Negócios

Com a retomada, pequeno comércio já planeja expansão


A exemplo de Alexandre Koga (na foto), dono da Mulek, que comercializa artigos infantis, lojistas se animam a investir em novidades, abrir novos pontos e inovar com tecnologia


  Por Estadão Conteúdo 01 de Fevereiro de 2018 às 08:00

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Os sinais de recuperação da economia brasileira começam, enfim, a trazer algum alento para pequenos e médios negócios. Mais otimistas, comerciantes começam aos poucos a retomar planos de investimento e de expansão dos negócios.

Os dados do Sebrae dão uma dimensão da dificuldade enfrentada pelos micro e pequenos empresários de São Paulo nos anos de crise.

O otimismo com os negócios fica evidente em um levantamento conduzido em novembro pelo próprio Sebrae. De acordo com a pesquisa, 38% dos micro e pequenos empresários acreditam no aumento de receitas neste primeiro semestre. Há um ano eles eram 33%.

Entre os entrevistados, 35% esperam aumento da atividade econômica nos primeiros seis meses de 2018, acima dos 26% apurados há um ano.

“A inflação sob controle e a diminuição dos juros criam um efeito em cadeia positivo”, afirma Marcelo Moreira, coordenador de pesquisas do Sebrae. “Os consumidores conseguem pensar em compra de itens mais caros.”

Uma situação bem diferente dos dois últimos anos. Em 2015 e 2016, o faturamento recuou 14,3% e 9,8%, respectivamente. Os números de 2017 ainda não estão fechados, mas a expectativa é de uma recuperação, com avanço entre 5,5% e 6%.

“A economia caiu tanto nos últimos anos que é natural ocorrer essa retomada, mas estamos vendo bons indicadores”, diz Moreira.

Dono de uma loja que comercializa roupas novas e seminovas há oito anos, Alexandre Koga, de 41 anos, diz ter ficado satisfeito por ter encerrado 2017 no “zero a zero”.

Há três anos, também abriu um estabelecimento, o Mulek, que vende artigos de brincadeira infantil e, para manter o negócio, teve de reduzir o próprio salário.

“Estou bastante otimista neste ano. Como sobrevivi à tempestade, adquiri ainda mais experiência. O empresário que conseguiu se segurar sem se endividar muito, vai colher os frutos agora”, diz Koga.

Entre os principais planos do empreendedor para este ano estão a renovação da coleção e o aumento do leque de produtos oferecidos na sua loja de artigos de brincadeira infantil.

O empresário Jorge Gonçalves, de 36 anos, também faz planos de expandir o seu negócio. Dono de um empório gastronômico, planeja crescer 50% neste ano “num cenário mais pessimista”.

Durante a crise, perdeu os clientes corporativos, mas conseguiu compensar atraindo pessoas físicas para o negócio.

“Em 2015, dos clientes que pediam orçamento, 50% efetivavam. No ano seguinte, os clientes nem pediam mais orçamento”, conta. “Em 2017, tive de buscar outra forma de manter o negócio e ampliei o atendimento para pessoas físicas.” As s vendas de fim de ano cresceram 20% em relação a 2016.

SALTO COM INOVAÇÕES

MEDINA: CRESCER COM TECNOLOGIA

Josué Medina, dono do Empório Medina, especializado em produtos alimentícios naturais típicos das regiões Norte e Nordeste, f viajou para Nova Iorque recentemente, onde participou da NRF, o maior evento mundial do varejo, em busca de novas ideias paa aperfeiçoar seu negócio.

Atual gestor da empresa familiar, sediada em São Paulo e aberta pelo pai em 2003, o empresário planejava abrir três novas lojas na capital, totalizando assim sete pontos de venda.

Porém, após ouvir palestras e visitas técnicas realizadas, Medina mudou a estratégia.

“Voltei com o objetivo de entrar de cabeça no clique e retire, porque eu senti que o mercado está mais maduro. Já faço isso de alguma forma, mas por telefone. Agora quero investir no online”, conta.

Serão agora duas lojas físicas. O dinheiro da terceira será destinado para investimentos na melhoria do e-commerce, implementação do clique e retire e do serviço de entrega. 

“Vou investir na tecnologia do processo e também na instrução da minha equipe. Penso que de alguma forma todos os pedidos devem vir para o vendedor pelo celular, seja por WhatsApp ou SMS. E a percepção deve ser muito rápida. Entendi que é uma questão mais de processos do que de tecnologia.”

O empresário tinha planos de implementar o clique e retire em tempo de aproveitar o feriado de Páscoa, quando as vendas têm um aumento significativo e o cliente pede agilidade, mas acredita que tudo ficará pronto em meados de abril.

“Estou confiante, hoje os brasileiros estão buscando esse conforto”, acredita o empreendedor. 

No interior de São Paulo, o empresário José Roberto Viena, proprietário do Grupo Vestylle, fundado há 64 anos, também buscou no evento da NRF novidades que possam ser implementadas em seu negócio. Ao todo, Viena administra 12 lojas de vestuário a acessórios esportivos, localizadas na região de Jaú. 

Por ora, o empresário pensa em aplicar inovações pontuais nas lojas.“A contagem de estoque por meio de uma máquina com chip que atinge boas distâncias era antes muito caro. Hoje é altamente viável, com o custo de casa chip no valor de R$ 0,30, por exemplo.” 

Apesar de pisar com calma no terreno da tecnologia, Viena voltou da feira com uma convicção: não é possível fugir da tendência. “Ouvi vários dirigentes. Um deles, James Curleigh, presidente da Levi’s, me inspirou muito. Disse que a tecnologia está nos provocando a mudar. Então, não importa se será por meio do e-commerce ou não, a era digital não tem mais volta.”

FOTOS: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo