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"As pequenas livrarias estão fechando as portas"


O alerta é de Alexandre Martins Fontes (à dir.), sócio da editora e livraria Martins Fontes e um dos homenageados do Meeting Empreendedor 2017, promovido pela Distrital Nordeste da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


  Por Wladimir Miranda 14 de Novembro de 2017 às 09:05

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Arquiteto formado pela Universidade de São Paulo m(USP), Alexandre Martins Fontes, 55 anos, é mais novo que a empresa fundada pelo pai, Waldir Martins Fontes, há exatos 57 anos: a Editora Martins Fontes.

Alexandre, o irmão e dois tios administram cinco livrarias em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e outra em Santos.

A Editora WMF, o nome da editora é uma homenagem ao patriarca da família, é comandada por Alexandre, que também administra duas livrarias: Uma na rua Dr. Vila Nova, no centro de São Paulo, e outra na Avenida Paulista.

“A livraria da Paulista tem me dado muitas alegrias. Se eu fosse só livreiro e tivesse apenas a livraria na Paulista eu certamente perguntaria de qual crise as pessoas tanto falam. A livraria está sempre cheia. E não para de crescer”, afirma.

Alexandre foi um dos homenageados no Meeting Empreendedor 2017 – transformando oportunidade em sucesso, realizado pela Distrital Nordeste da Associação Comercial de São Paulo - ACSP.

O evento foi idealizado por Michel Wiazowski, durante a sua gestão como diretor superintendente da distrital, e mantido pelo atual diretor, Carlos Daniel Gonçalves (à dir. na foto).

As duas editoras da família Martins Fontes possuem 1,2 mil títulos no catálogo. Se não tem do que se queixar da loja da Avenida Paulista, Alexandre é reticente ao falar do mercado editorial.

“Infelizmente o Brasil é um país muito complicado, onde a maior parte da população não lê, não tem acesso à educação. É um país socialmente muito injusto”, diz.

Por gerenciar um negócio de família, com quase seis décadas, Alexandre fala do mercado editorial com conhecimento:

“O mercado está complicado. Estamos muito longe de uma situação ideal, no qual a população de fato tenha o hábito da leitura. Nós ainda trabalhamos para uma pequena parcela da população que frequenta livrarias. Temos ainda um longo caminho a trilhar”.

Como livraria, a Martins Fontes vende de livros infantis a obras de medicina, física, química, matemática, passando por literatura, arte, designer, quadrinhos e arquitetura. “Vendemos de tudo e para todos”, afirma.

Com o selo editorial, a Martins Fontes publica livros universitários na área de ciências humanas, livros de filosofia, educação, arte, acadêmicos.

“Atendemos o público universitário. Este é o público com o qual podemos contar, que compra livros. É uma questão de sobrevivência”, diz.

Alexandre alerta para o fato de haver cada vez mais uma concentração de grandes editoras.

“As livrarias pequenas estão fechando as portas", afirma. "O mercado livreiro está nas mãos de poucas livrarias. Temos hoje a Saraiva, a Cultura, a Livraria da Vila, a Travessa, no Rio e a Rede Leitura, em Minas. As livrarias independentes são cada vez mais raras. Isto é o reflexo deste momento difícil do mercado.”

Alexandre não perde de vista a nova modalidade que é comprar pela internet.

“Este é um fenômeno importante. A Amazon Livros Eletrônicos, por exemplo, já disputa com a Livraria Cultura para ver quem é o maior comprador de livros da nossa editora”, diz.

As outras empresas homenageadas foram a Foto Elite, a Lady Driver e a Wyndham Garden Convention Nortel.

Inaugurada em 1951, na Vila Maria, a Foto Elite, foi fundada por Rikio Morishita. A loja chamou logo atenção dos moradores do bairro, pelas longas filas de noivos que se formavam na calçada para serem fotografados, porque a loja era muito pequena.

Nos 60 anos de existência da Foto Elite, houve diversas mudanças no acesso á imagem. A chapa de vidro passou para o filme fotográfico e posteriormente para armazenamento em mídias, como CD, DVD, chips e celulares.

GABRIELA: APLICATIVO PARA MULHERES
GABRIELA CORRÊA: APLICATIVO PARA MULHERES

Gabriela Corrêa nunca se intimidou com profissões comumente associadas aos homens.

Nascida e criada na Zona Norte, formada em gestão financeira pela Fundação Getúlio Vargas, FGV, com especialização em administração, ela cresceu ajudando o pai em sua oficina mecânica, referência por muitos anos na Vila Guilherme.

Depois, montou uma empreiteira. Após passar por uma experiência negativa de assédio por um taxista chamado pelo aplicativo, Gabriela não queria mais que mulheres passassem por situações constrangedoras como a que vivenciou.

Então, ela resolveu criar o Lady Driver – o primeiro aplicativo de transporte só para mulheres. O app, lançado para o público no dia 8 de março, cresceu rápido. Em um mês, já contava com mais de duas mil motoristas cadastradas em São Paulo. Com o objetivo de valorizar as mulheres motoristas e trazer tranquilidade para as passageiras, o Lady Driver já é o maior aplicativo de transporte feminino da América Latina.

 

 FOTOS: DDJ MULT-VISÃO