Negócios

Como o Paraguai quer alavancar seus negócios


Potencial turístico e facilidades empresariais do país foram apresentados em um seminário na ACSP. Nos últimos anos, empresas brasileiras apostaram no destino para ampliar suas operações


  Por Mariana Missiaggia 16 de Dezembro de 2019 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Por muitas décadas o Paraguai teve como chamariz o comércio de produtos importados - de roupas a eletrônicos de última geração – e embora esse ainda seja um setor importante, o país tenta deixar para trás o estigma de um destino de compras e mostrar seus outros atrativos.

Se destacando no mercado Mercosul, a economia paraguaia deve registrar uma alta de quase 7%, segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), levando os paraguaios de um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 42 bilhões, em 2018, para US$ 58 bilhões em 2023 – uma alta de quase 40%. Essa perspectiva, muito superior ao de seus vizinhos sul-americanos, direciona o governo a apostar em suas potencialidades e apresentar um novo perfil turístico e também empresarial.

Na última quarta-feira (11/12), representantes da São Paulo Chamber of Commercee e da Secretaria Nacional de Turismo do Paraguai (Senatur), se reuniram na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para um seminário que expôs as virtudes do setor turístico paraguaio. Os brasileiros são o segundo maior grupo de turistas por
nacionalidade a visitar o país, representando 15,4% de todos os estrangeiros que estiveram no Paraguai em 2018.

Na ocasião, Nelson Kheirallah, vice-presidente da ACSP, e Sofia Montiel de Alfara, do Ministério do Turismo do Paraguai, assinaram um acordo de cooperação entre a entidade e a Senatur. Rita Campagnoli, presidente Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (Ceciex), Francisco Denes Pereira, assessor internacional para América Latina da Secretaria Municipal de Relações Internacionais de São Paulo e Miguel Calderaro Giacomini, secretário municipal de turismo de São Paulo, também acompanharam o seminário.

“Vamos dar início a trabalhos paralelos no sentido do desenvolvimento e da troca de informações, especialmente, na área de turismo. Esse acordo representa o primeiro passo para essa integração entre São Paulo e Paraguai”, diz Kheirallah.

O equilíbrio econômico paraguaio tem atraído muitos investidores de países vizinhos, de acordo com Sofia, que destaca a mão de obra jovem abundante, os menores juros e a perspectiva de crescimento do PIB como as principais vantagens competitivas do país que a ministra define como confiável e previsível.

Na opinião de Juan Angel Delgadillo, embaixador do Paraguai no Brasil, os dois países possuem economias complementares e juntos podem criar mais empregos e assim, gerar benefícios compartilhados. O comércio bilateral entre as duas nações apresentou um aumento significativo nos últimos três anos, com a venda de produtos brasileiros ao Paraguai totalizando aproximadamente US$ 3 bilhões no ano passado. Enquanto as importações brasileiras
de produtos provenientes do Paraguai representaram pouco mais de US$ 1 bilhão.

UM DESTINO DE NEGÓCIOS

No cenário empresarial, algumas brasileiras, como a Riachuelo, Ambev e Estrela, aproveitaram os incentivos e baixos impostos para abrir fábricas em solo paraguaio, nos últimos anos. Durante a última década, o Paraguai melhorou as suas classificações em investimento e implementou diversas leis para incentivar o capital nacional e estrangeiro no país, segundo Sebastian Bogado, representante do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai.

Um dos exemplos citados por Bogado é a Lei de Garantia de Investimentos, que garante à empresa a isenção de todos os impostos sob o montante investido e lucro líquido obtido pela transferência do capital. Além disso, ele destaca a oferta de energia proveniente da usina binacional de Itaipu, os baixos custos trabalhistas, a facilidade de
obtenção de crédito e licenças para construção e um regime tributário simplificado.

MUITO ALÉM DAS COMPRAS

Javier Ramirez, diretor de serviços turísticos da Secretaria Nacional de Turismo do Paraguai, falou sobre os novos circuitos turísticos desenvolvidos para que o visitante possa vivenciar a cultura, história e natureza paraguaia. Entre os exemplos citados está a rota de La Caña, que conta a história do cultivo da cana-de-açúcar no Paraguai e toda a transformação da planta em aguardente e açúcar.

Há também um circuito artesanal com artesanato típico indígena a partir de algodão, couro, metal e madeira. Outro atrativo, a rota Ka’a, nome guarani para designar a erva mate, traça um mapa pelas cidades onde a planta é cultivada, transformada em produto e servida por bares e restaurantes.