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Bares, restaurantes e os prós e contras do Carnaval em SP


Casas afastadas da aglomeração dos blocos podem aumentar o faturamento em até 20% no período, estima a Abrasel. Por outro lado, questões como segurança ou depredações podem gerar prejuízo médio de 30%


  Por Redação DC 12 de Fevereiro de 2020 às 10:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Carnaval paulistano, que já um dos maiores do Brasil, já começa a movimentar e o faturamento de diversos setores da economia na cidade, como hotéis, agências de viagens e transportes. 

Só nos setores de bares e restaurantes, a estimativa da AbraselSP (associação do setor) é que, as casas que estiverem afastadas da aglomeração dos blocos, em geral, podem aumentar o faturamento em cerca de 10% a 20% durante o período, devido ao aumento de turistas. Já os bares que promovem blocos, eventos específicos, e estão localizados próximos aos locais de concentração desses blocos, faturam bem acima do previsto.

“Cresce o número de turistas durante o Carnaval em São Paulo - uma ótima notícia, pois são recursos que irrigam uma economia sabidamente em crise", afirma Percival Maricato, presidente da AbraselSP.

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Porém, esse movimento que tem crescido ano a ano na cidade requer mais organização e investimento da prefeitura, avalia Maricato. Mas, principalmente observando as necessidades do comércio e, neste caso, do setor de bares e restaurantes. 

A entidade realizou uma pesquisa direcionada à expectativa econômica dos bares e restaurantes da capital durante o período do Carnaval/2020, e os resultados foram bastante pessimistas para boa parte dos estabelecimentos associados à AbraselSP. 

Nesse grupo, muitos possuem mais de dois estabelecimentos, localizados principalmente em bairros de grande movimento no período, como Vila Madalena, Vila Mariana, Jardins, Moema, Itaim, Centro, Tatuapé e Santana, localizados nas rotas dos blocos, que relataram problemas diversos, como a falta de segurança pública, depredações e vandalismo.  

Também mencionaram a alta concorrência dos ambulantes e a interdição de ruas, que impedem o acesso aos estabelecimentos. "Naqueles que serão prejudicados, espera-se que uma queda média de faturamento de 30% no período pré-Carnaval. Já aqueles localizados na Vila Madalena terão maior índice de perda", afirma Maricato.

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Já os restaurantes poderão ter mais prejuízo: muitos preferem fechar as portas durante o período e, com isso, a queda pode chegar a 40%. "Nos dias de Carnaval o prejuízo pode chegar a 50% - o mesmo índice do ano anterior (2019)", reforça. 

Para Maricato, a Prefeitura de São Paulo precisa fazer ajustes no evento, além de uma análise mais criteriosa dos roteiros dos blocos e menos bloqueios nas ruas, apenas com o tempo necessário a passagem dos foliões, de forma que os estabelecimentos possam fazer rápidas lavagens e varrição de modo que o público tenha acesso facilitado aos bares e restaurantes.

Além de todas as dificuldades enfrentadas, segundo o presidente da AbraselSP, este ano a Prefeitura pretende fechar os estabelecimentos localizados na Vila Madalena às 22h, diminuindo ainda mais o faturamento, aponta. Ele diz ainda que a entidade entende que a medida é ilegal, pois só pode existir se houver lei, destaca. 

"É necessário ajustes para reverter o prejuízo que atinge parte dos empresários e clientes do setor. No entanto, a AbraselSP apoia o Carnaval de São Paulo, por entender que o evento fomenta de forma expressiva o turismo, e, por consequência, gera empregos, serviços e tributos", afirma. "Moradores e turistas se divertem, e a cidade fica mais alegre. Mas continuaremos a exigir do Prefeito que os problemas decorrentes do Carnaval sejam resolvidos e ninguém saia prejudicado”, finaliza. 

FOTO: Reprodução Site Vila Madalena