Negócios

Com Dia dos Pais fraco, vendas do comércio caem 9,5% em SP


Dentro das expectativas, o resultado da quinzena sinalizou uma ligeira propensão a diminuir a intensidade da queda, segundo balanço da ACSP


  Por Karina Lignelli 16 de Agosto de 2016 às 18:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A previsão se confirmou e nem as vendas para o Dia dos Pais ajudaram a melhorar o resultado da primeira quinzena de agosto.

Neste período, o movimento de vendas à vista e a prazo do comércio paulistano registrou queda média de 9,5% na comparação com igual período de 2015, segundo o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Nas vendas à vista, houve um forte recuo de 12,7%.

“Elas foram influenciadas pela queda do poder aquisitivo e a inflação dos alimentos elevada, obrigando o consumidor a destinar recursos apenas para as necessidades básicas”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Já no caso das vendas a prazo, o recuo foi de 6,3% na comparação com os primeiros quinze dias de agosto do ano passado.

Apesar do crédito escasso, que desestimula a compra a prazo, algumas facilidades oferecidas pelos lojistas, como o parcelamento sem entrada, diminuíram essa contração.

O resultado geral está dentro das expectativas da ACSP, segundo Burti, e ficou ligeiramente menor do que a queda de 10,7% registrada entre janeiro e julho deste ano.

LEIA MAIS:Vendas do comércio caem 7% no primeiro semestre

“O recuo ainda é forte, mas há uma ligeira propensão a observarmos retrações menos intensas nos próximos meses”, diz o presidente, que acredita que essa tendência de leve melhora decorre da estabilização da confiança do consumidor.

Outro fator que pode ajudar nesse sentido, segundo Emílio Alfieri, economista da ACSP, é a base fraca de comparação.

Como em 2015 as quedas começaram a se intensificar muito a partir de agosto, chegando aos dois dígitos em poucos meses, a expectativa agora é que essa estabilização da confiança ajude a diminuir gradualmente a intensidade da queda.

“Nos próximos meses de 2016, esses fatores e mais a base fraca tendem a favorecer os resultados de vendas”, afirma.

DE UM MÊS PARA O OUTRO

Na data comemorativa do Dia dos Pais, isoladamente, o resultado das vendas a prazo e à vista ficou positivo em 4,2%, em comparação com a média da primeira quinzena de julho, segundo o Balanço de Vendas.

Na comparação mensal, o movimento de vendas à vista registrou alta de 11,4% e foi puxado por produtos de menor valor como roupas, calçados e artigos de uso pessoal.

LEIA MAIS:É preciso jogo de cintura para voltar a vender no Brás

Porém, esse resultado é sazonal, já que no mês de julho o resultado das vendas ficou abaixo da média - que é de 13% - para o período. Além disso, o mês não teve nenhuma data comemorativa.

Na primeira quinzena de agosto, as vendas a prazo registraram ligeira queda de 3%. “Os juros continuam altos e o consumidor preferiu não contrair novas dívidas, comprando presentes de maior valor e vendidos a crédito”, afirma Emílio Alfieri.

De modo geral, os dados da primeira quinzena de agosto não podem ser projetados para o final do mês, pois dependem da continuidade do frio e do desempenho das liquidações, que darão espaço às peças da coleção primavera-verão.

“Se esquentar, os lojistas podem começar a vender a nova coleção”, conclui o economista.

Foto: Fátima Fernandes