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Cautela e feriado atrasam compras do Dia das Mães


Considerada um segundo Natal, vendas para a data devem aquecer a partir desta quinta-feira e garantir ânimo aos lojistas


  Por Lygia Conde 09 de Maio de 2019 às 08:00

  | É jornalista em São Paulo


Os corredores livres nos shoppings da capital, nesta semana, indicam que os paulistanos deixaram o presente de Dia das Mães, como de costume, para a última hora.

Ainda poucas pessoas circulando com sacolas e as vitrines trazem decorações discretas. A maioria dos consumidores diz que o atual momento econômico do País os torna mais indecisos e cautelosos.

O feriado do Dia do Trabalho também contribuiu para o atraso nas vendas. No centro de São Paulo, a resposta sobre o presente para as mães é quase unânime: “Só pensarei nisso após o dia do pagamento”.

Esta quinta-feira, (9/10) é o pontapé definitivo para o aquecimento das vendas, que têm previsão de alta de 2% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Os vendedores, que aguardam o aumento do fluxo arrumando as lojas e aproveitando para conferir seus celulares, garantem que a procura estava maior nos anos anteriores, mas seguem otimistas de que o movimento irá melhorar nos próximos dias. Em breve, devem receber uma injeção de ânimo.

Pesquisa conduzida pela Boa Vista, em abril, indica que 68% dos consumidores entrevistados irão comprar presentes para as mães, a média do valor será de R$ 191.

O Dia das Mães é considerado o segundo Natal  pelo comércio, especialmente o de artigos femininos. E as marcas investem na ocasião, muitas contam com lançamentos exclusivos para a data. Até o momento, as lojas de bolsas, sapatos e acessórios são as que registraram maior aumento na procura.

“Nos últimos dias, sentimos uma melhora nas vendas de presentes, especialmente bolsas de couro e carteiras. Além dos filhos, os maridos também compram bastante e costumam ser generosos. A expectativa é grande, estamos ansiosas”, afirma Gisele Silva da Le Postiche.

Neste ano, um fator considerado prejudicial para as vendas de moda feminina é o calor. As marcas prepararam suas coleções outono-inverno, muitas com peças especiais para as mães.

No entanto, os casacos e malhas, que eram a principal aposta das grifes, continuam nas prateleiras. A busca tem sido maior por vestidos e blusas, que no geral têm preços menores.

Mais um consenso entre os consumidores é o aumento dos preços de 2018 para cá. Alguns lamentam que não poderão presentear as mães neste ano, outros reduziram o valor do presente, como a maquiadora Vanessa Silver.

“Precisei diminuir em 30% o gasto com o presente. Decidi não comprar pela internet para não pagar frete e vir pessoalmente às lojas para aproveitar as promoções e poder pechinchar”, analisa.

No Shopping Light, de acordo com os lojistas, a faixa de preço dos presentes mais vendidos é de R$ 150 para bolsas e R$ 100 para bijuterias, principalmente conjuntos de colar e brincos. Esse valor está acima das famosas “lembrancinhas”, que devem ser tendência em meio à recessão.

Alex Rosa está com dificuldade de encontrar um presente do mesmo nível do que comprou em 2018 com valor semelhante. “Eu dei um perfume no ano passado e neste ano minha mãe quer um casaco. Mas estou vendo que terei que desembolsar bem mais”, afirma.

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Para garantir o bom desempenho do setor, as lojas apostam em promoções e facilidades na forma de pagamento. Algumas marcas estão oferecendo 50% de desconto na segunda peça, em outras na compra de duas peças a terceira é grátis, além de parcelamento em até 10 vezes sem juros.

Os shoppings também promovem ações promocionais para entusiasmar o público. Há desde o tradicional “compre e ganhe”, com brindes como pulseiras banhadas a ouro, bolsas ou cosméticos, até sorteios de carros, viagens, ingressos de shows e experiências gastronômicas.

A estratégia parece ter dado certo. Os locais mais cheios nos shoppings são os postos de trocas, com filas que exigem uma boa dose de paciência.

Alguns shopping centers também investem em eventos para celebrar a ocasião com seus clientes. O JK Iguatemi promoveu na terça-feira, 7, um dia de palestras e workshops com o tema “Vida em Equilíbrio”.

Aberto ao público, o encontro conta com dicas de especialistas sobre culinária saudável, hábitos sustentáveis e cuidado com a mente. Já o Iguatemi São Paulo realiza na quinta-feira, 9, para convidadas, almoço com desfile de moda e chá da tarde com desfile de acessórios.

Nos centros de compras mais sofisticados, o ânimo dos lojistas segue parecido, esperando o fim da semana para que as vendas façam jus à data. Os smartphones são carros-chefes entre os presentes mais solicitados para as mães. Joias, relógios, perfumes e eletroportáteis também têm alta procura e prometem agradar.

Em alguns segmentos, como o de presentes finos, o Dia das Mães contribui nas vendas, mas não é tão significativo. “Para nós é como a cereja do bolo, mas a demanda do nosso público é bastante estável ao longo de todo o ano. Para as mães, as peças de cristal de murano são bem requisitadas”, ressalta Marcelo Ramos, gerente no Grupo Santa Helena.

Os filhos que buscam opções para presentear mães empoderadas, fitness, empreendedoras, zen e viajantes encontram boas indicações na Livraria Cultura. Segundo os vendedores, os preferidos são os romances com faixa de preço de R$ 50 a R$ 70.

A data contribui para o desenvolvimento da economia do País, com aceleração das vendas e aumento das contratações temporárias. Mas, originalmente, não havia foco comercial.

O Dia das Mães teve início na Grécia Antiga como homenagem à deusa Reia, mãe dos deuses. Após o cristianismo, passou a ser celebrado em honra da Virgem Maria. Na Inglaterra, no século XVII, foi criado o Domingo das Mães, já com a inclusão dos presentes. Enfim, em 1914, nos Estados Unidos, foi oficializado.

Muitas pessoas continuam valorizando a essência da celebração, como Ilma Lopes. Com a situação econômica do País complicada ela já se antecipou em falar para as três filhas não se preocuparem com presente.

“Geralmente elas me dão livros ou hidratantes e me levam para almoçar. Mas não podemos esquecer que o mais importante é reunir a família para comemorar”.

FOTO: Thinkstock