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Cartão de loja fideliza a clientela no interior paulista


Modalidade tem crescido principalmente nas regiões de Sorocaba, Bauru e Marília. É também uma ferramenta que dá autonomia ao lojista para definir as condições de pagamento e liberação do crédito


  Por Mariana Missiaggia 30 de Outubro de 2018 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Amplamente utilizado nas lojas de vestuário, os cartões de marca própria, os chamados private label, têm avançado em todos os segmentos do varejo.

Com a maior restrição ao crédito e queda no consumo durante o período de recessão, essa modalidade de pagamento se tornou uma alternativa para quem buscava parcelamentos com juros menores ou até mesmo para consumidores sem contas bancárias.

Também conhecido como “cartão de loja”, trata-se de uma categoria de cartão com benefícios semelhantes aos de bancos. A diferença está na proposta de valor que cada varejista coloca em seu produto.

Além da possibilidade de conceder crédito a clientes de menor renda, esse modelo de cartão também possibilita que cada comerciante tenha o seu programa de fidelidade, a partir de crédito próprio da loja. Só em 2017, esse modelo de cartão movimentou R$ 60 bilhões no Brasil, de acordo com o Banco Central. 

Assim como na capital, muitos comerciantes do interior do Estado têm adotado o meio de pagamento para turbinar as vendas, acelerar o processo de fidelização de clientes e também entender melhor os interesses do consumidor.

EM 2017, CARTÕES PRIVATE LABEL MOVIMENTARAM
R$ 60 BILHÕES NO BRASIL

De acordo com José Renato Simão, presidente da Credz, uma administradora de cartões, o uso dessa ferramenta de pagamento é ainda mais expressiva pelas redes de varejo regionais.

Simão argumenta que os private labels têm ajudado na bancarização de classes emergentes, que em alguns casos ficam restritas ao cartão de crédito. Atualmente, a Credz possui parceria com 48 varejistas de médio e pequeno porte – alguns deles com presença nacional – distribuídos em dois mil pontos de vendas.

No entanto, um terço deste total são redes regionais do interior de São Paulo. E, de acordo com Simão, são justamente, essas redes que têm atraído mais adeptos ao private label do que a capital, onde possivelmente, os clientes estejam substituindo cheques e cartões bancários pela opção da loja.

De acordo com o mais recente Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, o total de compras parceladas no cartão de crédito caiu 20,3%, em junho passado, último mês avaliado. O valor passou de R$ 14,8 bilhões, em junho de 2017, para R$ 11,8 bilhões, no mesmo mês deste ano.

NO INTERIOR

Lojas de varejo de material de construção são as que mais fidelizam no interior do Estado por meio desta opção de pagamento, segundo Simão. 

Nas palavras do executivo, a adoção do private label traz outros ganhos para o comerciante, que fica mais atualizado sobre os hábitos de consumo dos clientes, e pode assim, se planejar e atender melhor para vender mais. Atualmente, a receita da Credz é de R$ 150 milhões mensais com clientes como A Suissa, Tent Beach, Mundial e Chocolândia.

“Temos forte atuação em três polos no interior de São Paulo - região de Sorocaba, Marília e Bauru. O perfil dos consumidores do interior é diferente. Há uma relação mais próxima entre o comerciante e o cliente”, diz Simão.

LOJAS SILVA, DA REGIÃO DE BAURU, JÁ EMITIU MAIS DE 21 MIL
CARTÕES

“É natural que o público do interior tenha uma ligação mais forte com negócios locais, onde ele é atendido pelo nome, e isso também eleva a possibilidade de fidelização da clientela”.

Com atuação na região de Bauru, distante 332 quilômetros de São Paulo, a Lojas Silva possui 15 lojas e adotou o private label há dois anos. Além de ter aumentado o volume de vendas das lojas, a ferramenta também ajudou a reduzir a inadimplência.

De acordo com Joel Silva, sócio proprietário da Lojas Silva, aos poucos, o meio de pagamento vem substituindo, especialmente, as compras por crediário nas lojas, que vendem roupas e calçados. Hoje, a rede já possui 21 mil cartões cadastrados e tem em média 500 novos cadastros por mês.

De acordo com Silva, esse processo de fidelização culminou em uma alta de até 20% no volume de vendas. Atendendo o público das classes C e D, Silva diz que a maioria das compras nas lojas da rede são realizadas via parcelamento, com tíquete médio de R$ 150. Já nas transações à vista esse valor cai para R$ 80.

Para Sérgio Reze, presidente da Associação Comercial de Sorocaba, o private label é uma versão moderna do carnê, que facilita a compra e fideliza o cliente.

Mesmo sem uma estimativa do uso dessa modalidade na região, ele cita que além do reconhecimento da marca, ainda traz a possibilidade de criar uma base de dados dos clientes que visitam o estabelecimento, com taxas reduzidas e possível aumento no tíquete médio.

Já para os consumidores, facilita o pagamento das compras, e possibilita obter descontos e crédito simplificado.

“O cartão possui a possibilidade de gerar fidelização, pois ele terá que retornar à loja para efetuar o pagamento e, com isso, a possibilidade de efetuar novas compras”, diz.

FOTO: Pixabay