Negócios

|Análise|Por que o impacto da liberação do FGTS será modesto para o varejo


“Reduzir os juros e os depósitos compulsórios dos bancos beneficiará muito o crédito à pessoa física, estimulando o varejo”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP (na foto)


  Por Redação DC 31 de Julho de 2019 às 11:01

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Projeção da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) calculada no início de julho para o varejo restrito brasileiro era de crescimento de 1,1% em 2019 na comparação com o ano passado. Com a liberação dos recursos do FGTS e do PIS Pasep, a entidade recalculou para alta de 1,3%.

“O impacto da liberação dos recursos no PIB e no comércio será positivo, porém modesto, sem que se afete a trajetória da economia e das vendas. O desemprego segue alto, a segurança no emprego teve diminuição relevante, os salários crescem pouco acima da inflação e o crédito continua caro, deixando o consumidor bastante cauteloso”, comenta o economista da ACSP Marcel Solimeo.

Ele lembra que é um número bem inferior aos 2,3% de 2018 e aos 2,1% de 2017. E que “no começo do ano, as expectativas de aumento para o varejo estavam na faixa entre 2% e 3%, mas as dificuldades econômicas não permitiram mais uma recuperação nesse patamar”.

Contudo, para Solimeo, há medidas que podem ser tomadas. “Reduzir os juros e os depósitos compulsórios dos bancos beneficiará muito o crédito à pessoa física, estimulando o varejo”, diz o economista da ACSP. “A inflação sob controle e o fraco ritmo da atividade econômica abrem espaço para o Banco Central reduzir a taxa básica de juros/Selic algumas vezes até o fim do ano”.

Além disso, diz ele, “Se a reforma da Previdência for aprovada no início de agosto, como se espera, e os demais ajustes foram viabilizados, a confiança do consumidor e do empresariado tende a aumentar, o que por sua vez pode melhorar mais a projeção para o comércio”.

A projeção foi feita pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal/ACSP com base em dados: do varejo do IBGE; dos juros, do crédito à pessoa física e da massa salarial ampliada disponível, do Banco Central; e do Índice Nacional de Confiança/ACSP.