Negócios

Atacadista Roldão mantém planos de terminar 2016 com 30 lojas


Ricardo Roldão, CEO da empresa, diz que a rede, que vende para o atacado e para o varejo, tem sofrido menos com a crise


  Por Fátima Fernandes 26 de Novembro de 2015 às 11:14

  | Jornalista especializada em economia e negócios e editora do site Varejo em Dia


O preço voltou a ser um fator decisivo na hora da compra. E um modelo de loja que tem se saído melhor na crise é o cash and carry, supermercado que vende para o comércio (atacado) e para o consumidor final (varejo), chamado de atacarejo.

Com um faturamento anual de R$ 2,2 bilhões e 22 lojas, a rede Roldão, que opera com esse modelo, deve terminar o ano com faturamento entre 15% e 20% superior ao do ano passado.

Esse crescimento se deve à abertura de três novas lojas. Mas, mesmo considerando os mesmos pontos de venda, a rede deve crescer entre 2% e 3% acima da inflação neste ano.

“Com a crise, o atacarejo é o melhor canal de venda, é o que estão dizendo”, afirma Ricardo Roldão, CEO da rede.

Para 2016, a empresa pretende manter os planos de atingir 30 lojas. Somente em equipamentos, cada loja demanda investimentos da ordem de R$ 10 milhões.

“Não vamos desistir dos investimentos por conta da crise, até porque os equipamentos já estavam contratados”, diz.  

A seguir, os principais trechos da entrevista com Ricardo Roldão.

Como a crise afetou o setor de atacado?

Está havendo uma competição muito grande pelo mesmo cliente, que está com o poder de compra reduzido e busca alternativas. Nunca vi os consumidores pesquisarem tanto e em diversos canais.

O fato de o atacado de autosserviço ter um custo operacional menor tem vantagem competitiva, mas também sofre com a crise. O que preocupa é a questão política. Se não resolver este cenário político, se o governo não honrar os seus compromissos...é preocupante.

Quais os principais desafios deste setor em 2016?

Estamos em um setor que está crescendo acima da inflação, mas é bom destacar que o comportamento do consumidor muda muito rapidamente.

Sou do tempo que, quando surigiram os hipermercados, todo mundo achava que o pequeno comércio ia acabar, que as padarias e os açougues iam acabar.

É preciso ficar atento, o empresário não pode se descuidar do foco. A Amazon fatura US$ 100 bilhões e vale US$ 300 bilhões. A rede Walmart fatura U$ 500 bilhões a US$ 600 bilhões e vale US$ 180 bilhões, quase a metade do que vale a Amazon. Tudo isso é para se pensar.

Olho com muita cautela para o meu setor porque os canais mudam, a tendência muda. O comportamento do consumidor muda considerando faixas etárias. Os jovens de 20 e de 30 anos já pensam diferente na hora de comprar, na hora de se relacionar com as companhias.

Sua rede não está ainda no e-ocommerce. Por quê?

Todo empresário do setor tem de olhar o e-commerce, dando lucro ou não. Estamos desenvolvendo alguns aplicativos para isso. Se entrarmos neste segmento será para a venda para as empresas, não para o consumidor.

Você dizer que vende pela internet não significa nada, é preciso agregar algum valor. Acho difícil dar certo e-commerce para atender o revendedor, até porque o varejo distribuidor já faz um excelente trabalho.

O lado bom da crise é que as empresas vão sair mais preparadas. O empresário Jorge Gerdau tem uma frase fantástica, que resume bem isso: o 'animal com barriga cheia não caça’. Estava todo mundo com a barriga cheia, inclusive o consumidor.

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Foto: Divulgação