Negócios

Comércio paulistano acumula queda nas vendas de 5,2% em 2015


Somente em setembro, o movimento recuou 9,15% ante igual mês de 2014


  Por Mariana Missiaggia 02 de Outubro de 2015 às 12:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


O varejo da cidade de São Paulo registrou declínio da ordem de 9,15% no mês passado, de acordo com o levantamento Balanço de Vendas da ACSP (Associação Comercial de São Paulo).

No acumulado de janeiro a setembro, a queda média atinge 5,2% comparada a igual período de 2014. Houve recuo de 4,7% nas vendas a prazo e de 5,7% nas operações à vista. 

Para Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), esses resultados decorrem, principalmente, do encarecimento do crédito e da queda da confiança do consumidor – que está cada vez mais inseguro no emprego.

“Enquanto não for restabelecida a confiança, tanto do consumidor quanto do empresariado, dificilmente conseguiremos reverter este quadro”, afirma Burti.

SETEMBRO

De acordo com o indicador de vendas a prazo e à vista, em setembro as vendas caíram 8,2% e 10,1%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2014. Na média, portanto, a queda em setembro atingiu 9,15%. Os resultados foram impactados pelo fato de que, em 2015, o mês teve um dia útil a menos.

Burti diz que o desempenho das vendas é sinal de que o cenário não deverá apresentar melhora até o fim do ano - se não sofrer ainda impacto mais negativo em decorrência de fatos políticos ou econômicos.

Na comparação com agosto, as compras a prazo apresentaram alta de 2,6%. Para Burti, esse efeito positivo pode ser explicado por um movimento de antecipação de compras de maior valor feitas pelos consumidores para se protegerem contra altas do dólar.
Já a queda de 11,1% na comercialização à vista decorre de sazonalidade, considerando-se a base mais forte de comparação em agosto, que contou com a data do Dia dos Pais.

INADIMPLÊNCIA

De forma geral, a inadimplência no comércio paulistano permaneceu em níveis estáveis, mas com propensão a subir.
O IRI (Indicador de Registro de Inadimplentes), que mede os atrasos nos carnês das lojas - sem contabilizar os débitos bancários, nem dívidas com tarifas públicas -luz, água e outros serviços - apresentou queda de 8,8% na comparação interanual. No acumulado do ano, a redução foi de 8%.

O IRC (Indicador de Recuperação de Crédito), que mensura o cancelamento de dívidas – registrou diminuição de 7,8% em setembro deste ano ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado de 2015, o recuo foi de 10,3%.

*Foto: Thinkstock