Negócios

Comércio antecipa a Black Friday


A tentativa é fisgar o comprador antes da concorrência e reanimar as vendas abaladas pela crise


  Por Estadão Conteúdo 19 de Novembro de 2016 às 12:06

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Com estoques altos na indústria e no varejo, as lojas físicas e o comércio online anteciparam a Black Friday, a megaliquidação marcada para a próxima sexta-feira.

A tentativa é fisgar o comprador antes da concorrência e reanimar as vendas abaladas pela crise.

Neste ano, diferentemente do que ocorreu em 2015, um grande volume de promoções com a chancela Black Friday teve início no mês passado.

Um levantamento nacional feito a pedido do jornal O Estado de S.Paulo pela empresa de pesquisa de preços Shopping Brasil revela que 30% das promoções anunciadas em tabloides e em jornais já levam a marca Black Friday desde o início de outubro.

No mesmo período do ano passado, apenas 2,25% das promoções citavam a megaliquidação.

O levantamento engloba eletroeletrônicos, alimentos, itens de higiene e beleza, bazar, perecíveis e farmácia, vendidos em supermercados, hipermercados, atacados, lojas de eletroeletrônicos e farmácias.

"A campanha está bem agressiva por causa da crise e as lojas estão tentando recuperar a queda nas vendas que houve neste ano", afirma a diretora da Shopping Brasil, Renata González.

A Via Varejo, que reúne as bandeiras Casas Bahia e Ponto Frio, por exemplo, começou a fazer campanha de Black Friday com um número reduzido de itens desde o segundo final de semana de outubro, sempre às sextas e aos sábados, tanto no site como na loja física.

"Detectamos que existia um represamento do consumo para fazer as compras no dia da Black Friday e resolvemos antecipar", diz Luiz Henrique Vendramini, diretor comercial da Via Varejo.

O executivo nega que a antecipação da liquidação esteja relacionada com o grande volume de produtos disponíveis hoje no mercado. Mas admite que as negociações com a indústria foram mais favoráveis e que os preços ao consumidor serão mais agressivos do que em 2015.

"Neste ano conseguimos uma negociação mais favorável com a indústria", conta Patrícia Nina, vice-presidente para lojas físicas da varejista Walmart.

Em 2015, o desconto obtido com as fábricas foi de, no máximo, 30% e, neste ano, supera 40%.

Por questões estratégicas, a empresa não revela qual será o desconto oferecido ao consumidor na Black Friday deste ano, mas provavelmente o abatimento deve acompanhar o que foi obtido na negociação com as indústrias.

O Walmart é outro varejista que decidiu antecipar a Black Friday. A campanha começa na segunda-feira e vai até domingo, dia 27.

Patrícia diz que no dia 25 (o dia da Black Friday), o preço será ainda mais baixo. A executiva nega que a promoção tenha sido antecipada por causa dos estoques elevados.

Para o economista da Associação Comercial de São Paulo, Emílio Alfieri, o marketing da Black Friday é a tábua de salvação para mitigar as perdas acumuladas pelo varejo no ano. "O mercado está sozinho não tem a macroeconomia para ajudar."

Para Flávio Borges, superintendente do SPC Brasil, o consumidor está mais preocupado com o desconto. De 2015 para este ano, mais que dobrou, de 12,9% para 24,9%, a parcela de pessoas preocupadas com o abatimento, segundo aponta a pesquisa feita pela empresa.

ATÉ OS BANCOS ENTRAM NA DANÇA

A Black Friday brasileira, a megaliquidação inspirada no evento que ocorre todos os anos no varejo dos Estados Unidos um dia depois do dia de Ação de Graças, quando as lojas liquidam os estoques antigos de produtos, virou um balaio de gatos.

De alimento a veículos, passando por viagens e até diária de motel, tudo é passível de desconto.

Na Black Friday deste ano ganhou força o abatimento em produtos financeiros, especialmente no momento em que a demanda por crédito está em baixa e os bancos querem ampliar o volume de empréstimos.

O banco Santander, por exemplo, vai oferecer condições especiais para linhas de crédito destinadas a pessoas físicas e jurídicas entre os dias 21 e 25 deste mês.

No crédito pessoal e no consignado, por exemplo, o corte na taxa de juros é de 15%. Para a empresa que contratar duas ou três maquininhas de cartão, o desconto será de 50% no valor do aluguel até o carnaval, diz o banco.

O Estado apurou que o Itaú Unibanco também deve a aproveitar a Black Friday para comercializar planos de Previdência. Procurada, a assessoria de imprensa do banco informou, até o fechamento desta edição, que não havia conseguido resposta da área responsável.

Por causa da crise, o aperto neste ano é tão grande no varejo que até pratos prontos e viagens de intercâmbio vão entrar na rota de descontos.

As lojas do Hirota Food Express vão oferecer corte de 20% no preço de oito pratos prontos só no dia 25 de novembro. Já a empresa de intercâmbio Global Study começou ontem a dar desconto de até R$ 8 mil em viagens de intercâmbio para estudantes.

Com tantos setores envolvidos, a expectativa do mercado é que a Black Friday deste ano atinja faturamento de R$ 2,1 bilhões, com crescimento de 34% em relação ao evento de 2015, apesar da crise.

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