Negócios

As adaptações do Bob´s para o novo consumidor


Em tempos de isolamento social, rede inaugurou unidades com o modelo sem contato, em que os pedidos podem ser feitos pelo aplicativo e retirados em lockers


  Por Mariana Missiaggia 04 de Janeiro de 2021 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Aplicativos próprios, gestão de dados, digitalização, adoção de delivery, capacitação on-line e agenda digital – essas são algumas das mudanças que foram incorporadas à operação do Bob´s e devem permanecer nas unidades pós-pandemia.

Quando mais da metade das lojas foram fechadas, em março deste ano, no início da pandemia, Ricardo Bomeny, CEO do Brazil Fast Food Corporation (BFFC), já estava acompanhando os desdobramentos da crise em outros países e imaginava que no Brasil o comércio também precisaria de adaptações.

“Essa pandemia pode nos levar para um lugar muito desejado: conseguir um crescimento real do nosso faturamento, justamente através das ferramentas digitais, e ter tido uma revisão forçada que trará maior produtividade e eficiência nos nossos custos”, diz Bonemy.

Atualmente, a holding controla duas marcas próprias, a principal delas é o Bob´s, além da Yoggi, de frozen iogurte. Além disso, é a maior franqueada do país de outras duas marcas, Pizza Hut e KFC, detentora de aproximadamente 30% da operação brasileira.

Somente com o Bob´s são mais de 1,5 mil pontos de venda, 20 mil colaboradores, 350 franqueados, faturamento de R$ 1,5 bilhão com mais de 100 milhões de clientes em 2019.

Perto de completar 70 anos, a saída encontrada pela rede para driblar o distanciamento social se materializou inicialmente na unidade do Shopping Center Norte, em São Paulo. Após passar por reformas, o espaço foi inaugurado seguindo o conceito contactless (sem contato), em que é possível comprar e retirar um pedido sem a necessidade de contato físico.

Os clientes também podem fazer o pedido e pagamento através do aplicativo Chama Bob’s e retirar suas encomendas em armários inteligentes (lockers). Para facilitar o acesso à plataforma, um QR Code está disponível no salão da loja.

Para minimizar a distância com a rede de franqueados, o executivo diz que a rede apostou em reuniões e agendas digitais com o intuito de capacitá-los e orientar o novo formato de operação seguindo todos os protocolos de segurança e os novos processos de digitalização.

A fim de administrar as dificuldades dos franqueados, foi elaborado um comitê que faz conferências diárias para abordar diversos temas, além de outras reuniões semanais para passar o status da rede e solucionar dúvidas.

Sem a segurança de uma data de reabertura das lojas, Bonemy diz que era preciso mais do que mudanças estruturais, e para ter sucesso no digital era necessário simplificar.

Começaram pelo menu. Fizeram uma análise dos itens mais perecíveis para evitar desperdícios e enxugaram as opções. O projeto de café da manhã que havia sido lançado há pouco tempo foi interrompido. Além da grande diversidade de itens, a rede já esperava pela reabertura com horários reduzidos e que provavelmente não contemplariam aquele tipo de refeição.

Também como estratégia durante o isolamento social, lançaram uma espécie de desafio aos consumidores. A proposta é que eles montem seu próprio lanche em casa, após adquirir um kit com pão, hambúrguer e molho – vendidos pelo iFood.

Outra categoria lançada pensando nas limitações impostas pela pandemia foi o milk shake de um litro em todos os sabores já oferecidos pela marca, e que segundo Bonemy, tem sido bem aceito pelos clientes.

Assim como o restante do comércio, pouco a pouco, a rede retoma sua operação e rotina de cardápio. O primeiro passo foi o recente lançamento do milk shake de Amarula.

Na opinião do executivo, além da digitalização, delivery e vendas sem contato, a diversificação no mix de produtos deve ser a próxima tendência do setor de food service. Tomando como inspiração Estados Unidos e Europa, onde várias redes de alimentação já vendem alguns insumos próprios em supermercados, as redes brasileiras ainda têm uma barreira a ser rompida.

"Algumas redes já trabalham nessa linha, mas acredito na intensificação para atingir o seu cliente em outra ocasião de consumo".

 






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