Negócios

Comércio varejista teve queda de 0,6% nas vendas em maio


Pesquisa Mensal do Comércio aponta que as vendas de seis dos oito segmentos analisados tiveram queda no mês da greve dos caminhoneiros, de acordo com o IBGE. Supermercados avançaram


  Por Agência Brasil 12 de Julho de 2018 às 09:55

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O volume de vendas do comércio varejista nacional recuou 0,6% de abril para maio deste ano. A queda praticamente descontou a alta de 0,7% registrada na passagem de março para abril.

O dado da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) foi divulgado nesta quinta-feira (12/07) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos outros tipos de comparação temporal, no entanto, o volume do comércio avançou: média móvel trimestral (0,4%), comparação com maio de 2017 (2,7%), acumulado do ano (3,2%) e acumulado de 12 meses (3,7%).

Seis das oito atividades do comércio varejista pesquisadas tiveram queda, com destaque para o segmento de combustíveis e lubrificantes (6,1%).

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Também tiveram recuo na produção as atividades de livros, jornais, revistas e papelaria (6,7%), equipamento e material para escritório, informática e comunicação (4,2%), tecidos, vestuário e calçados (3,2%), móveis e eletrodomésticos (2,7%) e artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (2,4%).

A única atividade com alta foi supermercados, alimentos, bebidas e fumo, com 0,6%. O segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico manteve-se estável.

O varejo ampliado, que também inclui os segmentos de veículos e de materiais de construção, recuou 4,9%, principalmente por causa da queda de 14,6% na atividade de venda de veículos, motos, partes e peças. O volume de comércio dos materiais de construção também caiu: 4,3%.

O varejo ampliado também teve queda na média móvel trimestral (0,6%), mas avançou em relação a maio de 2017 (2,2%), no acumulado do ano (6,3%) e no acumulado de 12 meses (6,8%).

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A receita nominal do comércio varejista caiu 0,3% na comparação com abril, mas cresceu 0,6% na média móvel trimestral, 4,1% na comparação com maio do ano passado, 3,8% no acumulado do ano e 3,1% nos 12 meses.

A receita do varejo ampliado recuou 3,6% na comparação com abril e 0,3% na média móvel trimestral. Houve crescimentos de 3,4% na comparação com maio de 2017, 6,6% no acumulado do ano e 5,8% no acumulado de 12 meses.

GREVE

A paralisação dos caminhoneiros, que resultou em bloqueios de estradas de todo o País durante 11 dias do mês de maio, pode ter efeito sobre as vendas do varejo também em junho, após já ter prejudicado os resultados do mês anterior, contou Isabella Nunes, gerente na Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Eatística (IBGE).
 
"Não se pode imaginar que logo no começo de junho todo o comércio seja abastecido. Mas isso é informação que a gente vai coletar no mês de junho", frisou Isabella. "A greve trouxe um choque de oferta, que para se normalizar leva um tempo", completou.
 
FECOMERCIO
 
A alta de 2,2% do varejo divulgada pelo IBGE surpreendeu positivamente a FecomercioSP.
 
"A indústria se retraiu 6,6% em maio e, com todas as categorias no negativo, se esperava que o varejo pudesse acompanhar o desempenho da indústria, não necessariamente na mesma magnitude, mas na tendência", diz a entidade em nota.
 
"O comércio teve a vantagem de o mês de maio ser tradicionalmente importante nas vendas por conta do Dia das Mães, o que ajudou a minimizar os impactos negativos da greve", explica o documento, citando também um efeito de antecipação de compras nos supermercados.

A FecomercioSP avalia que os reflexos da paralisação se estenderam para o início de junho e podem prejudicar o resultado do mês, já que houve antecipação e estocagem de alimentos pelas famílias.

De qualquer modo, a reação da economia tem ocorrido de forma mais lenta do que o esperado pela entidade, diz a nota.
 
"Os índices de confiança da Fecomercio, de consumidores e empresários, reverteram a curva e agora apresentam quedas seguidas.
 
O alto nível do desemprego ainda assusta e a população não sentiu a inflação mais baixa. Com isso há um movimento de mais cautela no consumo e na contração de crédito", explica.
 

IMAGEM: Thinkstock