para o início de uma fase de ajuste, para baixo, nas expectativas empresariais. Este movimento ocorre concomitantemente a uma discreta melhora nas avaliações sobre a situação atual. Assim, a sinalização para a atividade real do setor é de prosseguimento da fase de fraco desempenho nos próximos meses", avaliou Silvio Sales, consultor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

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Nove entre as 13 atividades pesquisadas registraram recuo na confiança em outubro. O Índice de Situação Atual (ISA-S) avançou 0,7 ponto, para 71,5 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-S) diminuiu 4,3 pontos, para 86,7 pontos.

A maior contribuição para a melhora do ISA-S foi da percepção sobre a Situação Atual dos Negócios, que subiu 2,0 pontos, para 72,8 pontos. No IE-S, houve impacto negativo do indicador de Demanda Prevista, que recuou 6,1 pontos, para 86,3 pontos.

A coleta de dados para a edição de outubro da sondagem foi realizada entre os dias 4 e 26 do mês.

CAPACIDADE INSTALADA

Segundo a FGV, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor de Serviços ficou em 82,5% em outubro, um recuo de 0,1 ponto porcentual em relação ao mês anterior, quando estava em 82,6%. Em relação a outubro de 2015, o Nuci está 1,0 ponto porcentual menor.

"Após esboçar uma reação em junho e julho, com duas altas consecutivas, o indicador volta a recuar, sinalizando que a fase declinante do nível de atividade do setor ainda não se esgotou", avaliou a FGV, em nota oficial.

A edição de outubro da Sondagem de Serviços coletou informações de 1.930 empresas, entre os dias 4 e 26 do mês. A próxima divulgação está prevista para o dia 28 de novembro.

INDÚSTRIA

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 1,6 ponto em outubro ante setembro, passando de 88,2 para 86,6 pontos.

A instituição avaliou que a confiança passa por um período de acomodação no segundo semestre, uma vez que, na métrica de médias móveis trimestrais, o índice mantém-se "relativamente estável", ao passar de 87,1 para 87,0 pontos.

A queda na margem da confiança da indústria foi disseminada tanto no indicador que mede a situação atual quanto nas expectativas em relação ao meses seguintes. O Índice da Situação Atual (ISA) recuou 1,8 ponto, para 84,9 pontos, o menor desde junho e o Índice de Expectativas (IE) recuou 1,4 ponto, para 88,4 pontos.

A situação dos estoques foi a que mais influenciou o recuo no ISA. Depois de evoluir favoravelmente nos meses anteriores, as avaliações sobre os estoques voltaram a piorar em outubro.

A parcela de empresários que considera o nível atual de estoques como excessivo chegou a 12,7%. Já o percentual das empresas que acredita que seus estoques estão insuficientes caiu de 7,1% para 4,8% do total.

Já o recuo do IE deve-se principalmente ao indicador que mede a evolução do pessoal ocupado nos três meses seguintes, que caiu 3,8 pontos, para 84,9 pontos, a terceira queda consecutiva.

O percentual de empresas que prevê aumento do quadro de pessoal nos meses seguintes recuou de 12,5% em setembro para 10,9% em outubro. Já o porcentual de empresários que esperam diminuir o número de funcionários passou de 22,1% para 23,2% na mesma base de comparação.

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A FGV também informou que entre setembro e outubro o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) diminuiu 1,0 ponto porcentual, para 73,7%.

"O tombo da produção física em agosto registrado pelo IBGE não representou uma reversão da tendência de recuperação da economia, mas mostrou que o ritmo de retomada será bem mais lento do que o setor industrial previa no início deste semestre. Com expectativas sendo calibradas para baixo, Nuci em queda e os indicadores que medem a situação corrente andando de lado, a Sondagem retrata uma evidente perda de fôlego em relação à aceleração produtiva que se desenhava entre março e julho passados", afirma Aloisio Campelo Junior, Superintendente de Estatísticas Públicas da FGV/Ibre.

A edição de outubro de 2016 do ICI coletou informações de 1.121 empresas entre os dias 03 e 27 deste mês. A próxima divulgação desse indicador será no dia 30 de novembro de 2016, sendo que a prévia do resultado será publicada no site do Ibre no dia 24 de novembro.

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