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Concessionárias de veículos têm o pior setembro em 10 anos


Recuperação esperada após a Olimpíada não se concretizou e, com isso, a queda foi de 13% no mês, segundo a Fenabrave


  Por Estadão Conteúdo 05 de Outubro de 2016 às 13:18

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


As vendas nas concessionárias de veículos caíram 13% na passagem de agosto para setembro, com um total de 160 mil unidades emplacadas no mês passado.

A conta engloba carros de passeio, utilitários leves - como picapes e vans -, caminhões e ônibus, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (05/10) pela Fenabrave (associação do setor). 

Na comparação com setembro de 2015, a queda foi ainda maior, de 20,1%. Foi o pior setembro na comercialização de veículos novos no País em uma década.

O desempenho leva as vendas acumuladas desde janeiro para 1,51 milhão de veículos, uma queda de 22,8% na comparação anual e também o volume mais baixo, entre períodos equivalentes, desde 2006.

Não se confirmou a recuperação esperada pelo setor após a Olimpíada, que prejudicou o movimento nas concessionárias do Rio de Janeiro, terceiro maior mercado do País, em agosto.

As revendas de todo o Brasil comercializaram 7,4 mil carros a cada dia que abriram as portas em setembro, um fluxo ainda menor do que o ritmo médio de 7,8 mil unidades registrado no mês anterior.

Com exceção de julho, o mercado está estagnado abaixo da marca de 8 mil carros por dia útil desde o início do ano - tirando da conta as entregas de caminhões e ônibus.

Só no mercado de carros de passeio e utilitários leves, as vendas, de 155 mil unidades no mês passado, caíram 19,5% na comparação anual e 13% em relação a agosto.

Nos nove primeiros meses deste ano, os emplacamentos nesse segmento cederam 22,5%, somando 1,46 milhão de unidades.

O desempenho é ainda pior na indústria de veículos comerciais pesados. No mês passado, as vendas de caminhões recuaram 30,1% no comparativo com setembro de 2015.

Em relação a agosto, a queda foi de 5,3%. No total, 4,2 mil caminhões foram entregues em setembro, levando o volume acumulado desde janeiro para 38,7 mil unidades, uma queda de 30,6%.

A redução nas vendas de ônibus em setembro foi de 46,2% em relação ao volume de um ano antes e 41,4% na comparação mensal.

Foram licenciados 828 coletivos em setembro. No acumulado do ano, o volume de ônibus vendidos soma 11,2 mil unidades, o que representa um recuo de 32,7%.

FECHAMENTO DE LOJAS E DESEMPREGO

Outro reflexo do mau desempenho do setor de revenda de veículos foi a redução do tamanho da rede de distribuição no país em 1.257 pontos de venda em março de 2016, em comparação ao total de lojas ativas até janeiro de 2015.

De acordo com a Fenabrave, que se baseou no total de revendas que, desde março, não faturam mais veículos, o balanço é resultado do fechamento de 1.727 concessionárias.

Esse número foi compensado pela abertura de outras 470 revendas - entre pontos de todos os segmentos do setor: carros, veículos comerciais, motos e, até mesmo, implementos rodoviários.

Ao apresentar nesta quarta os resultados do mês passado, Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, disse que o enxugamento da rede significou a eliminação de 124 mil pontos de trabalho nas revendas.

"Perdemos quase toda uma indústria automotiva instalada no país em empregos", afirmou o executivo ao comparar o fechamento de vagas nas concessionárias com total de trabalhadores empregados nas montadoras, inferior a 127 mil pessoas.

Segundo a entidade, 7,1 mil revendas de veículos permanecem ativas em mil municípios brasileiros, empregando aproximadamente 380 mil pessoas.

REVISÃO NAS PROJEÇÕES

Na falta de reação do mercado, a Fenabrave voltou a revisar para baixo suas projeções do desempenho do setor neste ano, prevendo agora queda de 19,5% nas vendas de carros de passeio e utilitários leves.

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Na previsão anterior, anunciada em agosto, a entidade projetava redução menor, de 18%, nos emplacamentos desse segmento. Se confirmada a projeção, o setor terminará o ano com vendas de 1,99 milhão de carros.

Para as vendas de caminhões, a expectativa de queda passou de 27,2% para 28,5%, enquanto a projeção à redução no mercado de ônibus foi revista de 19% para 23%.  

Apesar da nova revisão para baixo de suas previsões ao desempenho deste ano, Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, considerou que o consumo de veículos chegou ao "fundo do poço", mas projetou a retomada do crescimento em 2017.

Embora a entidade ainda não tenha anunciado quais são suas projeções para o ano que vem, com base na melhora da confiança, na tendência de queda dos juros e na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% no próximo ano, a perspectiva da Fenabrave é que 2017 seja um ano melhor para o mercado automotivo.

*Atualização às 18h10