Negócios

Com dezembro fraco, vendas do varejo crescem apenas 1,2% em 2020


As vendas no último mês do ano do varejo restrito tiveram um tombo de 6,1%, o maior já registrado em dezembro segundo o IBGE


  Por Redação DC 10 de Fevereiro de 2021 às 12:36

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


*com informações do Estadão Conteúdo

As vendas do varejo restrito acumularam alta de 1,2% no ano de 2020, informou nesta quarta-feira, 10/02, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas acumularam queda de 1,5% no ano.

O resultado de dezembro, na comparação com novembro, para o varejo restrito mostrou queda de 6,1% nas vendas, com ajuste sazonal. Foi a maior queda para meses de dezembro da série histórica da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), iniciada em 2000.

Foi também a maior queda desde o tombo de 17,2% em abril ante março de 2020. Com o recuo no último mês do ano, as vendas do varejo anularam os ganhos registrados nos meses de recuperação após o fundo do poço na crise causada pela covid-19, atingindo o mesmo nível de fevereiro de 2020.

Segundo Cristiano Santos, gerente da PMC, uma série de fatores explicam o tombo de dezembro, mas o principal deles foi um "ajuste estatístico".

Nos meses de recuperação das vendas após os tombos de março e abril, o nível da atividade do varejo atingiu em outubro o recorde da série do IBGE. Naquela ocasião, estava 6,6% acima do nível de fevereiro, antes de a pandemia se abater sobre a economia. "O patamar estava muito alto. Quando tiramos as influências sazonais, estava muito alto. É muito difícil crescer em cima do que já havia crescido", afirmou Santos.

Os outros fatores por trás da queda nas vendas em dezembro citados pelo pesquisador do IBGE foram a redução do valor do auxílio emergencial pago pelo governo a trabalhadores informais (que foi cortado à metade nos últimos meses de 2020), a antecipação de vendas para novembro (por causa das promoções da Black Friday, fenômeno que vem ocorrendo nos últimos anos), a pressão da inflação de alimentos sobre as vendas dos supermercados e um Natal ruim para alguns setores, como o de vestuário.

Segundo Santos, em dezembro especificamente, o efeito da inflação sobre o volume de vendas dos supermercados "nem foi tão grande assim". Tanto que as vendas dessa atividade registraram queda de apenas 0,3% no volume ante novembro, diante de uma alta de 0,8% na receita nominal.

Em meses anteriores, a diferença entre os desempenhos de receita nominal e volume de vendas foi maior, por causa da inflação.

O pesquisador do IBGE destacou que a queda moderada da venda dos supermercados impediu um desempenho agregado ainda pior no varejo, diante do peso dessa atividade no total.

Quanto ao varejo ampliado, as vendas caíram 3,7% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal.

 

IMAGEM: Rovena Rosa/Agência Brasil





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