Negócios

Ano olímpico estimula exportação de pequenas e médias empresas


O projeto Chama Empreendedora vai capacitar empresários e promover aproximação comercial entre países durante o evento esportivo


  Por Mariana Missiaggia 02 de Maio de 2016 às 15:30

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Vender para outros países num momento em que a cotação do dólar aparece em patamares elevados pode parecer a alternativa perfeita para empresários que buscam novos mercados. 

Em ano olímpico ambientado por uma forte crise financeira, o projeto Chama Empreendedora se mostra como uma oportunidade para micro, pequenos e médios empresários que têm o desejo de se lançar no comércio internacional.

Como parte da programação, nesta segunda-feira (02/05) foi a vez da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) receber os representantes das entidades envolvidas no projeto –Correios, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Sebrae, e Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje).

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Para Alencar Burti, presidente da ACSP e da FACESP, além de fomentar o ambiente de negócios, a iniciativa mostra ao mundo que o setor empresarial brasileiro está atuante para mudar o atual quadro econômico desfavorável. 

PROJETO

Em curso desde outubro do ano passado, sob a coordenação da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), e da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio), a ação pretende capacitar os pequenos empreendedores de todo o país para que eles identifiquem possibilidades para exportar os seus produtos durante os jogo olímpicos, que acontecerão no Rio de Janeiro, a partir de agosto.

“O Brasil tem o mundo todo para exportar, mas a exportações brasileiras não chegam a 2%”, diz Paulo Protásio, presidente da ACRJ.

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Trata-se de um mercado que hoje movimenta cerca de R$ 3 bilhões em compras de insumos, produtos e prestação de serviços para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016, e que pode abrir as portas dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, na Coréia do Sul, e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2020, no Japão, de acordo com Protásio.

Na prática, o objetivo do Chama Empreendedora é sensibilizar os empreendedores a vislumbrar uma perspectiva diferente para seu negócio através do fomento à cultura exportadora.

Após um autodiagnóstico (questionário preenchido on-line), consultores do Sebrae irão analisar o potencial de cada microempresário cadastrado. Quem for selecionado, será orientado pelo Sebrae de que forma ofertar seus produtos para o mundo.

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Em todo o país serão selecionados produtos com perfil exportador, que vão receber visibilidade durante os jogos. A seleção levará em conta critérios culturais e regionais, que reforcem aspectos socioambientais, de caráter inovador e com maturidade para exportação.

Para Roberto Ticoulat, vice-presidente da ACSP e coordenador da área de comércio exterior da entidade, o Estado tem feito muito pouco para viabilizar o comércio internacional, e eliminar os entraves que inviabilizam a exportação. “Por conta de uma legislação tributária e trabalhista arcaica, nos tornamos menos competitivos nesse mercado.” 

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SEBRAE NO PÓDIO

Em sintonia com a proposta, o Sebrae no Pódio é uma vertente da ação em parceria com o Comitê Olímpico Rio 2016 com o objetivo de capacitar as micro e pequenas empresas para se tornarem possíveis fornecedoras de produtos e serviços nos jogos olímpicos.

No total, mais de 550 serviços serão demandados, como produção audiovisual, construções temporárias, lavanderias, entre outras.

As empresas que participarem do programa receberão, ao final do processo, uma certificação internacional, o UNSPSC, que equivale ao CNAE (classificação nacional de atividades econômicas) - uma oportunidade de entrada no mercado internacional, pois habilitará a empresa a fornecer para fora do Brasil.

"A globalização não chegou ao mundo dos pequenos negócios, e isso é mundial", diz Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae. "O empreendedorismo precisa de pista livre no Brasil, mas encontra muitos obstáculos. Parece que colocam um peso de 50 quilos em cima do empresário, e ainda assim esperam que ele cresça. Impossível".

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*FOTO: Thinkstock