Negócios

As pequenas novatas que crescem em meio à crise


Startups fundadas durante os primeiros sinais da recessão seguem o princípio de que não existe momento errado para iniciar um negócio inovador


  Por Thais Ferreira 16 de Fevereiro de 2016 às 16:59

  | Repórter


Redução do mercado, aumento dos custos, queda do emprego e do consumo e dificuldade para obter crédito. Esse parece um cenário que afastaria muitos empresários. Mas não é assim que pensam os fundadores de startups. 

A palavra se tornou um jargão no meio do empreendedorismo. Hoje, a maioria das empresas em fase inicial se autodenomina uma startup. Mas nem todas são. 

Não existe uma tradução literal para a palavra, mas atualmente ela é empregada para designar um grupo de pessoas que trabalha em busca de um modelo de negócios que seja repetível (entregar o mesmo produto inúmeras vezes) e escalável (crescer usando o mesmo modelo de negócio) num cenário de incertezas. 

A última parte dessa definição se refere aos riscos: startups são como experiências que podem dar certo ou não – e tanto os fundadores quantos os investidores sabem das incertezas do caminho. 

Por essa característica de sempre estar andando na corda bamba, a crise não assusta tanto as startups. De acordo com o banco de dados da Associação Brasileira de Startup (ABStartups), eram 3183 empresas da modalidade em março de 2015. Ao final do ano o número já havia crescido 30%. 
 
Além de seus empreendedores estarem naturalmente mais dispostas a correr riscos, há outra razão que explica a proliferação de startups: as oportunidades geradas no momento de recessão. Conheça algumas empresas que estão crescendo em meio à recessão. 

FEITOSA, DA CONUBE: CONTABILIDADE PARA PEQUENOS EMPRESÁRIOS 

APROVEITANDO O MOMENTO

Fundada no início de 2014, a Conube é uma plataforma que funciona como um escritório de contabilidade. Por meio dessa ferramenta, os usuários podem abrir empresas, emitir notas fiscais eletrônicas, controlar suas atividades, agendar pagamento de impostos e ter a ajuda de contadores. 

A ideia surgiu quando Anderson Feitosa, sócio de um escritório de contabilidade, começou ser procurado por pequenos empresários e profissionais autônomos. 

Como prestava serviço para grandes empresas, Feitosa decidiu criar uma plataforma para atender esse novo público. 

“Em tempos difíceis aumenta o número de pessoas interessadas em empreender”, afirma Feitosa, CEO da Conube. “Geralmente, são ex-funcionários demitidos que, desempregados, decidem aplicar o dinheiro em um negócio próprio, mas não sabem sobre as implicações burocráticas.”

O maior desafio para empresa é ainda o trabalho informal. “Há quem acredite que só há vantagens na informalidade, mas, na realidade, ela traz problemas para o pequeno empresário, principalmente porque dificulta o acesso ao crédito”, diz Feitosa.

De acordo com dados do IBGE, o número de pessoas que trabalham por conta própria teve um aumento de 1,4% no último ano e a tendência é de crescimento para 2016.

Além de oferecer os diversos serviços, a Conube mantém um blog para informar sobre os benefícios de formalizar uma empresa e tributos.  

Desde que a startup foi fundada, ela mais que dobrou de tamanho e, agora, vai passar por uma rodada de investimento. “Com crise está bom, mas sem ela será melhor”, diz Feitosa. 

SASSO, DA MELHORTAXA: "QUEREMOS DEMOCRATIZAR O CRÉDITO"

RESOLVENDO PROBLEMAS

Outra empresa fundada em 2014 e que está crescendo  é a Melhortaxa. Uma ferramenta que pesquisa as melhores taxas de financiamento imobiliário, entre  mais de quinze opções de bancos credenciados. 

Seu fundador, Rafael Sasso, atuou durante anos no mercado de capitais e observou que comparar taxas de diversos bancos era uma tarefa burocrática.  Nas palavras de Sasso, a ideia é tornar o crédito algo mais acessível e democrático. 

A plataforma funciona assim: os usuários se cadastram e recebem as propostas, mas sem saber a quais bancos pertencem. Depois da fase inicial, há um processo de orientação para que os usuários escolham a melhor oferta. 

Mesmo num período em que as vendas de imóveis estão caindo, a empresa está crescendo. 

“Durante a crise, muitas pessoas têm o crédito negado. Com isso, elas vão procurar informações na internet e encontram o site”, afirma Sasso. “Além do serviço de cotação também temos uma seção dedicada à educação financeira.”

Mais de 150 milhões em financiamentos já foram realizados dentro da plataforma e a startup pretende continuar crescendo neste ano.

Uma das apostas para continuar aumentando os números é o refinanciamento imobiliário. “Durante a recessão, muitas famílias endividadas vão precisar de dinheiro e o refinanciamento de imóveis é uma boa alternativa porque possui taxa inferiores a dos empréstimos”, diz Sasso.