Negócios

Antigas rivais, Peixe Urbano e Groupon fundem operações


Objetivo é fortalecer o mercado O2O (online-to-online) no país, dizem as empresas. O CEO Alex Tabor (acima) continua no cargo


  Por Karina Lignelli 27 de Novembro de 2017 às 19:50

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Se não pode vencê-lo, basta juntar-se a ele. Duas grandes plataformas de ofertas locais, que ficaram conhecidas pelo modelo de compras coletivas e eram concorrentes diretas, o Peixe Urbano e o Groupon, anunciaram nesta segunda-feira (27/11) a fusão das operações no Brasil.

Capitaneada pelo fundo de investimento Mountain Nazca, que em fevereiro adquiriu o Groupon América Latina, a operação agora incluirá o controle acionário do Peixe Urbano, que desde 2014 estava sob o comando dos chineses do Baidu. Procuradas, as empresas, que hoje atuam no segmento de cupons de desconto, não revelaram o valor da transação.

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Em comunicado à imprensa, as empresas informaram que não mudarão suas operações, vão unir as duas equipes e continuarão a oferecer o mesmo inventário de ofertas – a Groupon, no segmento de Beleza e Viagens, e o Peixe Urbano, no de Gastronomia e Entretenimento.

“Ao fim das contas, quem se beneficia é o usuário, que vai ter o melhor dos dois mundos”, afirma Félix Lulion, CEO do Groupon no Brasil.

Outra vantagem para o usuário, de acordo com o Peixe Urbano, será a funcionalidade “Use Agora”, que também estará disponível para toda a base de usuários do Groupon Brasil.

“Para se ter uma ideia, a modalidade, na qual o usuário pode comprar e usar de imediato o voucher, corresponde a 90% das ofertas de restaurantes de toda a plataforma Peixe Urbano”, afirma Alex Tabor, cofundador e CEO que continuará à frente da empresa, mesmo com a fusão.

O objetivo principal, de acordo com o comunicado, será fortalecer o mercado O2O (online to offline), que está crescendo muito, tem até associação e movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano com seus  mais de 100 milhões de usuários brasileiros.

“O cenário já é positivo, e ainda assim, esperamos superá-lo em pelo menos 20% não só pela fusão, mas pela expansão que registramos a partir da estratégia de negócios que adotamos no último ano”, diz Tabor.

A princípio, a grande vantagem de uma operação como essas é a economia de escala – algo interessante no mercado de e-commerce, onde as margens de lucro costumam ser apertadas, segundo avalia Pedro Guasti, CEO da E-bit, consultoria especializada em comércio eletrônico.

“Com um único foco, será possível manter as duas marcas explorando e integrando ofertas de acordo com o perfil de cada público, além de perpetuar sua presença no mercado”, afirma. “Afinal, não adianta competir sem apresentar resultado: isso não garante a continuidade do modelo.”

RELEMBRE

A competição acirrada, o crescimento rápido demais e até problemas com fornecedores foram alguns dos motivos que quase impediram que Peixe Urbano e Groupon deslanchassem no Brasil.

Uma das primeiras startups de sucesso por aqui, o Peixe Urbano, fundado em 2010, teve parte da reputação manchada diante dos usuários de internet por conta desses problemas e precisou se reinventar para voltar à briga.

A partir de 2013, virou um site de vendas de serviços, sem número mínimo de compradores para ativar as ofertas. A mudança atraiu a atenção do Baidu, o segundo maior buscador global de internet, que se tornou acionista majoritário da empresa em 2014.

O movimento ajudou a startup voltar a crescer: usando aplicativos baseados em geolocalização e Big Data, em 2016 o Peixe Urbano chegou a faturar R$ 1 bilhão – uma alta de 40% comparada a 2015 e o maior faturamento da sua história.

Hoje, o Peixe Urbano conta com cerca de 30 milhões de usuários no Brasil. Já o Groupon não revela esses números, mas há informações de mercado de que é utilizado por 52 milhões de pessoas na América Latina.

FOTO: Divulgação Peixe Urbano