Negócios

Com promoções no varejo, brasileiros voltam a comer melhor


Na contramão das regras de marketing, as promoções incluíram itens de primeira necessidade, como óleo de soja. Para consultoria, solução não deve ser vista como sinal do fim da crise, mas de paliativo para o consumo


  Por Estadão Conteúdo 03 de Dezembro de 2016 às 15:30

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Na crise, o brasileiro voltou a comer um pouco melhor por causa das promoções. Embalagens econômicas, dias especiais de desconto e até ofertas de dois itens vendidos pelo preço foi a saída encontrada pelo varejo para movimentar o setor de alimentação. 

No terceiro trimestre, o consumo de uma cesta de 96 categorias de produtos, entre alimentos, bebidas e itens de higiene e limpeza, cresceu 3,6% em unidades e 4,9% em valor, já descontada a inflação, na comparação com os mesmos meses de 2015. O crescimento foi puxado pelos alimentos e pelas promoções.

A constatação é da Kantar Worldpanel. A consultoria visita semanalmente 11 mil domicílios em todo o país para radiografar o consumo da população. 

"Estamos menos piores e as promoções em alimentos estão atraindo mais pessoas para dentro das lojas, até mesmo para a compra de produtos básicos", afirma a diretora comercial da consultoria e responsável pela pesquisa, Christine Pereira.

Entre julho e setembro, os alimentos impulsionaram o consumo de bens não duráveis e essa foi a única cesta de produtos a apresentar aumento na frequência de compras, de 2,9%, em comparação com o terceiro trimestre de 2015.

A consultora explica que 55,5% das famílias aumentaram o número de idas às lojas, visitando os estabelecimentos mais de cinco vezes na semana, atraídos pelas promoções. Em três viagens às lojas, os consumidores declararam que compraram produtos que estavam em oferta, aponta a pesquisa.

PROMOÇÃO DE PRODUTOS BÁSICOS 

Um resultado chama atenção e revela o estrago que a crise provoca no orçamento das famílias: na lista de ofertas, estão muitos produtos que são básicos e cujo consumo está consolidado, como óleo de soja, papel higiênico e biscoito, por exemplo.

No óleo de soja, a pesquisa constatou um aumento de 5,4% na compra porque o produto estava em promoção no terceiro trimestre. Movimento com proporções semelhantes se repetiu no biscoito, papel higiênico, iogurte e sabonete. 

Em contrapartida, o consumo de itens mais supérfluos, que vinha avançando, como suco pronto e antisséptico bucal, recuou porque não foram alvo de promoções.

"As promoções dão um respiro”, explica a responsável pela pesquisa, “mas isso não significa que a crise já tenha passado. É uma alternativa para que as famílias comprem o que precisam.”

A força da promoção, especialmente para itens de primeira necessidade, ficou nítida com o grande movimento nos supermercados no dia da Black Friday. A corrida do consumidor para encher o carrinho, especialmente de alimentos em oferta, provocou a falta de muitos itens nas prateleiras.

PRODUTOS EM FALTA

Em outubro, de uma lista de 100 itens, entre alimentos, bebidas, higiene e limpeza doméstica, mais de 10 estavam faltando nas lojas, segundo levantamento feito pela consultoria Neogrid/Nielsen em 10 mil lojas de supermercados do país.

"Uma possível razão para a falta de produtos é o aumento nas promoções do tipo leve três pague dois", diz Robson Munhoz, diretor da consultoria e responsável pelo relacionamento com o varejo. 

O índice de falta de produtos nas prateleiras, conhecido no jargão do setor como de ruptura, começou o ano em 13%, bem acima da média histórica de 8%. Caiu até julho, quando fechou o mês em 9,5%. De lá para cá, veio gradativamente aumentando.







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