Negócios

Atividade do Comércio cai 8,5% até março e tem pior trimestre


O índice foi pressionado por uma retração de 19,5% no segmento de veículos, motos e peças. Já o índice de confiança do empresário subiu 1,1% na passagem de fevereiro para março


  Por Estadão Conteúdo 06 de Abril de 2016 às 11:43

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, medido a partir do volume de consultas realizadas por estabelecimentos comerciais à base de dados da Serasa Experian, registrou entre janeiro e março o pior trimestre da série iniciada em janeiro de 2000.

O índice encolheu 8,5% na comparação com igual intervalo do ano passado, pressionado por uma retração de 19,5% na atividade do segmento de veículos, motos e peças.

Em março, o indicador caiu 1,5% em relação a fevereiro, com ajuste sazonal. Na comparação com março de 2015 houve queda de 9,2% no movimento dos consumidores nas lojas.

Segundo os economistas da Serasa Experian, a queda da atividade do Comércio é sustentada pelo aumento do desemprego, pela inflação e pelo baixo grau de confiança do consumidor. Além disso, o crédito mais caro também afetou o setor, especialmente nos segmentos onde o crédito exerce papel importante nas vendas. É o caso, justamente, do segmento de veículos, motos e peças.

LEIA MAIS: A estratégia anticrise para expandir o Burger King

Os segmentos de tecidos, vestuário, calçados e acessórios e móveis, eletroeletrônicos e informática também se destacaram negativamente no trimestre, com retração de 14,6% e 13,1%, respectivamente. O único segmento a apresentar expansão das atividades em 2016 na comparação anual foi o de combustíveis e lubrificantes, com alta de 5,3%.

O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio é calculado a partir de uma base composta por 6.000 empresas comerciais, e é segmentado em seis ramos de atividade comercial. Além das áreas citadas, compõem o estudo também os segmentos de supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-6,2% no trimestre) e material de construção (-4,5%).

CONFIANÇA SOBE

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) subiu 1,1% na passagem de fevereiro para março, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na comparação com março de 2015, os 80,9 pontos (numa escala de 0 a 200) registrados no mês passado representaram queda de 13,9%.

Apesar da alta na margem, a CNC não comemorou o resultado, porque "ainda reflete a contínua retração do varejo, provocada especialmente pela deterioração do mercado de trabalho". "Seguem ausentes indicativos de reversão no médio prazo, especialmente em função do desemprego e da queda na renda real dos consumidores, que influenciam as vendas", diz a nota divulgada pela CNC.

LEIA MAIS: Crise afasta consumidor e derruba vendas do varejo

Segundo a entidade, o aumento no comparativo mensal foi puxado, sobretudo, pelo subíndice que mede as condições correntes, que ficou em 44,1 pontos, alta de 9% em relação a fevereiro. Na comparação anual, no entanto, há uma retração de 28,1%.

Com o quadro de recessão, a CNC estima que o volume das vendas do comércio em 2016 recue 4,2% no conceito restrito e 8,4% no conceito ampliado.