Negócios

Chef premiado, Atala empreende na hotelaria


Ele se uniu a investidores para erguer um hotel de luxo, ao custo de R$ 160 milhões, na esquina da Alameda Franca com a Rua Augusta.


  Por Estadão Conteúdo 01 de Fevereiro de 2018 às 09:20

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Um dos mais renomados chefs de cozinha do mundo, Alex Atala está se unindo a investidores para estampar a marca D.O.M. na fachada de um hotel de alto luxo nos Jardins, em São Paulo.

O cozinheiro se uniu à butique de investimentos TAG Advisors e à empresa de desenvolvimento imobiliário Inovalli para erguer um projeto de R$ 160 milhões na esquina da Alameda Franca com a Rua Augusta.

A meta é bater de frente com outras grifes que unem hospedagem e gastronomia, como Emiliano e Fasano.

"É um projeto com o qual eu sonhava muito e que achava que nunca fosse fazer na vida. As negociações começaram há quase quatro anos. Sem os parceiros que eu tenho hoje, dificilmente teria condições de colocá-lo em prática", disse Atala.

O hotel, que terá 35 andares -com 145 quartos e 22 apartamentos -, deverá ser inaugurado no segundo semestre de 2021. O empreendimento está em fase de aprovação na Prefeitura de São Paulo.

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Os atuais acionistas estão na fase de captação de recursos e buscam outros investidores. "Já levantamos uma boa parte do capital, que foi já investido na compra do terreno e no projeto", disse Fabio Metzger, sócio da TAG, sem dar mais detalhes financeiros.

A incorporadora Inovalli deverá contratar uma construtora para colocar o Hotel D.O.M. em pé, afirmou Rafael Consentino, sócio da companhia.

EMPREENDEDOR

Fundador do restaurante D.O.M., que figura na lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, Atala desconversa sobre o processo de captação de recursos para seu projeto de hotel cinco estrelas.

"Não sou o cara de números. Trabalho mais por desafios do que por contar dinheiro. Faz parte do perfil empreendedor do Alex. No Dalva e Dito, por exemplo, se eu tivesse de fazer conta com ele, teria fechado no primeiro ou segundo ano."

Segundo Atala, o Dalva e Dito hoje já opera no azul, mas ele não abre os números do grupo D.O.M., que também controla o restaurante Bio, de comida orgânica, e o Açougue Central, casa de carnes.

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No mercado de hotelaria paulistano, o chef vai concorrer com grifes já estabelecidas no setor, como Emiliano, Unique e Fasano. Apesar de todas essas marcas serem associadas ao luxo, o consultor Diogo Canteras, da Hotel Invest, alerta que o mercado como um todo não vai bem.

"A hotelaria não tem mostrado números muito animadores. Em São Paulo, que recebe mais turistas de negócios, houve uma contração de 23% da demanda por causa da crise", explica Canteras.

Segundo o consultor, nem para o mercado de luxo as perspectivas são muito animadoras - até esse segmento, frisa ele, está perto da saturação. O Palácio Tangará abriu suas portas no ano passado, enquanto a rede americana Four Seasons está prestes a inaugurar uma unidade na cidade.

No entanto, caso o projeto de Atala venha como uma assinatura personalizada, Canteras afirma ver espaço para o empreendimento prosperar.

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O plano de Atala para o Hotel D.O.M. é justamente oferecer uma "experiência" aos hóspedes. "Estamos pensando em tudo e vamos oferecer o que temos de melhor - desde como a pessoa chega a São Paulo, como se desloca, como vai dormir e comer. Diria que o diferencial será a 'brasilidade', que é a marca do meu trabalho."

Transformar o projeto hoteleiro em rede ainda não faz parte dos planos do chef. "É preciso colocar o hotel em pé primeiro. É um empreendimento, outra maneira de pensar negócio. A diferença do bom e do mau empreendedor é aquele que sabe passar por momento ruim. No Dalva e Dito foi isso: passei por um mau momento, mas fiz um restaurante incrível."

FOTO: Amanda Parobelli/Estadão Conteúdo