Negócios

CJ Foods, o delivery da alta gastronomia


Insatisfeitas com o serviço ofertado por apps tradicionais, marcas do grupo Fasano, controlado pela JHSF, e outros restaurantes sofisticados se renderam a um modelo exclusivo de entrega


  Por Mariana Missiaggia 02 de Dezembro de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A maioria era contra, mas não teve jeito. O avanço da pandemia trouxe às telas dos aplicativos de entrega de comida nomes premiados da cidade de São Paulo. Rubaiyat, Mocotó e A Casa do Porco ingressaram no iFood, Rappi e UberEats.

Pressionados pela mudança de comportamento dos paulistanos, os proprietários desses restaurantes precisaram correr para adaptar o serviço de suas cozinhas à realidade da quarentena.

Entre os desafios para preservar a qualidade das preparações, as embalagens têm protagonismo. Foi preciso pensar em modelos para que pães não ressecassem, batatas não murchassem, queijos não soltassem água e massas não passasem do ponto. Ou seja, uma embalagem para cada tipo de prato.

Ainda há outros truques. Há quem armazene embalagens em estufas para garantir manter temperatura, outros criaram furos para circulação de ar e também quem tenha limitado as entregas ao perímetro máximo que determinada comida sustente as características desejadas.

Entretanto, mesmo tantas artimanhas não foram suficientes para um grupo seleto de restaurantes. Se dentro da cozinha eles conseguiram pensar em tudo, fora dela a coisa é um pouco mais complicada. Ocorre que a visibilidade que os aplicativos mais populares dão ao negócio não garantem as exigências desses negócios. Um exemplo: um motoboy que pega determinada encomenda precisa levá-la diretamente ao cliente e, normalmente, os entregadores combinam em uma mesma corrida diferentes pedidos e entregas.

Nessa busca pela perfeição, o delivery de culinária oriental ilustrou bons exemplos durante a pandemia. Para entregar seus sashimis e preparos mais elaborados, muitos recorreram às plataformas de entrega e não ficaram satisfeitos com o resultado. Então mudaram de ideia e passaram a vender suas iguarias para viagem apenas para quem se dispor a retirá-las. Um dos mais famosos no ramo, o empresário e sushiman Jun Sakamoto resolveu cuidar das entregas de seu principal restaurante pessoalmente. Ao volante do próprio do carro — foi ele quem garantiu as entregas de forma correta desde o início da pandemia.

Guiada por esse apelo de exclusividade, a JHSF, que detém a maior fatia do grupo encabeçado pelo restaurateur Rogério Fasano com mais de 20 operações, lançou seu próprio aplicativo de delivery. Motivado pela permanência de boa parte da clientela em condomínios no interior de São Paulo por conta do isolamento social, o projeto-piloto do aplicativo foi lançado na Fazenda Boa Vista, empreendimento imobiliário do Grupo, em Porto Feliz. 

Ainda operando sem tanto alarde, a plataforma não vai se restringir às próprias marcas gastronômicas, como Fasano, Gero e Nonno Ruggero, ele vai atender também os restaurantes e bares concorrentes, que ofereçam um cardápio do mesmo patamar que os controlados pela JHSF.

SOBRE ENTREGAR GASTRONOMIA

Responsável pela operação do CJ Foods, a Box Delivery, plataforma de tecnologia com serviços de logística no modelo Last Mile, acolheu o projeto do JHSF com a proposta de "entregar gastronomia". De acordo com Felipe Criniti, CEO da Box Delivery, o grupo buscava por uma solução diferente das tradicionais oferecidas pelo mercado já antes do período de isolamento social começar. 

"Graças a nossa proximidade com os entregadores, surgiu o que chamamos de modalidade Box Elite: um entregador que passa por treinamento, com maior número de entregas, mais tempo de trabalho, que não pode ter tido nenhum problema de qualquer natureza e entregas muito bem avaliadas", diz.

Através dessa demanda, hoje, além do last mile convencional, a plataforma passou a trabalhar uma nova categoria, o last mile elite que, segundo Criniti, está se popularizando. Trata-se de uma demanda acelerada pela pandemia - clientes exigentes, que não se preocupam em pagar um tíquete mais alto pra ter boa comida e bom serviço de delivery. "É a união entre duas pontas - a de quem oferece e de quem pode pagar".  

Se iFood, Uber Eats e Rappi mostram a força no setor, Criniti diz que a plataforma se prepara para disputar espaço no reinado dos aplicativos com mais força a partir de dezembro e com plano de expansão para 2021, especialmente em São Paulo e no trecho que liga a capital à Fazenda Boa Vista.

Na última semana de julho, a JHSF anunciou que as vendas realizadas por meio dos canais digitais da empresa alcançaram R$ 94,9 milhões no primeiro semestre de 2020. No mesmo período do ano anterior foram R$ 53 milhões.

 

FOTO: Divulgação






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