Negócios

Boca a boca virtual: deixe que seu cliente venda seus produtos


Luciana (à esq.) e Paula (à dir.), viram os pedidos da Dona do Doce se multiplicarem da noite para o dia. Só elas desconheciam que a apresentadora Ana Hickman havia postado a guloseima no Instagram


  Por Mariana Missiaggia 13 de Julho de 2016 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Ligar a imagem de um produto a celebridades é uma das práticas de marketing preferidas entre os empresários, e por vezes, a de maior retorno. 

Com a popularização da internet, e mais tarde das redes sociais, as marcas passaram a direcionar os seus investimentos para o mundo virtual.

Ao mapear o alcance de algumas celebridades com determinados públicos, essa mesmas marcas recorrem à divulgação patrocinada, chamada de publiposts.

Com um grande número de seguidores nas redes sociais, essas personalidades construíram uma relação com seus seguidores diferente da criada por agências de publicidade, e se tornaram influenciadores digitais, de acordo com Felipe Iacocca, Sócio-Diretor da IWM Agency.

LEIA MAIS: O que sua empresa faz para vender mais e melhor?

Iacocca cita o caso das blogueiras que ganharam credibilidade com o público ao surgirem com a proposta de desmistificar tendências, e indicar produtos de qualidade sem gestão editorial. 

Além disso, elas produzem conteúdo autêntico, com cara de vida real – bem diferente das 25 mil mensagens publicitárias que são veiculadas diariamente em diversas mídias. Para o consultor, não há mais espaço para conteúdo planejado.

“Não adianta mais colocar o Neymar para vender um carro que ele não usa. As pessoas querem verdade”. 

Feito de consumidor para consumidor, o famoso boca a boca também se tornou virtual, através de Twitter, Whatsapp, Facebook e outras redes, potencializando a presença da marca pelo marketing espontâneo.   

“A internet faz de cada usuário um gerador de conteúdo, e motiva o consumidor a não só comprar como também divulgar a sua compra, independente do número dos seguidores que ele tenha”, diz. 

EMBALAGENS BONITAS INCENTIVAM POSTS ESPONTÂNEOS

Uma embalagem bonita, um produto diferenciado, bons preços, e qualidade no atendimento são algumas das razões que levam muita gente a divulgar uma marca na internet, segundo Iacocca.

Dessa maneira, qualquer hábito ou preferência postada na internet é uma forma de publicidade. “Tudo é marketing, ou pretende ser.”

INVESTIMENTO ZERO

Com 4,5 milhões de seguidores, a modelo e apresentadora Ana Hickman recebe em média 40 mil curtidas em cada uma de suas fotos pessoais.

Esse número chega a dobrar quando ela divulga fotos indicando as marcas das roupas, sapatos e acessórios que usa. E muitas vezes, são patrocinados. 

Com a proposta de dividir sua vida com seus seguidores, Ana também registra detalhes de sua rotina, e indicações de produtos.  

Foi assim que Paula Maria Maldonado, 28 anos, e Luciana Pereira Maciel, 36 anos, montaram a clientela da Dona do Doce, e de 100 potes de bolachas por mês, passaram a vender 1.800.

ANA HICKMAN POSTOU FOTO DA BOLACHARIA INDICANDO O PRODUTO

Com R$ 1 mil e a ajuda de Doracilda Isabel Pereira Alves, 53 anos, e Maria Isabel Pereira, 73 anos, mãe e avó de Luciana, elas desenvolveram uma receita de bolacha artesanal de doce de leite, e passaram a reproduzi-la em um cômodo da casa da avó de Luciana.

Para inserir o produto no mercado gourmet, elas capricharam na embalagem e apresentação do produto, que em meio às encomendas foi parar nas mãos de Ana Hickman.

LEIA MAIS: Não há crise para a empresa que tem clientes fiéis

“De repente, começamos a receber um volume de pedidos bem superior ao normal, e de regiões diferentes. Perguntei a um dos clientes como ele nos conheceu, e para nossa surpresa, ele disse que viu nosso produto no instagram da Ana Hickman”, diz.

A postagem da modelo também chamou a atenção de outras empresas. Desde então, elas foram convidadas a participar de eventos, onde outros famosos conhecem o doce, e o compartilham nas redes sociais.

Além de eventos como o Minas Trend, elas mantêm parcerias com a Mickey Presentes, e a Iódice, e montaram um ateliê, em São Caetano do Sul, com um investimento de R$ 200 mil.  

Na opinião de Iacocca, esse é um dos modelos mais atuais de empoderamento digital - um conceito ao qual os empreendedores deveriam estar mais atentos por não demandar investimentos.

"O mais importante é ter um produto de qualidade, com uma boa apresentação, e reconhecer os embaixadores naturais de sua marca", diz. "Ou seja, pessoas que acreditam na sua marca, e querem que outras pessoas tenham a mesma experiência".