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As 10 melhores cidades para investir no franchising


Ainda que Rio de Janeiro e São Paulo estejam no topo, ranking elaborado pela Goakira traz surpresas, como Santo André, Guarulhos, Maceió e Campo Grande - locais que, juntos, detêm 20% de um share nacional de mais de R$ 4 tri


  Por Redação DC 29 de Outubro de 2019 às 07:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A grande quantidade de pessoas que lotam os corredores da ABF Expo Franchising todos os anos é um prova viva do interesse dos brasileiros em empreender no setor - um modelo de negócio já testado, com métodos profissionais de gestão, marcas reconhecidas e ganhos de escala proporcionados pelas redes. Mas, qual o lugar mais propício para implantar uma unidade franqueada no Brasil? Pode até parecer óbvio que São Paulo e Rio de Janeiro estejam no topo do ranking das 10 melhores cidades para se investir em franquia no país, mas a lista elaborada pela Goakira Consultoria mostra outras realidades.

Embora as duas maiores capitais apareçam no topo, o que pode levar à ideia de que no caso em questão tamanho é documento, a lista das 10 cidades mais promissoras para o franchising inclui desde centros urbanos não tão grandes – como Maceió, Campo Grande e São Luís – até metrópoles como Belo Horizonte e Curitiba, além de municípios de regiões metropolitanas, como Santo André e Guarulhos, ambos na Grande São Paulo. Ou seja, o perfil é das melhores cidades para se implantar uma franquia é extremamente variado. 

Conforme o estudo da Goakira, o potencial de consumo total do Brasil em 2018 foi de R$ 4.139.840.482.286,81 – isso mesmo, algo em torno de R$ 4 trilhões. Porém, esse potencial está dividido de forma desigual. Juntos, os quatro Estados do Sudeste concentram mais da metade (50,47%) do share nacional de consumo. As regiões Sul e Nordeste, somadas, totalizam 35,51%. Norte e Centro Oeste detêm os 14,02% restantes.

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Outro dado impactante: as 10 melhores cidades para investir em franquia no Brasil detêm 20% do share nacional –todas registraram crescimento populacional e de renda média por domicílio no período do levantamento. Por outro lado. algumas capitais que costumam destacar-se, como Porto Alegre, Brasília, Salvador e Fortaleza, não foram ranqueadas pois apresentaram TGCA de renda média negativo. Assim, embora possuam share de potencial de consumo expressivo, não têm dados tão favoráveis quando considerado o poder de compra das famílias residentes.

Sobre o Rio de Janeiro, que apesar da crise do país e dos indicadores de violência que por vezes inibem eventuais investidores, a consultoria aponta dois fenômenos – mais especificamente, dois bairros – que ajudaram a Cidade Maravilhosa a destacar-se no ranking. A Barra da Tijuca, com cerca de 400 mil passantes diários, mostra-se uma excelente região para negócios dependentes de fluxo de pessoas, como modelos de serviços express. Já Ipanema tem uma das maiores rendas médias mensais do país (cerca R$ 50 mil). Juntos, os dois números ajudaram a catapultar o Rio ao primeiro posto do ranking.

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“Mesmo com todas as crises, os TGCAs populacional e de renda do Rio são crescentes. Além disso, tem duas regiões que acabam alavancando este TGCA”, explica Deborah Machado, consultora sênior da Goakira. “Se você for olhar o município todo, esses dois bairros são responsáveis por posicionar o Rio no topo do ranking. A concentração de renda e de pessoas aumentou muito ao longo dos últimos anos. Quando fazemos estudos de geomarketing para o Rio, os melhores pontos posicionam-se em Ipanema ou na Barra da Tijuca”.

ALTO POTENCIAL DE CONSUMO 

Para a montagem do ranking, a Goakira considerou que o cenário econômico de crise no Brasil dos últimos anos afetou alguns municípios mais do que outros. Entre outras variáveis, os cálculos levaram em conta as Taxas Geométricas de Crescimento Anual (TGCAs) populacional e de renda medidas de 2010 a 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme análise da Goakira, as TGCAs populacional e de renda mostram que há municípios que continuam em ascensão, ou seja, anualmente apresentam renda média domiciliar e população aumentando, enquanto outros apresentam diminuição de renda média – fator que influencia diretamente no poder de compra do consumidor e muitas vezes o faz repriorizar seus gastos.

“Primeiro, extraímos o potencial de consumo - quer dizer, a capacidade disponível dos domicílios para gastos em geral”, afirma a consultora Deborah Machado. “A seguir, calculamos o share de cada município. São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maior quantidade de dinheiro disponível nos domicílios para serem gastos de forma variada. Mas esses dados usados, de forma isolada, não indicam se a cidade é boa ou não para investimentos.”

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Segundo a consultora, o passo seguinte para a elaboração do ranking foi, com base nesses dados, o cruzamento dos indicadores TGCA de renda e TGCA populacional com o share de consumo, uma vez que o ideal para o investidor é atuar em cidades com potencial real, aquelas onde os residentes têm poder de escolha e de compra – entre os municípios que tiveram maior TGCA populacional positivo, foi elaborado um ranking a partir do TGCA de renda.

“Para ser considerada boa para investimento, uma cidade precisaria ter TGCA de renda e de população positivos”, prossegue Deborah. “Isso indica que há população crescente e renda média domiciliar crescente. Municípios com essas variáveis positivas, ou não foram impactados pela crise, ou estão em crescimento econômico.” 

Esse estudo foi realizado pela equipe de consultores da Goakira, com base em dados do IBGE e das empresas Economapas e Geofusion.

FOTO: Studio F