Negócios

Confiança da indústria termina o ano 14,9 pontos acima do patamar de 2016


A proporção de empresas que prevê melhora nos negócios subiu de 42,7% para 45,7% entre novembro e dezembro


  Por Estadão Conteúdo 28 de Dezembro de 2017 às 09:24

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A confiança da indústria, medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 1,3 ponto em dezembro ante novembro, atingindo 99,6 pontos. Esse é o maior nível do indicador desde janeiro de 2014 (100,1 pontos), segundo a instituição.

A confiança da indústria também termina o ano 14,9 pontos acima do patamar de 2016.

O Índice de Expectativas (IE) ultrapassou a marca dos 100 pontos, que caracteriza o limite entre pessimismo e otimismo dos empresários ao subir 1,4 ponto em dezembro, para 100,8 pontos. De acordo com a FGV, esse é o maior nível do índice desde junho de 2013 (105,1 pontos).

A maior contribuição para esse avanço é do indicador de expectativas com a evolução dos negócios nos seis meses seguintes, que subiu 5,4 pontos, para 103,1 pontos.

A proporção de empresas que prevê melhora nos negócios subiu de 42,7% para 45,7% entre novembro e dezembro ao mesmo tempo que houve redução da parcela das que projetam piora nos negócios, de 14,8% para 9%.

O Índice de Situação Atual (ISA) também teve alta, de 1,3 ponto, mas ainda ficou abaixo da marca de 100 pontos, em 98,5 pontos, que é um recorde desde fevereiro de 2014 (99,5 pontos).

A melhora na percepção sobre os negócios subiu 3,4 pontos, para 95,2 pontos - o maior desde abril de 2014 (98 pontos). A parcela de empresas que considera a situação atual boa ainda caiu, de 15,8% para 14,8%, mas em menor proporção que a fatia de empresários que caracteriza o momento como ruim (25,2% para 20,2%).

A coordenadora da Sondagem da Indústria, Tabi Thuler Santos, avalia que a indústria acredita que a melhora no ambiente de negócios deve se manter em trajetória favorável nos próximos meses.

"Ao passar de 100 pontos, o Índice de Expectativas retrata otimismo quanto ao futuro próximo - pela primeira vez desde setembro de 2013, há prevalência de respostas otimistas na pesquisa, o que reforça a perspectiva do setor de continuidade da recuperação da confiança em 2018", afirma Tabi.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) também subiu no período, 0,3 ponto porcentual, para 74,5% em dezembro, o maior desde julho deste ano. Na métrica trimestral, o Nuci avançou 0,1 ponto porcentual no quarto trimestre em relação ao trimestre anterior, para 74,3%.

INVESTIMENTOS

A melhora na confiança da indústria reforça a tendência de retomada dos investimentos no setor, ainda que essa reação deva ser limitada pela ainda alta ociosidade nas fábricas. Esse é um dado que, segundo a coordenadora da sondagem, Thuler Santos, guarda uma "relação ótima" com os investimentos.

"Se este é o indicador que está puxando a confiança das empresas, é uma boa sinalização ao crescimento nos investimentos", comenta.

Para ela, as eleições do ano que vem, com todas suas incertezas sobre o futuro governo, ainda não entraram no radar dos entrevistados pela FGV, de modo que a expectativa é que o índice de confiança da indústria volte no mês que vem aos 100 pontos, o ponto neutro que, numa escala que vai de zero (pessimismo total) a 200 pontos (otimismo total), separa o pessimismo do otimismo.

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