Negócios

Brigadeiros adoçam amargura política dos paulistanos


Comerciante bem humorado brinca com Lula e Dilma em frase publicitária e vende em duas horas o que costuma comercializar em um dia


  Por Fátima Fernandes 17 de Março de 2016 às 16:23

  | Jornalista especializada em economia e negócios e editora do site Varejo em Dia


Quem anda pelas ruas do centro velho de São Paulo, possivelmente, já conhece o comerciante Gilmar Alves, de 33 anos. De segunda a sexta, ele vai com a sua bicicleta carregada de brigadeiros para a Praça da Sé e arredores. Alves vende os chamados brigadeiros gourmet, com sabores pouco convencionais, como limão siciliano e paçoca.

Ao chegar no ponto escolhido, escreve na sua lousa uma espirituosa frase do dia – Alves usa essa lousa como estratégia de marketing, para chamar a atenção da clientela na rua. Nesta quinta-feira (17/03), não foi diferente. Inspirado pelos acontecimentos políticos, ele resolveu fazer uma gracinha em seu outdoor particular: “Hoje é obrigatório todos que falaram de Lula e Dilma comprar um brigadeiro”.

O comerciante, formado em administração de empresas, não imaginava que a menção, mesmo com alguns errinhos de português, faria tanto efeito. Em apenas duas horas, das 12h30 às 14h30, vendeu o que costuma comercializar ao longo do dia: 60 caixas pequenas de brigadeiro (cada uma com três unidades), 15 potes de brigadeiro de colher e seis caixas grandes de brigadeiro (com seis unidades cada).

Com bom humor, o administrador de empresas, que já foi dono de um restaurante delivery de batata suíça, diz que hoje a frase do dia fez mais efeito que de costume. De fato, quem passa pela bicicleta torce o pescoço para ler, reler e sai rindo – isso quando não volta para comprar um dos docinhos.

“Quando cheguei aqui eu imaginei dois clientes, um que apoia o PT e um que apóia o PSDB conversando, sem brigar, e comendo brigadeiro. Nem é preciso que eles solucionem o problema do país, mas que se respeitem no debate”, diz.

GILMAR ALVES: CLIENTES ESTÃO AMARGURADOS

Gilmar entrou no mundo das food bikes por acaso. Com a crise, a sua empresa de delivery, a Batata Mania, começou a dar prejuízo. “Fiquei devendo aluguel, mensalidade escolar de R$ 700 do meu filho”, diz. "Em setembro do ano passado, fechei a empresa e fiquei um mês de luto. Como sou chocólatra, encontrei prazer fazendo brigadeiro”, diz.

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O negócio deu certo - ele conta que sua carteira de clientes já está em torno dos 500 compradores fieis. O seu faturamento líquido é da ordem de R$ 1.500 por semana. "Ganho mais do que muitos clientes de escritórios que passam por aqui", comemora.

O sucesso do seu brigadeiro, que é feito com o chocolate belga Callebaut, o estimulou a ter uma segunda food bike na região da Praça da República, que será guiada por sua irmã.

No entanto, o sonho do comerciante é maior. Com a clientela cativa, ele acha que, em breve, vai ter condições de abrir uma loja para venda de bolo de café, a Vovó do Gil, na mesma região onde circula hoje com a bike. "Estou fazendo o contrário do que muitos lojistas. Primeiro eu estou montando a clientela para, depois, montar a loja.”