Negócios

Comércio deve ganhar fôlego com R$ 9 bi a mais na economia


Esse é o valor da primeira parcela do 13º salário que começa a ser paga a partir de hoje para os aposentados. Olimpíada melhorou humor do consumidor, de acordo com lojistas


  Por Fátima Fernandes 25 de Agosto de 2016 às 15:28

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


No esporte, até que o Brasil teve um bom desempenho neste mês, ao conquistar 19 medalhas nos jogos olímpicos. Mas a festa esportista acabou e, no campo econômico, nada mudou no país. O desemprego é recorde e a inflação e as taxas de juros continuam nas alturas. Mas o varejo pode ter algum respiro na virada deste mês.

A partir desta quinta-feira (25/08) até 8 de setembro, 23,6 milhões de aposentados terão em suas contas R$ 9 bilhões a mais devido ao pagamento da 1ª parcela do 13º salário.

Esse valor que entra na economia, equivalente ao tamanho do PIB da cidade de São Carlos (SP), representa um aumento de 45% em relação aos R$ 20 bilhões que são pagos mensalmente para aposentados e pensionistas no país.

“O montante pode gerar um efeito positivo para o varejo nas vendas de setembro e melhorar o clima para os negócios, apesar de não haver data comercial em setembro”, afirma Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Outros dois fatores podem dar um empurrãozinho nas vendas. O sucesso da Olimpíada, que provocou uma melhora no humor do brasileiro, e a chegada da coleção primavera-verão às lojas, de acordo com lojistas consultados pelo Diário do Comércio.

Até agora, os indicadores do varejo não são nada positivos. Mas as quedas nas vendas, na comparação com o ano passado, começam a diminuir, o que já é considerado um bom sinal.

O volume de vendas do varejo paulista, incluindo os setores de material de construção e concessionárias de veículos, caiu 10,5% em junho em relação a igual período de 2015, de acordo com a pesquisa ACVarejo, da ACSP. Em maio a queda foi maior, de 12,9%.

Daqui para a frente o comércio vai viver de “espasmos”, e a recuperação das vendas não será rápida, terá de ser construída. É o que afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP.

O que ele chama de “espasmos” são os períodos em que o consumidor fica mais bem humorado, por algum motivo, o que pode ter algum reflexo positivo em vendas.

O sucesso da Olimpíada no Brasil é um bom exemplo. A seleção brasileira não ganhou de 7 a 1 da seleção alemã, diz ele, mas o resultado do jogo deu uma animada no humor do consumidor.

“Alguns supermercados estavam lotados no último final de semana (20 e 21/08). É bem provável que as lojas de material esportivo venderam e continuam vendendo mais camisetas verde e amarela” diz Alfieri.

Economistas projetam quedas menores nas vendas do comércio para este semestre. Último levantamento feito pelo IBGE mostra que, em junho, o volume total de vendas do varejo no país caiu 5,3% na comparação com igual mês de 2015.

A consultoria MacroSector prevê para julho e para este mês uma queda menor nas vendas do varejo, de 4,5%, na comparação com os mesmos meses do ano passado.

“O que estamos sentindo neste final de mês é que, de fato, os negócios pararam de piorar”, afirma Nelson Tranquez Jr., presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) do Bom Retiro.

O frio dos últimos dias afugentou os clientes. E não poderia ser diferente. O estoque de inverno acabou e as vitrines começam a estampar peças mais leves.

Mas a expectativa dos lojistas é que o semestre terá melhor desempenho do que o mesmo período do ano passado. A definição do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff pode ajudar a destravar as vendas.

TRANQUEZ, DA CDL: AGUARDANDO DESFECHO DO IMPEACHMENT PARA FATURAR MAIS

“A partir de outubro, todos esses eventos que seguram o consumo devem ficar para trás, e o comércio vai precisar renovar os estoques. Vamos produzir, portanto, a mesma quantidade do ano passado, não menos”, afirma Stéfanos Anastassiadis, diretor da Controvento, uma das mais tradicionais confecções de roupas femininas do Bom Retiro.

Para Jean Makdissi Jr., diretor da Íntima Store, especializada em lingeries, e conselheiro da Alobrás, associação que reúne os lojistas do Brás, a confiança do consumidor já está mais alta devido “às circunstâncias políticas menos instáveis. A economia dá sinais de uma leve recuperação, o que deve influenciar positivamente os negócios.”

Neste semestre,como afirma, a Íntima Store deve comprar o mesmo volume ou até 10% mais do que em igual período do ano passado. 

Os lojistas do Brás, de acordo com ele, acreditam que o Natal deste ano será mais uma vez de lembrancinhas, o que pode beneficiar o comércio da região, que vende produtos numa faixa de preço mais em conta.

Fauze Yunes, sócio-proprietário da Dinho`s, confecção especializada em jeans, diz que, por enquanto, a empresa vai manter a produção igual à do ano passado, mas tem fôlego para aumentar na medida em que as vendas cresçam.

“O encerramento do processo de impeachment e temperaturas mais elevadas devem melhorar as vendas daqui para a frente”, afirma. Ainda é cedo para estimar as vendas para o Natal, diz ele, mas tudo indica que deverão ser melhores do que as do ano passado.

No ano do impeachment do presidente Collor, em 1992, a demanda pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), termômetro das vendas a prazo, caiu 10%. No ano seguinte, o ritmo de vendas no mês oscilou entre queda e crescimento e o ano acabou terminando com alta de 1,3% nas vendas a prazo.

Se o que aconteceu em 1992 se repetir neste ano, diz Alfieri, o varejo vai conseguir ter números positivos no ano que vem.

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Fotos: Thinkstock e Fátima Fernandes