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Comércio: queda de 0,4% em outubro confirma lenta recuperação


É possível que a expectativa pelos cortes de preços na Black Friday, realizada no dia 23 de novembro, tenha prejudicado os resultados do setor outubro, de acordo com analista do IBGE


  Por Agência IBGE Notícias 13 de Dezembro de 2018 às 09:46

  | Informações e análises do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas


No segundo mês consecutivo de queda na comparação mensal, o volume de vendas do comércio varejista no país caiu 0,4% em outubro, na série com ajuste sazonal da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta quinta-feira (13/12) pelo IBGE.

O resultado negativo reafirma a tendência de recuperação lenta do setor, que cresceu 1,9% em relação a outubro de 2017 e mantém alta de 2,2% no acumulado no ano.

De acordo com a gerente da pesquisa, Isabella Nunes, o setor teve uma perda de fôlego, com dois resultados negativos mensais seguidos.

“Está mais distante do melhor ponto, que foi outubro de 2014. Nada disso tira o comércio da tendência de recuperação, mas de forma gradual. O setor praticamente repetiu o resultado do mês anterior”.

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A queda foi disseminada entre as atividades do comércio. Das oito pesquisadas, cinco apresentaram baixa na comparação com setembro: Combustíveis e Lubrificantes (-1,2%), Móveis e Eletrodomésticos (-2,5%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-7,4%) e Tecidos, vestimentas e calçados (-2,0%).

Isabella avalia os motivos para esse movimento de queda nas vendas, em particular dos combustíveis e livros.

“Os combustíveis vêm sendo impactados pelo aumento sistemático de preços, podemos ver isso porque há aumento nas receitas. Enquanto isso, os livros acumulam 15,7% de queda em seis meses. Essa atividade vem perdendo fôlego pela substituição do meio impresso pelo eletrônico, e, também, pelo fechamento de lojas físicas”, diz a gerente do IBGE.

Também é possível que a expectativa pelos cortes de preços na Black Friday, realizada no dia 23 de novembro, tenha prejudicado os resultados do comércio em outubro em algumas categorias pesquisadas.

“O grupo de tecidos, vestimentas e calçados caiu 2% após quatro meses de taxas positivas. Enquanto isso, móveis e eletrodomésticos vem com -2,5%, após dois índices positivos. São atividades que têm uma presença forte na promoção em novembro, isso pode sinalizar um adiamento do consumo”, analisa Isabella.

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No comércio varejista ampliado, que inclui Veículos e motos e Materiais de construção, a taxa foi de -0,2%, beneficiada pelo bom desempenho dessas duas categorias. A primeira variou 0,1%, enquanto a segunda teve alta de 1,3% em outubro.

ANÁLISE DA ACSP

Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti, os resultados de outubro do comércio brasileiro divulgados pelo IBGE “vieram abaixo do esperado e podem ser explicados por dois fatores: incerteza política e espera pela Black Friday”.

Para ele, “a insegurança do consumidor em torno da eleição, com um pleito dividido entre lados bem opostos na cena política, provocou a postergação de vendas; ele não quis se comprometer com grandes compras sem saber quem comandaria o futuro do País”. Além disso, é possível que o consumidorr tenha optado por esperar as ofertas da Black Friday.

Ele afirma ainda que o aumento de 1,9% no varejo restrito frente a outubro de 2017, que ficou abaixo do esperado, é uma tendência já identificada pela ACSP, que na semana passada divulgou estimativa de crescimento mais modesto ? entre 2% e 3% ? para as vendas de fim de ano.

Burti também destaca que o avanço de 7,8% no segmento “outros artigos de uso pessoal e doméstico” foi puxado pelo Dia das Crianças, uma vez que inclui brinquedos.

Já o ramo de supermercados, que tem o maior peso dentro do cálculo do IBGE, subiu apenas 2,2%, seguindo o comportamento da massa salarial.

“Além disso, é preciso chamar atenção para a queda elevada de 23,1% no ramo de livros, jornais, revistas e papelaria, o que reflete o cenário de demissões e recuperações judiciais de editoras e empresas do setor”, diz o presidente da ACSP.