Negócios

Comércio se desdobra para vender no Dia das Mães


Apesar da pretensão de compra menor por parte dos consumidores, segundo pesquisa da Boa Vista, associações comerciais de todo o estado de São Paulo criam alternativas para ajudar lojista a vender


  Por Karina Lignelli 08 de Maio de 2020 às 16:10

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Associações comerciais do interior paulista, ligadas à Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), criaram uma série de alternativas para ajudar os lojistas locais a venderem nesse Dia das Mães, que será comemorado em meio às medidas de restrição impostas para combater a pandemia de covid-19. 

Sem poder abrir suas lojas, os empresários estão sendo incentivados a adotar estratégias digitais. Em Bastos, uma ferramenta on-line ajuda a intermediar o contato direto entre lojistas e consumidores pelo whatsapp. Em Limeira, a plataforma "Pede pelo Zap" auxilia lojistas a entregar via delivery, com divulgação nas redes sociais.

Holambra, Socorro e Assis criaram campanhas institucionais para incentivar a comprar on-line do pequeno negócio. Em Sorocaba, peças digitais gratuitas foram disponibilizadas para associados divulgarem marca e produtos no Facebook e Instagram, além de enviarem e-mail marketing personalizado.    

A associação de Itanhaém criou um catálogo de produtos para os lojistas locais fazerem propaganda e, em Marília, uma plataforma que funciona como uma espécie de shopping on-line permite comprar, vender e até entregar presentes para mães.  

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Nesta sexta-feira (08/05), pré-Dia das Mães, o governo paulista ampliou a quarentena para o próximo dia 31 de maio. Com o impedimento de funcionar, dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que o setor deve levar um tombo histórico no volume de vendas na data, estimado em 60%

A esperança para o comércio é que as mães não ficarão de mãos vazias: mesmo com disposição para gastar 39 pontos percentuais abaixo de 2019 - o menor resultado da série histórica de cinco anos, segundo levantamento da

Boa Vista feito com 650 consumidores -, 82% pretendem desembolsar até R$ 100 no presente. 

A queda no ticket médio, que já vinha sendo observada em anos anteriores, segundo a pesquisa, será mais acentuada em 2020. Dos R$ 196 previstos em 2019, o gasto para 2020 está na faixa dos R$ 120. 

Outro dado também pode animar, pelo menos um pouco, os lojistas. Na pesquisa, a Boa Vista também constatou que o isolamento social aumentou a intenção de presentear também as esposas: de 5% em 2019, esse total subiu para 31% em 2020. No entanto, as mães ainda são maioria, representando 48%.

Os itens de uso pessoal, como vestuário, calçados, cosméticos e joias ainda são a principal opção de presente, mesmo com as lojas físicas fechadas, assim como um aumento na escolha por presentear com flores.

Refletindo o momento atual, aumentou o percentual de consumidores que farão compras pelo e-commerce: dos 14% em 2019, agora são 41% com esta intenção. Em supermercados, considerado atividades essenciais e, por isso, com permissão para funcionar, o percentual saltou de 2% para 12%. 

Porém, devido ao cenário recessivo gerado pelo combate à covid-19, 71% pretendem gastar menos na data. Em 2019, 19% tinham este intuito. Apenas 6% dizem que irão gastar mais agora que no ano passado, quando 26% pretendiam desembolsar mais. Outros 34% alegam que não vão presentear devido à redução de renda.  

PARA NÃO PERDER MUITO 

Outro levantamento da Boa Vista, feito com 500 micro e pequenos empresários de comércio e serviços entre 23 e 30 de abril, aponta que, apesar dos esforços, neste Dia das Mães não há muito o que comemorar. Do total, 55% esperam quedas nas vendas ante 2019, e para 93% haverá retração dos gastos pelo consumidor. 

Marcel Solimeo, economista da ACSP, que diz que o simbolismo da data é muito grande, acredita que as vendas seriam ainda mais prejudicadas caso ela fosse transferida para agosto, conforme sugeriu o governador João Doria.

"A diferença de comportamento entre os setores geraria uma queda mais acentuada - como o de confecções, muito puxado pelas compras por impulso e que perde mais com as lojas fechadas", diz. "Quem não vender hoje já deixou de vender, e nem todos estão no e-commerce ou são supermercados para aproveitar a data."

Por isso, segundo a pesquisa da Boa Vista, 85% dos entrevistados já adotaram ou irão implantar ações para manutenção do negócio como medidas para sobrevivência, e 62% tentarão evitar despesas extras, além da redução de custos fixos e renegociação com fornecedores.

Questionadas sobre medidas para contornar esse cenário e alavancar as vendas nesse Dia das Mães, as empresas apontam ações como estimular vendas nas redes sociais, novas promoções, facilitar o prazo de pagamento, conceder descontos em produtos de estoques e criar um canal de vendas on-line (próprio ou parceria). 

Mesmo adotando ações de incentivo, empresários acreditam que consumidores irão priorizar outros produtos em vez do tradicional presente, por meio de compras on-line. Quando o tema abordado é perspectiva de melhora no Brasil, 77% acreditam recuperar os negócios em até 12 meses, após a pandemia.

O estudo identificou também que 53% das MPEs já atuam com vendas pela internet (56% dentro do setor de comércio, e 48% em serviços), e 39% dos negócios, em média, são realizados através de sites de terceiros.

Em média, 41% das MPEs declararam que iriam realizar alguma ação on-line para alavancar as vendas para o Dia das Mães, principalmente no comércio. Para 66% das empresas que atuam com e-commerce, o faturamento do on-line não ultrapassa 30% da representatividade no faturamento total.  

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