Negócios

Após venda, Walmart deve adotar nova estratégia no Brasil


Entre as apostas, está o investimento no atacarejo e no clube de compras da rede, o Sam’s Club


  Por Estadão Conteúdo 05 de Junho de 2018 às 11:26

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Após meses buscando uma saída para sua operação no País, o Walmart anunciou a venda de 80% dos seus negócios no Brasil para o Advent International, fundo americano de private equity, que compra participações em empresas.

A varejista americana continuará com os 20% restantes depois da conclusão da operação, que está sujeita à aprovação regulatória. 

A maior varejista do mundo vem buscando alavancar suas operações fora dos Estados Unidos, recuando em mercados de crescimento mais lento e investindo em lugares como China e Índia.

O Brasil foi por uma década foco de expansão, mas a unidade perdeu força nos últimos anos com problemas operacionais combinados com os efeitos de uma forte recessão.

Em comunicado conjunto, as empresas não revelaram valores. O Walmart informou apenas que espera registrar com a transação uma perda líquida em seu balanço no segundo trimestre de US$ 4,5 bilhões, sem efeito no caixa da empresa. 

O porta-voz do Walmart Randy Hargrove afirmou que a varejista não vai receber pagamento pela operação, mas que pode embolsar até US$ 250 milhões da Advent no futuro, a depender do desempenho da unidade. 

A venda pode dar um novo rumo para a operação da rede americana no País. Terceira maior no mercado brasileiro, atrás do Grupo Pão de Açúcar e do Carrefour, o Walmart reportou por sete anos seguidos prejuízo operacional.

Presente no País desde 1995, uma expansão agressiva deixou a empresa com locações fracas e operações ineficientes. Hoje, o grupo tem hoje 438 lojas em 18 estados, com 55 mil funcionários. Em 2017, as vendas totais da empresa somaram R$ 28,2 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). 

Segundo fonte próxima às conversas, esse será o maior negócio global em faturamento da Advent. O objetivo é aproximar a gestão da rede à realidade brasileira.

A política de preço baixo, que nunca funcionou no Brasil, deve ser deixada de lado. Entre as apostas, está o investimento no atacarejo e no clube de compras da rede, o Sam’s Club. 

Para analistas, o Advent deve buscar reestruturar as operações e pressionar a concorrência, em especial no Nordeste, onde o Walmart conta com uma presença forte por meio das unidades compradas da rede Bompreço.

“Não perceber a mudança dos consumidores para o atacarejo foi um dos maiores erros do Walmart no Brasil”, diz Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail. “Agora, o Advent poderia acelerar a expansão do Maxxi (rede de atacado do Walmart) colocando foco nisso, assim como GPA e Carrefour têm dado fôlego ao crescimento de seus atacarejos, o Assaí e o Atacadão.”

Para o analista do Bradesco, Richard Cathcart, o Advent pode converter alguns dos hipermercados do Walmart em atacarejos. 

No Brasil desde 1997, o fundo americano já investiu R$ 16,5 bilhões em mais de 30 empresas de diversos setores. Entre os destaques está a Kroton, que o fundo acabou transformando na maior empresa privada de educação superior do País.

Fazem parte do atual portfólio do fundo empresas como a Estácio, vice-líder em educação superior, a rede gaúcha de materiais de construção Quero-Quero e o grupo de alimentação IMC, dono das marcas Frango Assado e Viena (ver acima). 

Nos principais mercados internacionais, o Walmart está tentando alcançar rivais que vão desde a supermercadista Aldi até a Amazon.com. Recentemente a varejista americana vendeu uma fatia majoritária em seu negócio britânico ASDA para a J Sainsbury e pagou US$ 16 bilhões por uma participação majoritária na empresa de comércio eletrônico da Índia Flipkart.