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Comércio acumula recuo de 20% nas vendas na primeira quinzena


Apesar da sazonalidade, queda maior já era esperada. Alta dos juros, recessão econômica, crédito escasso e diminuição da renda agravam o cenário para o varejo, diz ACSP


  Por Karina Lignelli 18 de Janeiro de 2016 às 16:12

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O movimento fraco doano passado continua em 2016. Sazonalmente, o início do ano é de recuo nas vendas do varejo, mas que geralmente não passa de um dígito. Com a recessão econômica, esta queda média, considerando as vendas a vista e a prazo, chegou a 20% na primeira quinzena de janeiro ante igual período de 2015.

O resultado é bastante significativo, já que nos anos anteriores, a queda sazonal média era de 3,3%.

Já na comparação com os primeiros 15 dias do mês anterior, o tombo foi ainda maior, de 37,9%. Neste caso, no entanto, a diferença não foi tão acentuada, há que em outros períodos o padrão médio de baixa sazonal é de 34,3% - ou seja, nas comparações da primeira metade dos mês de dezembro com a de janeiro. 

Os dados são do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), divulgados nesta segunda-feira (18/01).  

“Essas retrações já eram esperadas. Contudo, não podem ser projetadas para o restante do ano, uma vez que há expectativa de alguma melhora a partir do segundo trimestre”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

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No movimento de vendas a prazo, a queda foi de 33,4% na primeira quinzena de janeiro ante dezembro – um número bem superior ao recuo médio de 25,7% dos três últimos anos. Na comparação interanual, o resultado foi de uma redução de 18,7%.

Além de alta dos juros, recessão econômica, escassez do crédito e queda na confiançado consumidor, a alta do dólar pressionou os custos da indústria de bens duráveis e esse conjunto de fatores explica a maior redução nas vendas do comércio, afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP.

“A redução dos incentivos a notebooks, tablets e celulares (a chamada “Lei do Bem”), também influenciou”, completa.

O movimento de vendas à vista, que caiu 42,3% ante dezembro, e 21,4% na comparação interanual, ficou dentro da normalidade nessa época do ano. Geralmente, o declínio médio é de 42,8%, segundo o economista.

Adiminuição da massa salarial e, mais uma vez, a pressão da alta do dólar sobre os preços de vestuário e calçados contribuíram para o forte recuo nas vendas. Apesar disso, apenas alguns itens tiveram bom desempenho no período, como os cosméticos e artigos de farmácia e higiene pessoal, como repelentes e protetores solares.

CRÉDITO ESCASSO

O total de pessoas que buscou crédito em 2015 cresceu 1% no acumulado do ano na comparação com 2014, informa a Serasa Experian. É o quarto ano consecutivo de fraco desempenho.

No período entre 2008 e 2011, o crescimento médio anual da procura do consumidor por crédito foi bem mais expressivo: 7,1%.

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Economistas da Serasa dizem que a alta da inflação, os esforços do consumidor em reduzir seus níveis de endividamento, a escalada das taxas de juros e do custo do crédito e a alta do dólar determinaram o desempenho enfraquecido da demanda do consumidor por crédito em 2015.

Na comparação por faixas de renda, houve queda de 4,2% para os consumidores que recebem até R$ 500 por mês. Para os que ganham entre R$ 500 e R$ 1 mil mensais, o crescimento da demanda por crédito foi de 1%.

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Já para os que recebem entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, foi de 2,2%, e para os que têm renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, a alta foi de 1,3%.

Houve menor crescimento nas camadas de renda mais elevadas da população. A alta foi de 0,2% para os que ganham entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Por outro lado, a alta ficou em 0,5% para aqueles que recebem mais de R$ 10 mil por mês.

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