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Atacarejo deve manter crescimento de 2 dígitos em 2017


Expectativa é que as vendas continuem em alta de 14% ao ano, segundo projeção da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço


  Por Estadão Conteúdo 22 de Novembro de 2016 às 15:36

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Setor que vem crescendo num ritmo de 14% este ano, o atacado de autosserviço, conhecido como "atacarejo", espera que as vendas em volume de produtos continuem aumentando num patamar de dois dígitos em 2017.

A expectativa é de Ricardo Roldão, da rede de atacarejo Roldão, presidente da entidade que representa o segmento, a Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço.

Apesar de considerar que as expectativas ainda são pouco inspiradoras para o desemprego e a renda das famílias no Brasil no próximo ano, o executivo vê uma tendência de continuidade de crescimento do formato. Ele avalia que o ritmo de expansão pode ficar, porém, um pouco menor do que o deste ano.

O atacarejo tem ganhado espaço num movimento de mudança dos hábitos dos consumidores, mais sensíveis a preço durante a crise. Outros formatos de varejo têm perdido vendas em volume, mas Roldão imagina que a dinâmica competitiva tende a se acirrar.

"O varejo está reagindo e não vai ficar perdendo mercado sem reagir", comentou.

No curto prazo, as vendas de final de ano tendem a não trazer uma grande mudança no patamar de crescimento já atingido em 2016 até o momento, diz Roldão.

As vendas em novembro acabaram não animando tanto, em meio a feriados e chuvas fortes em São Paulo. Apesar disso, ele avalia que a composição dos estoques de produtos natalinos foi forte no atacarejo este ano, melhor do que em 2015.

Para Roldão, o setor ainda vai continuar se beneficiando de investimentos em abertura de novas lojas. A rede que ele preside espera sair das 20 lojas de 2015 para 36 em 2017.

O atacado de autosserviço como um todo, diz, segue enxergando muitas oportunidades de abertura de novas unidades, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

PARA TODAS AS FAMÍLIAS

O atacarejo já é o tipo de loja com maior representatividade entre as famílias brasileiras, de acordo com levantamento da Nielsen. 

Uma pesquisa apresentada durante lançamento da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas) aponta que esse tipo de loja atinge 46,4% dos domicílios, superando este ano neste critério os supermercados, depois de já ter superado os hipermercados em 2015.

De acordo com o estudo, 415 mil famílias abandonaram os hipermercados este ano, aumentando a preferência pelo atacarejo. A explicação, de acordo com Daniela Toledo, diretora da Nielsen, Daniela Toledo, é a busca dos consumidores por menores preços.

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Em volume, as vendas do atacarejo cresceram 14,4% entre janeiro e setembro de 2016 ante igual período do ano passado, enquanto os outros tipos de varejo juntos tiveram uma queda de 4,2% nas vendas em volume.

Parte da explicação para pelo menos um terço do crescimento das vendas do atacarejo em 2016 é que o setor vem investindo pesado em abertura de novas lojas, segundo a Nielsen. 

Esta tendência, porém, tende a diminuir conforme o formato se torna mais maduro, com uma participação já relevante no consumo das famílias, afirma Daniela.

No curto prazo, no entanto, as redes têm mantido os planos de expansão. O Atacadão, que pertence ao Carrefour, vai encerrar o ano com 12 inaugurações, segundo seu presidente, Roberto Müssnich. A expectativa é manter um ritmo parecido em 2017.

No Assaí, do Grupo Pão de Açúcar (GPA), o ano se encerra com 13 inaugurações. Para 2017, serão de 6 a 8 lojas novas, além de 15 pontos de venda que vão deixar de ser hipermercados Extra para virarem atacarejos.

A rede Roldão também tem planos para expandir no próximo ano. Segundo seu presidente, Ricardo Roldão, serão ao menos seis inaugurações em 2017, fazendo a rede chegar a 36 pontos de venda.

FOTO: Felipe Araújo/Estadão Conteúdo

* Atualizado às 18h